de 2000 a 2013

Mulheres soropositivos também podem ter filhos saudáveis!

Mulheres soropositivos podem engravidar com segurança.

mulheres soropositivosO de­se­jo de ser mãe é um so­nho pa­ra mui­tas mu­lhe­res. Es­se so­nho va­le também pa­ra Mulheres soropositivos já que to­da pes­soa, in­de­pen­den­te­men­te de vi­ver ou não com AIDS, tem di­rei­to de de­ci­dir se quer ter fi­lhos ou não, quan­tos e em que mo­men­to da vi­da.

O aces­so uni­ver­sal ao tra­ta­men­to do HIV pos­si­bi­li­tou um no­vo cenário pa­ra mu­lhe­res soropositivos que de­se­jam tor­narem-se mães. A que­da nas ta­xas de trans­missão ver­ti­cal (de mãe pa­ra fi­lho) do HIV é uma re­a­li­da­de que ani­ma as mu­lhe­res so­ro­po­si­ti­vos.

As tec­no­lo­gi­as atu­al­men­te dis­poníveis e re­co­men­da­das no Bra­sil são ca­pa­zes de re­du­zir o ris­co de trans­missão ver­ti­cal pa­ra me­nos de 1%. En­tre 2008 e 2009, cer­ca de 6 mil mu­lhe­res so­ro­po­si­ti­vos en­gra­vi­da­ram.

Ha­ven­do de­se­jo de pa­ter­ni­da­de ou ma­ter­ni­da­de, é ne­cessário es­ta­be­le­cer um pla­ne­ja­men­to con­jun­to. Pa­ra aque­les ca­sais que de­se­jam ter fi­lhos pe­los méto­dos na­tu­rais, é im­por­tan­te não ter in­fecções ge­ni­tais (co­mo, por ex­em­plo, DST), apre­sen­tar es­ta­bi­li­da­de imu­nológi­ca, boa adesão ao tra­ta­men­to e car­ga vi­ral in­de­tectável. No Bra­sil, apro­xi­ma­da­men­te 80% das pes­so­as com AIDS se en­con­tram na fai­xa etária re­pro­du­ti­va.

Esther Vi­le­la, co­or­de­na­do­ra do de­par­ta­men­to de Saúde da Mu­lher do Mi­nistério da Saúde, ex­pli­ca que as mu­lhe­res so­ro­po­si­ti­vos po­dem con­tar com o Sis­te­ma Úni­co de Saúde (SUS).

“Ho­je, a AIDS não é uma do­ença que ma­ta co­mo an­tes.

Há con­dições de mo­ni­to­rar es­sa gra­vi­dez, ape­sar de ser de al­to ris­co.

A me­di­ci­na li­da com is­so e ten­ta le­var o máxi­mo de se­gu­rança possível a es­sas mu­lhe­res so­ro­po­si­ti­vos. Se fo­rem to­ma­das as me­di­das ne­cessári­as, a trans­missão ver­ti­cal é re­du­zi­da bas­tan­te”, afir­ma.

De acor­do com a co­or­de­na­do­ra, o SUS ho­je con­ta com cer­ca de 200 ma­ter­ni­da­des ha­bi­li­ta­das de al­to ris­co. As mu­lhe­res com HIV e ou­tros pro­ble­mas de saúde mais com­ple­xos são acom­pa­nha­das nes­sas uni­da­des. “No pla­no de ação da Re­de Ce­go­nha es­ta­mos fa­zen­do um de­se­nho da re­de, pa­ra que os médi­cos en­ca­mi­nhem as mães pa­ra as uni­da­des mais próxi­mas. O cor­po de pro­fis­si­o­nais nes­sas uni­da­des é mai­or e tem mais es­pe­ci­a­lis­tas”, apon­ta Esther Vi­le­la.

Mulheres soropositivos: As etapas.

Eta­pas – A pri­mei­ra coi­sa a fa­zer pa­ra de­ci­dir so­bre a gra­vi­dez nes­ses ca­sos é con­ver­sar com o médi­co doSer­viço de As­sistência Es­pe­ci­a­li­za­da em HIV/AIDS (SAE) que re­a­li­za o acom­pa­nha­men­to da mu­lher. Ele vai ava­li­ar a con­dição imu­nológi­ca de­la pa­ra pla­ne­jar o me­lhor mo­men­to clíni­co pa­ra que a gra­vi­dez ocor­ra com me­nos ris­co de trans­missão pa­ra o bebê.

Se as con­dições es­ti­ve­rem fa­voráveis e for com­pro­va­da a ausência de Do­enças Se­xu­al­men­te Trans­missíveis (DST), o médi­co vai con­ver­sar com a mãe e o pai pa­ra de­ci­di­rem a for­ma da con­cepção. De acor­do com An­drea Ros­si, con­sul­to­ra técni­ca do De­par­ta­men­to de DST, AIDS e He­pa­ti­tes Vi­rais do Mi­nistério da Saúde, a ori­en­tação mais fácil e sem ris­cos pa­ra ca­sais so­ro­dis­cor­dan­tes (quan­do um ape­nas é po­si­ti­vo pa­ra HIV) é a au­toin­se­mi­nação. “Com a co­le­ta do sêmen mas­cu­li­no, a mu­lher po­de in­tro­du­zi-lo na va­gi­na por meio de uma se­rin­ga. Is­so não traz ris­cos pa­ra o par­cei­ro”, afir­ma.

Pa­ra os ca­sais so­ro­con­cor­dan­tes, a ori­en­tação é que te­nham re­lação se­xu­al ape­nas em período fértil. Ca­so a mu­lher si­ga to­das as ori­en­tações, faça o acom­pa­nha­men­to pré-na­tal, to­me an­tir­re­tro­vi­rais du­ran­te a ges­tação e na ho­ra do par­to e não ama­men­te o bebê após o nas­ci­men­to, re­du­zirá em até 99% o ris­co de trans­missão do HIV. Is­so de­pen­de da boa adesão às re­co­men­dações.

Per­to do nas­ci­men­to, o médi­co vai ava­li­ar a via de par­to mais acon­se­lhável. A es­co­lha é fei­ta pe­lo médi­co e vai de­pen­der de uma série de fa­to­res co­mo a si­tuação clíni­ca da mu­lher, se ela tem ou­tra do­ença e se está com DST. No en­tan­to, a práti­ca mais se­gu­ra, em to­do ca­so, é a ci­rur­gia ce­sa­ri­a­na. To­dos os pro­ce­di­men­tos, bem co­mo os me­di­ca­men­tos an­tir­re­tro­vi­rais, são ofe­re­ci­dos pe­lo SUS.

Fon­te: Sa­mu­el Bes­sa /Agência Saúde

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