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Escrito por Republicado por Cláudio Santos de Souza   
Seg, 23 de Agosto de 2010 14:07

TRIBUNA DO NORTE - RN |

AIDS | DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS

22/08/2010

Jorge Boucinhas - médico e professor da UFRN

O título deste Artigo reproduz a famosa desculpa dada pelo homem ao falhar em atingir a ereção peniana ao tentar o intercurso sexual. Muitos já a pronunciaram pelo menos uma vez na vida, pelo que o tema deste Artigo é de interesse não só para os indivíduos que adentram em idade como para suas companheiras!

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Comece-se pela definição. Disfunção erétil (DE) é a denominação dada à dificuldade em ter ou manter uma ereção adequada para atividade sexual satisfatória. É mais comum do que se pensa: chega a atingir, numa ou noutra ocasião, metade da população masculina, e importa saber que falhar ocasionalmente não significa ser impotente. Por vezes trata-se apenas de um episódio de desânimo, não computável como verdadeira impotência, e trata-se de problema bem encontradiço, calculando-se que afete mais de dez milhões de homens brasileiros.

A DE tanto pode ser provocada por elementos psicológicos como por orgânicos ou pela combinação de ambos. Aparentemente a imensa maioria dos homens jovens que apresentam súbita redução da capacidade de ereção deve sua condição a causas psicológicas. Até a quarta década de vida julga-se que nove em cada dez casos ocorrem por tais fatores. Após a sexta, metade já ocorreria por motivos orgânicos (físicos). Ademais, os fatores psicológicos também estão presentes e são complicadores adicionais mesmo quando a causa básica da impotência é orgânica.

As causações psicológicas compreendem: conflitos sexuais íntimos; depressão; ansiedade em geral; síndrome do "burn-out" (a conhecida "estafa"); excesso de trabalho; preocupação com o próprio desempenho sexual; brigas com o cônjuge.

As orgânicas compreendem, entre outras mais: diabete melito; distúrbios neurológicos primários; cirurgia ou traumatismo pélvicos; efeitos colaterais de medicamentos; insuficiências gonadal, renal, hepática, cardíaca e tireoidiana; hipertensão arterial severa; AVC; infarto do miocárdio; doenças debilitantes crônicas (incluindo tuberculose pulmonar, câncer, AIDS); aterosclerose intensa.

O uso de tóxicos merece consideração à parte, e provoca, inicialmente, diminuição do desejo, seguindo-se incapacidade erecional. Cada um age de sua forma peculiar. O álcool tanto provoca neuropatia periférica quanto depressão do Sistema Nervoso Central. A cocaína lesa diretamente a musculatura lisa que existe nos corpos cavernosos do pênis. A maconha pode alterar os níveis de testosterona. O tabagismo causa vasoconstricção, lesa a parede arterial e diminui o colesterol benéfico, o que predispõe à arteriosclerose e à aterosclerose.

Hoje já há muitas possibilidades de tratamento. É fundamental tomar precauções, quais: ter hábitos de vida saudáveis, exercitando-se regularmente e usando comidas equilibradas; evitar o fumo, o álcool e as drogas ilícitas; ter uma companhia interessante e interessada na vida sexual do casal. Quanto à tão propalada abordagem terapêutica hormonal, na verdade só metade dos casos têm sido comprovados como ocasionados por níveis anormais de hormônios sexuais, e estes, realmente, têm solução simplíssima: basta repor a testosterona (quando não houver outras afecções, como as prostáticas, que o impeçam!). Para os casos com componente psíquico, a terapia sexual e o aconselhamento e psicológico reduzem o nível de ansiedade. Dispositivos de vácuo, nos quais se insere o pênis num cilindro de plástico e se induz vácuo, obtendo ereção, têm sido muito vendido mas têm apresentado resultados instáveis. Colocação de prótese peniana pode ser uma solução mas fica para casos extremos. Há também o recurso a fitoterápicos quais marapuama, ginseng, catuaba, maca, ioimbina, entre outros. Novos medicamentos de síntese química têm-se revelado mui úteis, dentre os quais os três a seguir agem diretamente no pênis inibindo a enzima fosfodiesterase e elicitando vasodilatação com ereção. São sildenafiI, vardenafil, tadalafila. Têm alguns pequenos efeitos colaterais e convém serem indicados para cada caso, bem como são contra-indicados nos homens que usam nitratos para tratamento da hipertensão arterial. Pode-se adicionar a apomorfina, que age no Sistema Nervoso Central, do qual é enviado estímulo para que o pênis fique ereto, e a fentolamina, que impede que o excesso de adrenalina da ansiedade bloqueie a ereção.

A mensagem básica que deve ficar, então, é: pode-se erguer a cabeça e ter boas sessões de sexo, independentemente da causa do problema! O que vale é olhar a questão de frente, deixar a vergonha de lado e buscar orientação qualificada!

Que essa revisão tenha sido proveitosa e até a semana vindoura!

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