1º Editorial de Soropositivo.org em Agosto de 2000

Bem Vindo a Soropositivo.Org

Dia primeiro de dezembro de 2000 se “comemora” o dia mundial de luta contra a AIDS.
As emissoras de TV não falarão em outra coisa; idem as emissoras de rádio e os jornais. Depois, o assunto cai, novamente, no esquecimento.
Cantamos, neste dia, muitas vitórias. Tivemos mesmo, com a participação ativa das comunidades e das Organizações não governamentais, muitas vitórias:
Há mais remédios; os exames são mais precisos; as pesquisas em torno de vacinas já progrediram muito.
O portador de HIV vive mais e com uma qualidade de vida maior…

Eu, Cláudio Souza, do Soropositivo.Org, sou obrigado a não concordar com a qualidade de vida maior.
Qualidade de vida de vida não é só estar bem de saúde, a custa de remédios.
Qualidade de vida é acordar de manhã e enfrentar um ônibus, metro ou trem e chegar ao trabalho, executar uma função, sair para o almoço com os amigos e voltar para mais umas cinco horas de luta e, com isso, planejar o futuro.
Qualidade de vida é não precisar esconder a doença por medo de ser discriminado, é não precisar se esconder como um criminoso só porque porta um vírus.
Qualidade de vida é poder sonhar com um futuro melhor, com uma casa própria, com casamento, vida familiar.
E a base de tudo isso esta no direito ao trabalho, aliado ao direito à saúde e a igualdade. Está é minha luta, desde que iniciei este trabalho em Soropositivo.Org
Nossa vida não pode permanecer resumida a caixas de remédios e exames de laboratório.
Nossa vida não pode ser vivida em órbita da doença ou da condição soropositiva.

O perfil das pessoas vivendo com HIV mudou muito e em todo este tempo

E Soropositivo.Org esteve aqui, documentando!

Eu estive aqui, por todos estes anos cuidando.

Eu trabalho “na minha cria”, o soropositivo.org, por desvelado amor e, embora eu tenha pouco menos de 600 artigos publicados, eu editei, traduzi, copiei e colei em um só lugar, um pouco mais de 4000 postagens!

A História da AIDS, desde o ano dois mil está registrada aqui e eu ouso atraver-me a dizer que o maior banco de dados sobre o Tema, nas mãos de uma chamado ING – Indivíduo Não Governamental – Isso tem implicações óbvias. Eu mantenho isso de meus recursos, pífios, imprevisíveis e inconstantes.

um dos Topos de Soropositivo.Org

Este é um dos incontáveis topos que foram usados neste blog. Se vós soubessieis as razões de eu o ter removido, chocar-se-iam desastrosamente

 O perfil pa Pessoa vindo com HIv e o Perfil de Soropositivo.Orr

O perfil do portador de HIV mudou; e mudou para melhor. (Esta já ra uma realidade estabelecida no ano Dois Mil)
Já não morremos com tanta freqüência. Já não somos internados tantas vezes, já não desenvolvemos a doença e, em verdade, estamos fortes e saudáveis, aptos ao trabalho e a vida social.

Houve um erro no inicio da epidemia:

Ela foi atribuída a um grupo específico de pessoas, cuja conduta a sociedade tem por habito reprovar sem conhecer, geralmente de pois que alguns de “produtivos integrantes de nosso modelo ímpar e exemplar de sociedade” as usou, sem que ninguém se importasse com isso! 

Criaram – se expressões como peste gay, câncer gay, grupos de risco. Todas erradas, mentirosas, discriminadoras. Todas estigmatizadoras. E ninguém desfaz este erro. Todos agem como se nada tivesse ocorrido.

Soropositivo.org procura esclarecer, desde 1º de Agosto de 2000


A AIDS não é privilégio (…) de uns poucos. O HIV é bem pouco seletivo na hora de “escolher” seu hospedeiro.
Brancos, negros, índios, heterossexuais, mulheres, crianças, homossexuais, bissexuais, qualquer um.
Qualquer um pode contrair HIV e, se não se tratar, desenvolver AIDS.
Mas a grande maioria, quando descobre, entra em tratamento, recupera a saúde e tem condições de conduzir uma vida normal, como a de qualquer pessoa.
Mas isso nos é negado. Se um empregador descobre que tem um portador de HIV em seu quadro de funcionários, demite – o, sob qualquer pretexto, para se livrar de problemas futuros, que são apenas teóricos.
Isso porque o empregador não quer correr o risco de encarar sozinho todo o ônus da eventual doença:
Internações, licenças, ausências para controle, etc.
Tudo isso faz com que o portador de HIV seja considerado um funcionário, um trabalhador pouco atraente.
É preciso mudar isso, gerando estímulos fiscais a quem emprega o soropositivo.

Esta era a razão primária da criação de Soropositivo.org


Desempregados, somos um ônus social. Ficamos dependendo do assistencialismo publico, quase sempre precário, de nossas famílias, quase sempre de baixa renda, e nossa vida perde em qualidade e expectativa.
Empregados, cuidamos melhor de nossa saúde, consumimos mais, pagamos impostos e vivemos felizes, produtivos e independentes.
Nota do editor em 2018: Soropositivo.Org consegui o apoio de uma ONG impotante, a Ashoka Empreendedores Sociais, na busca desta meta. Infelizmente, hoje eu sei, eu obtive a ajuda no pior momento, pois logo enseguida eu tive uma triste crise depressiva, e ficquei mentalmente doente até perder o apoio e assim o fiquei, mentalmente doente, por quase seis anos… Soropositivo.Org foi o primeiro site (ou blog, como queiram) a receber apoio da Ashoka. Sim, eu falhei em minha busca, mas consegui isso, por meu trabalho neste blog; infelizmente eu falhei…

A relação empregador/empregado_soropositivo/governo precisa mudar.
Não adianta criar um sem numero de leis que proíbam o empregador de demitir o soropositivo; há leis e leis que proíbem um sem numero de coisas e elas continuam acontecendo, mesmo proibidas. Ou uma lei que proíbe o trafico de drogas acabou com o trafico?

Ao contrário, ao invés de simplesmente “proteger” o portador de HIV, através de dispositivos legais, louváveis é claro, que punam a empresa e/ou pessoa que incorram no crime de discriminação, é preciso estimular o empregador a manter, através de beneficio fiscais, como já disse, e pela criação de um banco de horas, o portador de HIV saudável e apto ao trabalho em seu posto usual. Esta foi a idéia inicial ao criarmos Soropositivo.Org

Soropositivo.Org buscou, durante muito tempo, este conceito, do direito ao trabalho.

Eu desejei muito reiniciar minha vida.

Hoje, 18 anos depois, eu mal dou conta de mim (11/05/2018)

Feiras de artesanato, insisto, não resolvem nada, pois nem todas as pessoas tem a habilidade manual para isso ou se interessam por tal oficio. Este é um trabalho, o artesanato, que pede muito mais amor à “oficina” do que o que foi necessário para mim, quando, por conta de algumas ilações equivocadas do passado E toda pessoa tem o direito de exercer a sua profissão, que aprendeu a desenvolver com méritos próprios e esforço, muitas vezes, diuturno. A condição sorológica não desfaz estes méritos. A maneira como o individuo “pegou” o vírus também não deve entrar na questão, pois não muda para melhor ou pior a qualidade do profissional em questão. Deve, sempre, permanecer a condição de ser humano, digno de respeito, não de dó, acima de qualquer coisa.

Enquanto isso, a sociedade precisa ser conscientizada, pelos meios de comunicação, sobre a segurança do convívio com o portador de HIV, a pessoa soropositico para HIV… a condição reagente para HIV não é uma traghédia fadada ao desastre fatídico:

“Há vida com HIV”


A imprensa em geral deve isso à população, no seu mister de informar e esclarecer. E, col oitocentos mil diabos, ela, a mídia, não faz isso!

As campanhas de esclarecimento devem ser boladas por quem entenda do assunto, por quem viva o assunto e por quem conheça a fundo o assunto.

A visão social da AIDS é equivocada. NÃO morremos como moscas. E não transmitimos a doença pelo ar, por aperto de mão ou contato social.
A relação sexual precisa ser protegida; mas não é para evitar apenas AIDS. É para evitar sífilis, gonorréia, hepatite, condiloma acuminado e uma miríade de DST´s que são tão ou mais perigosas que a infecção por HIV. E mais, evita a gravidez indesejada ou, pior, a gravidez adolescente.

Esta visão social sobre a AIDs precisa ser acertada, corrigida. E só os meios de comunicação de massa, em parceria com as Organizações não Governamentais e o Governo tem condições de reparar este dano causado por eles mesmos e pela comunidade científica, num momento em que muito pouca luz havia sobre o problema.
Considerações minhas, lá naquela época, de como se via e vivia a “epidemia de HIV” e eu tentei fazer, com este blog, alguma diferença
Você considera que a população esta devidamente esclarecida? Clique Aqui! Mas, se isso não bastar e você  crê que eu estou exagerando e que o preconceito não é tão grande assim?=, por favor, clique aqui e depois, clique aqui!
E, ainda assim, você ousa acredita que ninguém se arrisca mais? Clique Aqui e, finalmente, você, mulhers sente – se segura porque vive uma “relação estável”?
Clique Aqui e chegará a conclusão que não está tão segura assim.
Depois procure na seção depoimentos pessoais as histórias de mulheres que contraíram o vírus de seus maridos e que abrem seus corações aqui, no afã de que isso não se repita…
A AIDS é um problema de todos, sem distinção possível de gênero ou “modo de vida”. MAs já não é a sentença de morte ou a “vingança de de Deus”(…).

E  é possível mudar estas coisas com conscientização e esclarecimento, informação e boa vontade.
Temos uma excelente cobertura, no que tange a tratamentos, medicação e exames; pelo menos por enquanto. Mas isso, por si só, não nos basta. Se podemos viver (e este é um direito natural de cada pessoa) com saúde, podemos muito bem trabalhar para o nosso próprio sustento e o de nossas famílias (somos pais e mães de família), sem que sejamos discriminados por nossa condição sorológica.

De todos os sintomas da AIDS o pior deles ainda continua sendo, depois e 20 anos (agora mais de 30), num mundo em que a maioria tem TV e acesso a Internet, o preconceito grassa e campeia, livre e silenciosamente, como o incêndio que queima, sob a tundra, até ter força para levar a floresta à destruição complera
.
Urge que isso mude, e mude para melhor.
Cláudio, do Soropositivo.Org e toda a equipe da soropositivo home page.