Mônica

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Mônica.

Doctor's hand with blood sample

E, encontrei esse site.

Li o depoimento de Cláudio e tive vontade de dar o meu.

Não sei como começar, mas vou tentar de algum jeito.

Era outubro de 1999, minha mãe recebeu o telefonema de um amigo do meu irmão informando que ele estava hospitalizado…

(Havia 10 meses que meu irmão tinha terminado a residência em ginecologia e obstetrícia, e foi morar em outro Estado, onde seguiria seu caminho.) …

De imediato fomos ao encontro do meu irmão, ele estava magro “como uma plantinha que secou sem água”, abatido, tinha dormência no queixo, uma anemia forte, um número muito baixo de plaquetas, um sangramento no estômago… e uma doença que nós da família não tínhamos conhecimento.

Procuramos os médicos, que nunca revelavam o que tinha meu irmão (ele era meu irmão mais velho).

Começamos a pressionar muito os médicos, para que tivéssemos um diagnóstico, e nada.

Eu ficava de um Estado para outro, dividida entre trabalho e meu irmão.

Meu irmão não deixou que nenhum dos médicos revelassem o diagnóstico real.

E nós ficamos sem saber a verdade.

O quadro piorou, apareceram tumores no pescoço e no estômago, ele subiu para uma unidade de terapia intensiva, apresentou uma pneumonia entrou em coma e esse internamento entre apartamento e UTI não durou mais do que 15 dias… meu irmão não está mais conosco…

Meu Deus, como eu acho que tudo podia ser diferente… se ele tivesse confiado na família…se nós tivéssemos mudado ele de hospital… de médicos… se… se… se… se… são tantos “se”.

Não sei há quanto tempo ele possuía o vírus, nem a doença, nem há quanto tempo ele tinha conhecimento de tudo, meu irmão foi levado desse mundo aos 29 anos de idade, formou-se em medicina aos 25 anos.

Ás vezes me pergunto porque foi tudo assim tão de repente… e só encontro consegui encontrar uma resposta:

Nós viemos para o mundo com o objetivo de cumprir uma missão, não tenho o dom de saber se meu irmão cumpriu a dele…, mas me conforto agradecendo a Deus por poupar o sofrimento dele“,

Se nós pudéssemos escolher entre:

1)Tê-lo vivo, mesmo que infeliz ou inválido; e

2)Não tê-lo mais conosco, para poupá-lo de sofrer;

Não tenham a menor dúvida de que nosso egoísmo é tão grande que não nos deixaria ver o lado dele, mas o nosso de tê-lo sempre presente, mesmo que num hospital ou numa cadeira de rodas, mesmo sem poder comer ou fazer suas necessidades fisiológicas…

Porém nossa vontade jamais prevalecerá sobre a vontade de Deus, o nosso criador.

É um fato muito triste, mas nós devemos tirar de tudo uma lição de vida, e a mensagem que eu quero enviar agora para todos os portadores do HIV e da AIDS é que o silêncio dói mais do que a verdade… e que todos possam assumir o que tem, sem se envergonhar, ou se privar de buscar mais um dia de vida…

Sabe Cláudio, você disse que “…não trabalha pois ninguém aceitaria um empregado que faltasse uma vez por mês…” e eu deixo uma pergunta na Internet:

“QUE HOSPITAL OU CLÍNICA ACEITARIA UM MÉDICO AIDÉTICO*****? QUE MULHER PROCURARIA OU ACEITARIA FAZER SEU PRÉ- NATAL E SEU PARTO COM UM MÉDICO AIDÉTICO*****?”

Quando me faço esse questionamento, entendo um pouco o meu irmão, pois ele não queria viver sem fazer exatamente o que escolheu para ele, ele lutou e batalhou para conseguir o diploma, a residência, o emprego… se todos soubessem o que ele tinha, consequentemente perderia o emprego, ou se não o perdesse, não teria mas pacientes…

Todos meus irmãos e eu sempre lutamos muito, porque fomos criados com o sacrifício da minha mãe professora, e do meu pai funcionário público.

Apesar das escolas públicas por onde passamos, não perdemos a vontade de continuar estudando e todos quatro passaram e concluíram o curso escolhido.

É difícil tornar público o que meu irmão optou por não revelar, mas eu sinto uma necessidade muito grande de ajudar as pessoas portadoras do HIV e da AIDS, como não pude fazer para o meu irmão, embora continue sem saber como (gostaria que alguém se comunicasse comigo para me orientar).

Nesse momento só gostaria de dizer para as pessoas portadoras do HIV e da AIDS, que omitir a realidade não ajuda, que embora possam encontrar resistência da aceitação de algumas pessoas, encontrarão também outras que lhes darão Amor, Apoio, Carinho numa proporção infinitamente maior à resistência encontrada.

Monica – 27 anos.

Nota da Soropositivo: A palavra “aidético” foi mantida apenas e tão somente porque reflete um modo de pensar popular. Entretanto, cabe um esclarecimento: “Falar, ou escrever, que alguém é aidético significa dizer que esta pessoa é a própria doença, que tem uma nova identidade relacionada ao HIV. Destitui-se o cidadão de seus direitos individuais, passando a ser visto como uma pessoa com a morte anunciada. Sendo uma sigla da língua inglesa (Acquired Immune Deficiency Syndrome), não se justifica a derivação em palavra da língua portuguesa. Além disso, o termo denota a intenção subjetiva de estigmatizar as pessoas que vivem com HIV. (…)” (Extraído do Boletim da Rede Nacional de Direitos Humanos em HIV/AIDS) COMO SE REFERIR A NÓS? Quando quiser se referir a nós, que vivemos com HIV/AIDS, você pode dizer SOROPOSITIVO, PORTADOR DO VÍRUS DA AIDS, PORTADOR DO HIV, PESSOA VIVENDO COM HIV/AIDS, ou, então, DOENTES DE AIDS, nos casos em que isto já ocorreu.

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