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A ética da adoção

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São cerca de 30 mil crianças órfãs como decorrência da AIDS materna no país. Este é o número acumulado, por estimativa, entre 1987 e 1999. Antecipando-se a essa avaliação, organizações civis, religiosas ou não, vêm dedicando sua atenção às crianças nascidas no contexto da AIDS a partir da percepção dos atores sociais que já vinham respondendo aos desafios emergentes impostos pela epidemia. Casas de Apoio, lares substitutivos, apadrinhamento, assessoria jurídica, ações que garantissem a permanência na escola, a defesa da adoção como um direito fundamental e a manutenção de irmãos consangüíneos no mesmo núcleo familiar foram algumas das garantias que estas organizações ofereceram às crianças que nasceram de pais atingidos pelo HIV.

Não era raro que desde aí houvesse um registro de crianças infectadas superior aos dados oficiais, contribuindo, inclusive, para que se aprimorassem os instrumentos de notificação de casos, se ampliássemos serviços especializados de assistência e de capacitação de pessoal, se concretizassem parcerias entre governo e sociedade organizada.

A clínica pediátrica foi surpreendida por uma nova cena que exigiu de seus profissionais profundas transformações subjetivas e modificações na estrutura de seu trabalho. Diagnosticar uma criança infectada pelo HIV passou a ser uma tarefa de amplas repercussões conjugais, familiares e sociais, onde freqüentemente a atenção à criança passava a ocupar um lugar secundário numa cena dominada por crises, conflitos, exclusões.

A negação como resposta esteve significativamente presente entre profissionais e clínicas universitárias. Os primeiros pediatras a sustentar crianças HIV+ em suas clínicas o fizeram como um desafio a ser enfrentado com um grande investimento pessoal e desgastes no local de trabalho. Foram mesmo heróis no sentido mítico da palavras, situados entre Deus e os homens, e somente em finais da década de 90 tiveram ó devido reconhecimento pela contribuição que simultaneamente deram para os avanços no conhecimento da epidemia.

As pessoas que por militância se deram ao trabalho com a AIDS infantil, logo se depararam com momentos freqüentemente trágicos e somente uma sensibilidade e garra especial lhes permitiu construir instituições de efetiva competência social. Uma característica dominante no ativismo dessas pessoas foi a insistência em garantir os direitos da criança equacionando toda a dramaticidade própria do cenário familiar, social e cultural onde a AIDS chegou. Os relatos neste Boletim são uma forma de divulgar o saber que vem sendo produzido dinâmica e criativamente pelos atores sociais da delicada cena infantil da epidemia. São pequenos relatos, mas seguramente refletem a magnitude de ações que sustentam e dão sentido à existência da humanidade em tempos de AIDS.

Tive a oportunidade de estar próximos a um dos casos relatados neste Boletim. A cena inesquecível se repete, impõe – se como o inapreensível do real: é da mãe em recuperação de uma toxoplasmose cerebral e que escolhe os futuros pais de seus três filhos. Quer mostrar plenitude de consciência em seu ato, recusa-se a recebê-los no leito hospitalar e vai à sala de recepção. A condição primordial é manter os três juntos. Ao escolher ritualiza um emocionante encontro de intimidade e parentesco inominável. Ritualiza uma resposta impossível. “O que são para mim esses seres desconhecidos e agora pais de meus filhos?” A adoção adquire aqui o status de salvação de uma impotência absoluta e tem, portanto, uma dimensão ética para os pais que se ausentarão do convívio com seus filhos.

Neste espírito, tem sido impossível aceitar a testagem compulsória para fins de adoção, prática comum e que tem a conivência de detentores de poder. A substituição do sentimento maternal pelo indicador laboratorial não pode encontrar respaldo em nenhuma área do conhecimento humano no instituto da adoção. É isto que aprendemos com os colaboradores deste Boletim de Direitos Humanos: a adoção é solidariedade em ato, é uma construção necessária da cultura a respeito do destino dos que nela nascem. Ao estar comprometida com o destino, a adoção comporta as crianças e aqueles que amorosamente dão conta dos riscos e imprevisibilidades constitutivos da vida.

Raldo Bonifácio
Coordenador Adjunto, – CN DST/AIDS

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