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Editorial publicado em Agosto de 2000

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Bem vindo

Dia primeiro de dezembro de 2000 se “comemora” o dia mundial de luta contra a AIDS.
As emissoras de TV não falarão em outra coisa; idem as emissoras de rádio e os jornais. Depois, o assunto cai, novamente, no esquecimento.
Cantamos, neste dia, muitas vitórias. Tvemos mesmo, com a participação ativa das comunidades e das Organizações não Governamenais, muitas vitórias:
Há mais remédios; os exames são mais precisos; as pesquisas em torno de vacinas já progrediram muito.
O portador de HIV vive mais e com uma qualidade de vida maior…


Sou obrigado a não concordar com a qualidade de vida maior.
Qualidade de vida de vida não é só estar bem de saúde, a custa de remédios.
Qualidade de vida é acordar de manhã e enfrentar um ônibus, metro ou trem e chegar ao trabalho, executar uma função, sair para o almoço com os amigos e voltar para mais umas cinco horas de luta e, com isso, planejar o futuro.
Qualidade de vida é não precisar esconder a doença por medo de ser discriminado, é não precisar se esconder como um criminoso só porque porta um vírus.
Qualidade de vida é poder sonhar com um futuro melhor, com uma casa própria, com casamento, vida familiar.
E a base de tudo isso esta no direito ao trabalho, aliado ao direito à saúde e a igualdade.
Nossa vida não pode permanecer resumida a caixas de remédios e exames de laboratório.
Nossa vida não pode ser vivida em órbita da doença ou da condição soropositiva.
O perfil do portador de HIV mudou; e mudou para melhor.
Já não morremos com tanta freqüência. Já não somos internados tantas vezes, já não desenvolvemos a doença e, em verdade, estamos fortes e saudáveis, aptos ao trabalho e a vida social.


Houve um erro no inicio da epidemia:
Ela foi atribuída a um grupo específico de pessoas, cuja conduta a sociedade tem por habito reprovar sem conhecer. 


Criaram – se expressões como peste gay, câncer gay, grupos de risco. Todas erradas, mentirosas, discriminadoras. Todas estigmatizadoras. E ninguém desfaz este erro. Todos agem como se nada tivesse ocorrido.


A AIDS não é privilégio de uns poucos. O HIV é bem pouco seletivo na hora de “escolher” seu hospedeiro.
Brancos, negros, índios, heterossexuais, mulheres, crianças, homossexuais, bissexuais, qualquer um.
Qualquer um pode contrair HIV e, se não se tratar, desenvolver AIDS.
Mas a grande maioria, quando descobre, entra em tratamento, recupera a saúde e tem condições de conduzir uma vida normal, como a de qualquer pessoa.
Mas isso nos é negado. Se um empregador descobre que tem um portador de HIV em seu quadro de funcionários, demite – o, sob qualquer pretexto, para se livrar de problemas futuros, que são apenas teóricos.

 Isso porque o empregador não quer correr o risco de encarar sozinho todo o ônus da eventual doença:
Internações, licenças, ausências para controle, etc.
Tudo isso faz com que o portador de HIV seja considerado um funcionário, um trabalhador pouco atraente.
É preciso mudar isso, gerando estímulos fiscais a quem emprega o soropositivo.


Desempregados, somos um ônus social. Ficamos dependendo do assistencialismo publico, quase sempre precário, de nossas famílias, quase sempre de baixa renda, e nossa vida perde em qualidade e expectativa.
Empregados, cuidamos melhor de nossa saúde, consumimos mais, pagamos impostos e vivemos felizes, produtivos e independentes.


A relação empregador/empregado_soropositivo/governo precisa mudar.
Não adianta criar um sem numero de leis que proíbam o empregador de demitir o soropositivo; ha leis e leis que proíbem um sem numero de coisas e elas continuam acontecendo, mesmo proibidas. Ou uma lei que proíbe o trafico de drogas acabou com o trafico?
Ao contrário, ao invés de simplesmente “proteger” o portador de HIV, através de dispositivos legais, louváveis é claro, que punam a empresa e/ou pessoa que incorram no crime de discriminação, é preciso estimular o empregador a manter, através de beneficio fiscais, como ja disse, e pela criação de um banco de horas, o portador de HIV saudável e apto ao trabalho em seu posto usual.

Feiras de artesanato, insisto, não resolvem nada. Nem todas as pessoas tem a habilidade manual para isso ou se interessam por tal oficio. E toda pessoa tem o direito de exercer a sua profissão, que aprendeu a desenvolver com méritos próprios e esforço, muitas vezes, diuturno. A condição sorológica não desfaz estes méritos. A maneira como o individuo “pegou” o vírus também não deve entrar na questão, pois não muda para melhor ou pior a qualidade do profissional em questão. Deve, sempre, permanecer a condição de ser humano, digno de respeito, não de dó, acima de qualquer coisa.


Enquanto isso, a sociedade precisa ser conscientizada, pelos meios de comunicação, sobre a segurança do convívio com o portador de HIV.


A imprensa em geral deve isso à população, no seu mister de informar e esclarecer.
As campanhas de esclarecimento devem ser boladas por quem entenda do assunto, por quem viva o assunto e por quem conheça a fundo o assunto.


A visão social da AIDS é equivocada. NÃO morremos como moscas. E não transmitimos a doença pelo ar, por aperto de mão ou contato social.
A relação sexual precisa ser protegida; mas não é para evitar apenas AIDS. É para evitar sífilis, gonorréia, hepatite, condiloma acuminado e uma miríade de DST´s que são tão ou mais perigosas que a infecção por HIV. E mais, evita a gravidez indesejada ou, pior, a gravidez adolescente.
Um adendo feito a este editorial pelo próprio autor do editorial: Desde 2014/2015 aproximadamente, sabe-se (científicamente provado e recomprovado exaustivas vezes ) que a pessoa portadora de HIV ou doente de AIDS que esteja e tratamento antirretroviral há pelo menos seis meses com a carga viral indetectável não transmite o HIV. Além disso a profilaxia pós exposição e (PEP) e Profilaxia Pré Exposição (PrEP). E, embora ainda não tenha chegado com a devida intensidade há algo cujo acrônimo no Inglês é TasP (Treatment as Prevention – Tratamento como Prevenção em tradução livre

Esta visão social sobre a AIDs precisa ser acertada, corrigida. E só os meios de comunicação de massa, em parceria com as Organizações não Governamentais e o Governo tem condições de reparar este dano causado por eles mesmos e pela comunidade científica, num momento em que muito pouca luz havia sobre o problema.
Você considera que a população esta devidamente esclarecida? Clique Aqui.
Acha que eu estou exagerando? Que o preconceito não é tão grande assim? Clique Aqui e depois, Clique Aqui
Acredita que ninguém se arrisca mais? Clique Aqui
Sente – se segura porque vive uma “relação estável”? Clique Aqui e chegará a conclusão que não está tão segura assim.
Depois procure na seção depoimentos pessoais as histórias de mulheres que contraíram o vírus de seus maridos e que abrem seus corações aqui, no afã de que isso não se repita…
A AIDS é um problema de todos, sem distinção possível de gênero ou “modo de vida”. MAs já não é a sentença de morte ou a “vingança de de Deus”(…).

E  é possível mudar estas coisas com conscientização e esclarecimento, informação e boa vontade.
Temos uma excelente cobertura, no que tange a tratamentos, medicação e exames; pelo menos por enquanto. Mas isso, por si só, não nos basta. Se podemos viver (e este é um direito natural de cada pessoa) com saúde, podemos muito bem trabalhar para o nosso próprio sustento e o de nossas famílias (somos pais e mães de família), sem que sejamos discriminados por nossa condição sorológica.

De todos os sintomas da AIDS o pior deles ainda continua sendo, depois e 20 anos, num mundo em que a maioria tem TV e acesso a Internet, o preconceito.
Urge que isso mude, e mude para melhor.
Cláudio, e toda a equipe da soropositivo home page
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