, Agência de Notícias da Aids Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano: 01/JANEIRO/08Retrospectiva 2007: encontro em Salvador aponta falta de políticas públicas de prevenção para mulheres deficientes e lésbicas 31/12/2007 – 12h50No decorrer do ano de 2007, a Agência Aids publicou as principais notícias relacionadas ao tema HIV/Aids destacando o trabalho de ativistas, gestores públicos, jornalistas, médicos, especialistas e também cobrindo os principais eventos e acontecimentos nacionais e internacionais. A seguir, uma matéria publicada no dia 5 de agosto durante a cobertura do II Encontro Nacional do Movimento Nacional de Cidadãs PositHIVas, ocorrido em Salvador, Bahia.Faltam políticas públicas específicas para mulheres com deficiências e para mulheres lésbicas.A crítica, que na realidade é um toque para chamar atenção, foi amplamente discutida na manhã deste domingo no II Encontro Nacional do Movimento Nacional de Cidadãs PositHIVas que acontece até segunda-feira, em Salvador.As duas mulheres que fizeram parte da mesa que discutiu vulnerabilidade em grupos específicos de mulheres, chamaram atenção para o fato do poder público não ter ainda desenvolvido ações voltadas para estes grupos da população que vive no Brasil.Primeira a falar, Cida Lemos, do Rio de Janeiro, contou que como tinha um namoro “estável”, deixou o uso do preservativo para lá. Dois anos após o fim do relacionamento, vieram os primeiros sintomas, e foram necessários 12 meses de perambulação por clínicas e hospitais para descobrir a causa das freqüentes doenças. “Como eu era diretora de escola, os médicos achavam que eu estava fora do grupo de risco e nunca pensaram em pedir o exame de HIV. Para mim, foi uma grande surpresa, jamais pensei que algum dia pudesse estar infectada”, desabafou. Um ano mais tarde, em decorrência do citomegalus vírus, Cida perdeu a visão. Ela é uma das organizadoras do I Seminário Nacional de Deficiência e Aids, que será realizado em outubro, no Rio, para observar os tipos de deficiência que a Aids tem causado nas pessoas.” A deficiência nos limita para algumas coisas, mas nunca para sermos felizes”. As pessoas não tem o hábito de conviver com deficiência, elas tem que abrir espaço e aprender. Quando vou a algum restaurante e o garçom pergunta para meu acompanhante o que eu quero comer, imediatamente eu digo, amigo, eu sou cega não surda, pergunte para mim”.Rosangêla Castro, também do Rio de Janeiro, convidou as mulheres a sempre “ocuparem espaço nos conselhos de seus estados”. Explicou que o termo “lésbica” vem em homenagem a poetisa grega Safo, que no ano de 640 AC foi deportada para a ilha de Lesbos porque fazia poemas para outras mulheres . Que o termo ”entendida” surgiu na década de 80, também para identificar lésbicas como sendo mulheres que entendem de mulheres, quebrando os termos pejorativos que até hoje ainda são usados. Pontuou que a invisibilidade das lésbicas começa pelo preconceito que existe na família e se estende ao longo da vida, em outros espaços sociais. Fez uma animada oficina de sexo seguro entre mulheres com um kit contendo cortador de unha, camisinha sem lubrificação utilizada para sexo oral e cobrou mais atenção do poder público para as mulheres lésbicas que precisam de um olhar mais respeitoso e acolhedor dos profissionais de saúde.Roseli Tardelli, de SalvadorA Agência Aids cobriu o evento com o apoio do Programa Nacional de DST/Aids

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