Drogas em troca de sexo

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08/07/2010

Maconha, cocaína e crack se alastram pelas zonas de prostituição, que se tornaram pontos de consumo e venda

Ana Paula Leitão, especial para o Jornal de Brasília

Ilegais, as drogas se alastraram pelo submundo do meretrício. A zona acabou se tornando ponto de consumo e venda de drogas diversas como maconha, cocaína e crack. Muitas mulheres, homens e travestis, já dependentes das substâncias, oferecem os corpos como moedas de troca para conseguir as drogas.

No passado era muito diferente, explica Marcela, nome fictício da dona de um bar em Itatinga, bairro de Campinas (SP) conhecido por ser a maior zona de prostituição do País. A mulher, de 48 anos, conhece o bairro há mais de 40 e conta que, antes, as prostitutas se vestiam de longo enquanto, hoje, ficam nas ruas quase sem roupa. “Eu mesma trabalhei em casa que menina minha não andava de roupinha curtinha de jeito nenhum. Era saia no pé, salto alto, unhas e cabelos perfeitos, era chique. Não tinha aquela coisa totalmente depravada igual está hoje, que as meninas ficam na rua do jeito que quer ficar”.

Marcela teve uma casa de prostituição em Itatinga há cerca de dez anos. Hoje, ela conta que não tem mais coragem de “tocar” um empreendimento no local porque aumentou o número de prostitutas e clientes que consomem drogas. “A maior parte delas é envolvida com drogas, então é difícil, a zona está perigosa. Dono de casa não ganha mais dinheiro com a zona não, ele sobrevive”.

Traumatizada, Marcela saiu de Itatinga após ver a morte do próprio marido na zona. Segundo ela, o companheiro teria sido assassinado por não aceitar a venda de drogas no local. “Eu perdi meu marido na boate que eu tinha, mataram ele, com 33 anos. Se eu não tivesse saído de lá, eu tinha morrido também porque a molecada de rua manda mais que o dono da casa. Como você vai trabalhar com um negócio assim? Você fica entre a cruz e a espada, entre o bandido e a polícia”.

DOENÇAS PELO SEXO

João, nome fictício de outro dono de bar, tem 53 anos e também saiu de Itatinga por causa do tráfico de drogas. Em 15 anos de zona, teve três bares e duas casas de prostituição. Segundo ele, outro grande problema no local são as doenças sexualmente transmissíveis. “Eu mesmo conheço menina bonita ali, a coisa mais linda, tudo com AIDS. Elas não querem CAMISINHA para transar com homem não, elas falam: ‘O freguês vai fazer o que ele quer. Eu já estou fudida mesmo. Todo mundo vai se lascar também'”.

A TRAVESTI Jaina Melissa, de 20 anos, está na prostituição em Itatinga há um ano. Paraense, ela decidiu deixar a família para ganhar a vida como prostituta e conta que muitos clientes insistem em fazer o programa sem CAMISINHA. “Eles fazem propostas: bota 50, 80, 100 e até 200 reais para fazer sem CAMISINHA. Muitas vezes, ele te testa também. Igual ontem, um me testou a noite inteira. Eu fazendo programa com ele no motel e ele pedindo: ‘Faz sem CAMISINHA, eu não tenho nada, sou casado, eu mostro meu exame”.

Apesar do melhor pagamento, a TRAVESTI, que todos os meses envia algum dinheiro para a mãe que vive no Maranhão, garante que nunca fez programa sem usar PRESERVATIVO, porque tem medo de contrair doenças sexualmente transmissíveis. “Eu não tenho nada, mas é melhor me prevenir do que depois aparecer alguma coisa. Eu não vou saber de quem eu peguei porque eu transo com você sem CAMISINHA, vou e transo com outro, vou transando, vou transando, e quando dou fé, estou cheio de doenças”.

No entanto, Melissa admite que muitas companheiras de profissão não se cuidam e acabam sofrendo mais tarde. “Eu conheço algumas que não estão nem aí. Só que tem de ser o principal do programa, nem oral e nem anal pode ser sem CAMISINHA. Essa é a regra”.

Parceria na prevenção a doenças

“Sei que a vida levou por diversos caminhos. Por sobrevivência e amor, você vende carinhos. Não se arrisque nem um instante, não vá se esquecer: a sua saúde é importante, cuide bem de você. Você é profissional do amor, profissional do prazer, por isso tome cuidado, com cliente ou namorado, você tem que se proteger”. Este é um trecho da música do cantor Reginaldo Rossi, que foi parte da campanha Sem Vergonha Mulher, Você tem P ro f i s s ã o , lançada pelo Programa Nacional de DST e AIDS, do Ministério da Saúde, em 2002. A primeira parceria do Ministério com a Rede Brasileira de Prostitutas aconteceu há 20 anos. Atualmente, o órgão distribui camisinhas, gel lubrificante e anticoncepcional para todos os municípios brasileiros.

Apesar das ações, a assessora da unidade de prevenção do Programa Nacional de DST e AIDS, Juny Kraiczyk, aponta que a AIDS é uma doença mais comum entre prostitutas devido à pobreza, à falta de acesso aos serviços de saúde e à dificuldade em falar do assunto. “O exercício profissional delas as torna totalmente vulneráveis por causa da estigmatização que ela sofre, da dificuldade de falar sobre o assunto”.

A assessora de prevenção explica que outro problema é a dificuldade de prostitutas infectadas pelo vírus da AIDS procurarem o serviço de saúde. “A outra questão é que, se ela trabalha em um lugar onde o fato de ser SOROPOSITIVO precisa ser velado para não estigmatizá-la ainda mais, como ela vai cuidar de sua saúde, buscar seus remédios, se ela não pode falar sobre isso no seu trabalho?”, questiona.

Juny questiona ainda o porquê de não existirem políticas públicas voltadas ao público masculino, para buscar a conscientização de tantos clientes que até hoje insistem em não querer usar o PRESERVATIVO. “Todo mundo pensa na prostituta, pensa no que ela fez, por que ela fez, se ela foi violentada. Ninguém olha para esse homem que vai usar o trabalho dela. Quem é esse homem? Geralmente, quem coloca o PRESERVATIVO é o homem, porque é mais comum a utilização do PRESERVATIVO masculino em nosso País. Porque que esse homem é sempre poupado da crítica?”.

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