Amar também necessita de zelo

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sem-amor-o-coracao-naum-respiraDe mistério a doença crônica. Da morte à qualidade de vida. O médico infectologista Érico Arruda orienta a conviver – bem – com a doença

No campo de batalha desde o início da década de 1990, quando a AIDS era apenas guerra (e não convivência), o médico Érico Arruda alcançou o outro lado da fronteira. Atravessou a fase de “doença terminal”, viu a dor: “Nesse começo, minha experiência foi cuidar das pessoas que iam morrer”. A última década aperfeiçoou o conhecimento hoje e alicerçou um futuro. “Hoje, tenho o que oferecer, o discurso de perspectiva. É um grande desafio e isso nos obriga a ter uma visão mais ampla da vida humana. A AIDS me ensinou muito”. Nesta entrevista, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia desmitifica a doença e ilumina caminhos. E, sim, é possível também sonhar não só com um novo amor, mas com uma família inteira. Plena. Apesar do HIV. (Ana Mary C.Cavalcante)

O POVO – Entre tantos tabus, é possível vivenciar o amor, plenamente, na AIDS?

Érico Arruda – Não tenho a menor dúvida. Há um fator a mais a ser controlado, superado. Mas não é um impedimento. Tenho vários exemplos de pessoas que construíram esse relacionamento e o com profundidade; não é na superficialidade de uma transa de momento.

OP – Qual a principal orientação que o senhor daria aos casais soropositivos e aos casais sorodiscordantes?

Érico – Do ponto de vista do controle da doença é fundamental que tenham sexo com segurança. Significa dizer o uso do PRESERVATIVO em todas as relações sexuais. Da perspectiva da reprodução, há técnicas que envolvem um nível de tecnologia e custo muito elevado. O mundo foi atrás de uma alternativa: a relação sexual desprotegida. Durante 30 anos, fomos acumulando conhecimento que é possível garantir uma reprodução entre casais soroconcordantes ou sorodiscordantes mesmo permitindo relações sexuais desprotegidas. Mas isso tratado no caráter da excepcionalidade e com conceito do direito da pessoa.

OP – E acompanhamento médico, responsabilidade…

Érico – Claro. Com todo um planejamento familiar. É preciso verificar qual a condição do infectado, a carga viral precisa estar negativa, precisa estar tomando ANTI-RETROVIRAIS há, pelo menos, seis meses… É preciso que se procure descobrir o ciclo ovulatório da parceira para que não haja muito tempo de relações desprotegidas. Enfim, uma série de detalhes para garantir que haja sucesso e segurança para o casal e a criança.

OP – E se a CAMISINHA rompe, qual o risco para o parceiro não infectado?

Érico – Tem muitos fatores envolvidos: se há outra doença sexualmente transmissível, ou sangramento (a mulher menstruada aumenta a chance de transmissão para o marido). Se o parceiro infectado não estiver em tratamento (tem altos níveis de vírus no sangue e, provavelmente, no sêmen ou nas secreções vaginais). E o ato sexual em si. Um coito anal é a forma de maior risco de transmissão do HIV. A de um sexo oral é a de menor chance de transmissão.

OP – E se os dois forem soropositivos, é necessário usar PRESERVATIVO?

Érico – Há uma possibilidade de as pessoas não terem a mesma quantidade de vírus. Isso poderia fazer com que houvesse uma tranferência de problemas de um para outro. O maior problema de uma relação sexual entre duas pessoas soropositivas é a possibilidade de transmitirem outra doença sexualmente transmissível que poderia acelerar o problema do HIV. Por isso, a gente sempre recomenda que use PRESERVATIVO.

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