Prevenção e Redução de Danos com o Apoio da Associação AIDES

Prevenção e Redução de Danos com o Apoio da Associação AIDES

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Como a prevenção do HIV e das hepatites só pode ser feita a partir de uma abordagem diversificada, a Associação AIDES desenvolve suas ações de prevenção através de vários suportes e em diferentes campos. Informar sobre os modos de transmissão, distribuir os meios para reduzir os riscos (preservativos, seringas estéreis…) e permitir que as pessoas dialoguem sem serem julgadas: estes princípios são a base de nossos procedimentos em matéria de prevenção, sendo que cada procedimento é adaptado às especificidades de cada público.

 

Além da escuta, dos conselhos e do material oferecidos pelas estruturas de acolhimento da Associação, a AIDES garante sua presença em campo, junto das pessoas mais expostas à transmissão do HIV. Nossos militantes vão ao encontro dos jovens em meios festivos, se deslocam para os espaços frequentados por homossexuais, comércios frequentados por migrantes, ruas frequentadas pelos usuários de droga e estabelecimentos penitenciários.

Redução de Danos (RDR)

 

Quando buscam se informar ou se cuidar, as pessoas mais expostas ao HIV e às hepatites (homossexuais, migrantes, usuários de droga…) se deparam, por vezes, com preconceitos e discursos moralistas. Como é difícil falar de suas práticas nestas condições e como todos devem ter acesso à prevenção, a AIDES escolheu aplicar a Redução de Danos (RDR), abordagem não discriminatória baseada na confiança e na confidencialidade.

Nossos militantes apresentam todas as possibilidades capazes de reduzir os riscos e proteger a saúde. Ser capaz de perceber os riscos que cada prática sexual comporta, conhecer a nocividade dos diferentes produtos psicoativos, saber desinfetar uma seringa usada… Com a RDR, a pessoa está mais preparada para decidir sobre suas práticas e passa a ser responsável por suas decisões. Não é mais necessário provar o grande êxito da RDR, o índice de infecções pelo HIV entre os usuários de droga por via intravenosa caiu de forma extraordinária nas regiões onde foi aplicada.

Teste Rápido de HIV oferecido à comunidade

 

O teste de detecção do HIV pode ser feito em centros especializados, em consultórios médicos ou em laboratórios, mas, na França, estima-se que aproximadamente 30 000 pessoas estão contaminadas por este vírus sem ter consciência disso. Como nem todas as pessoas têm acesso ao circuito de prevenção clássica, a AIDES decidiu desenvolver uma nova forma de detecção: o Teste Rápido de HIV, também chamado “Teste sem Intervenção Médica” e “Teste Rápido de Orientação para um Diagnóstico” (TROD).

Após anos de pesquisa e de prática experimental, nossos militantes estão oficialmente habilitados para praticar este Teste Rápido de HIV (decreto de 10 de novembro de 2010)! Nos locais da associação, em nossos ônibus equipados, nos comércios de migrantes, nos espaços frequentados por homossexuais ou onde a ação se justifique, nossos militantes podem aplicar este teste a partir de agora. A coleta de sangue é feita na ponta do dedo, é indolor e permite obter, em poucos minutos, um primeiro resultado da sorologia para o HIV. Em caso de resultado positivo, a pessoa é encaminhada para uma estrutura médica, lá ela fará um teste de confirmação e será acompanhada durante todo o processo. Há mesmo um site na internet (http://depistage.aides.org) para saber onde os militantes da AIDES fazem o Teste Rápido de HIV.

Comércios identitários e locais de encontro

Ter acesso aos comércios identitários e aos locais de encontro: o que há de mais eficaz para estabelecer um primeiro contato com aqueles que não estão acostumados com os locais associativos? Nas lojas e nos salões de beleza dos migrantes, nas boates e nos bares frequentados por público homossexual, nos festivais e nas praias, nossos militantes oferecem informações, material de prevenção e abertura para diálogo.

Perfil – Há dois anos, Geoffray investiu nas ações “migrantes” da AIDES, em Marselha. Uma vez por semana, ele vai a oito ou dez estabelecimentos comerciais africanos e caribenhos do Bairro de Nouailles, bairro da cidade que tem a maior concentração de espaços sociais frequentados por migrantes. Às vezes acompanhado por outro militante, ele se encontra com donos de estabelecimentos e clientes para propor um diálogo sobre o HIV, as hepatites e outras doenças sexualmente transmissíveis, além de distribuir documentos e material de prevenção.

“Eu vou aos salões de beleza e cabelereiros, padarias, restaurantes e pequenos comércios frequentados pelos migrantes. Eu me apresento ao dono do estabelecimento e aos clientes, apresento a AIDES e explico o papel da associação. A primeira ideia é propor um diálogo sobre o HIV, distribuir documentos, preservativos masculinos e femininos, gel lubrificante…  Fazem muito sucesso as fotonovelas que relatam a história de pessoas afetadas pelo HIV, informando sobre os modos de transmissão e mostrando cenas de discriminação.

Os temas abordados variam em função da atualidade e das prioridades locais. Nós lembramos às pessoas sobre a importância do teste, da comunicação entre o casal, nós os convidamos a assinar as petições da AIDES e a se mobilizar quando uma medida política ameaça sua condição de vida e sua saúde. Geralmente, o debate toma corpo rapidamente e as pessoas aproveitam para fazer perguntas. Nós fazemos o levantamento das expectativas e das necessidades das pessoas, abordamos as problemáticas ligadas ao indivíduo soropositivo e tentamos fazer evoluir as representações. Esta troca de informações é um momento primordial. Ela permite que as pessoas sejam capazes de fazer escolhas favoráveis para a saúde sexual.”

Estabelecimentos penitenciários

 

Um terço das pessoas que vão para a prisão são usuárias de produtos psicoativos. Com um número de soropositivos três a quatro vezes mais elevado e um número de portadores do vírus da hepatite C quatro a cinco vezes mais alto do que em ambientes externos, o meio carcerário concentra riscos de contaminação extremamente elevados. Além das ações de prevenção junto dos detentos e das ações de sensibilização dos agentes penitenciários, a AIDES luta há anos para a implantação de programas de troca de seringas dentro das prisões.

Perfil – Carmem investiu nas ações “prisão” da AIDES, em um Centro de Acolhimento e Acompanhamento para a Redução de Danos entre os Usuários de Drogas (CAARUD), na costa mediterrânea da França. Toda quarta-feira, ela vai à casa de detenção de Nîmes para conversar com os detentos sobre os modos de transmissão do HIV, as hepatites e outras doenças sexualmente transmissíveis, além dos diferentes métodos que possibilitam reduzir estes riscos.

“Quarta de manhã, eu me encontro no ´bairro dos recém-chegados’ com os detentos que acabaram de chegar. Eu me apresento, apresento a Associação AIDES e comunico nossos horários de permanência. Em seguida, damos início a um diálogo e os detentos são convidados a fazer perguntas. Tudo o que diz respeito à saúde pode ser abordado.

À tarde, permaneço na Unidade de Consultas e Cuidados Ambulatoriais desta casa de detenção. Recebo as pessoas portadoras do vírus HIV e do vírus da hepatite, mas também os usuários de drogas em terapia de substituição. Escolhemos o escritório mais distante dos locais de passagem, no fundo de um corredor, para que os detentos venham nos encontrar em absoluta confidencialidade.

Essas trocas podem ser longas durante o encontro do grupo “Hepatites”, que ocorre uma vez por mês, permitindo que as pessoas envolvidas compartilhem suas experiências. Ainda há muito trabalho a ser feito no que diz respeito à Redução de Danos ligados ao uso de drogas. Trabalho com outros militantes da AIDES e com médicos de várias Unidades de Consultas e Cuidados Ambulatoriais para que a distribuição de material de injeção estéril seja autorizada nas prisões. Enquanto aguardo, eu planejo sessões de sensibilização dos agentes penitenciários sobre as especificidades do HIV e das hepatites”.

Original em http://www.aides.org/actions_de_Aides/prevention