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Sobre o dia Primeiro de Dezembro

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Sobre o dia Primeiro de Dezembro, como bem me ensinou o Paulo Giacomini não é um dia de comemoração; na verdade, é um dia de luta.

Mas eu ouso discordar que o dia 1º de dezembro seja um dia de luta contra a AIDS e o preconceito. Eu chego a pensar que, partindo deste conceito, todos os dias deveriam ser 1º de Dezembro.

As pessoas, de um modo geral, dizem que não discriminam os portadores de HIV e, contudo, discriminam sim.

Para que eu chegue a afirmar tal coisa, basta eu me fazer réu confesso e dizer que, vinte anos atrás, quando a morte por conta das complicações que a AIDS trazia era uma coisa irreversível, eu retirei meu fundo de garantia num processo doloroso, porque os funcionários sabiam que o código do saque de garantia era, digamos, xx-.

O olhar da funcionária da CEF mostrava o desprezo que ela tinha por mim, um ser humano, doente, praticamente nas vascas da morte,

Retirei o dinheiro, algo em torno de R$ 500,00 e comprei um computador; ainda me lembro o modelo:

Era um 486 SX66

Tinha quatro megabytes de RAM, um teclado e não tinha mouse. O dinheiro não deu para comprar o mouse e eu usava um monitor CGA de fósforo branco e minha visão era em preto e branco.

Fou com ele que eu, num assomo de coragem, comecei a estudar “a coisa” e compreender como ela era montada. Fiz isso com a máquina dezenas de vezes até me considerar um “técnico em Hardware”,

E foi assim, com esta concepção, que eu comecei a trabalhar na Bytão, uma empresa que trabalhava com descontinuados (sucata) e minha vida era subir na pinha de placas, separar umas vinte e pô-las para testar. Eu tinha uma meta mínima de conseguir recuperar (sic) pelo menos 5 máquinas por dia; eu até dava conta porque, um dia pelo outro, no fim do mês eu tinha recuperado e posto para funcionar umas 25 ou até mesmo 30 máquinas.

Como sempre foi, e ainda é, na Santa Efigênia você faz a experiência de três meses sem registro e, depois deste “controle” eles te registravam no regime de contrato de experiência…

Quando dei minha carteira de trabalho ela foi encaminhada para o contador no da x e no mesmo dia, ela foi devolvida sem registro e eu fui convidado a me retirar da empresa que, finalmente, deixou de existir.

Fui para casa, que  esta altura, depois de eu ter ido morar nas ruas outras vez, porque era preferível isso às casas de apoio (pelo menos para mim, que me recuso a ter casa e comida para esperar a morte chegar), e morava em Guarulhos, num lugar chamado Jardim Maria Dirce, quase que nas imediações de Arujá.

A minha vida, naquela época, enquanto eu estava trabalhando, era pegar o ônibus na Dutra e ir a pé da estação armênia, no ponto final do ônibus, mas não o meu, que tinha de ir a pé ai da armênia até a Santa Efigênia. À tarde, na volta, eu fazia a caminhada a pé até a armênia e pegava o primeiro ônibus ou lotação, clandestina ou não, para, depois de 90 minutos, chegar ao meu ponto e andar mais um quilômetro até chegar à minha casa; na época. Eu morava com uma pessoa. Minha _esposa_, uma pessoa não muito equilibrada que me perguntava todos os dias se eu teria estado com puta…

Quando perdi este emprego, no dia seguinte eu voltei para procurar emprego, porque fui mandado embora por justa causa (e eu não sabia, na época, me defender) e acabei entrando na Americam Comp, onde trabalhei três meses e, na hora do registro: CABUM.

Depois disso eu desisti e fui, com minha ex esposa para a terra dela em Piracicaba e os fatos se repetiram.

Mas, nesta vez, eu fui contatado por uma funcionária da Caixa que me contou com todas as letras que os empregadores tinham acesso as informações que deveriam ser sigilosas, e levantavam toda a “folha corrida do funcionário em questão”. Neste caso, eu, Cláudio Souza.

Fiquei em Piracicaba um tempo, pois não queria que minha esposa da época (eu tive três ou quatro casamentos e nem o Diabo acreditaria se eu dissesse com quantas mulheres eu me envolvi na vida (…)…

Pior de tudo é que dá maioria delas eu não me lembro e, entretanto, me lembro muito bem daquelas que, colando o cazuza, pelas quais eu largaria carreira, dinheiro e canudo! Até das coisas mais banais, pois para mim, com estas teria sido tudo ou nunca mais! Curiosamente, foram estas que me disseram que foi “coisa de momento”.

Há bem pouco tempo, eu passei num processo seletivo na Contax, para trabalhar com telemarketing (tudo para aliviar das costas de minha esposa (a primeira que eu tive e nunca traí E a primeira coma qual eu vivi mais de três anos – estamos juntos há 14 anos!); pois bem, passei por todos os testes e iria trabalhar na menina dos olhos deles, seria na TAM reservas.

Passei nos exames pré admissionais, que foram muito simples, uma avaliação física básica e uma audiometria. Passei em todos e recebi um papel com alguns dados, deveres e direitos que eu tinha e fui para casa, virtualmente feliz. Passados 15 dias eu fui até lá para saber o que acontecia e, dois minutos depois da moça encontrar minha ficha, apareceu uma outra querendo fofocar e a moça que estava me atendendo foi ríspida com a colega.

sem comentários.
sem comentários.

Ai chegou o supervisor, pegou meus papéis, levou-me ao RH d empesa, solicitou minha pasta e disse que a vaga que eu teria de ocupar foi fechada e que eles entrariam em contato assim que precisassem de mim. Sai de lá pronto para subir até a estação do metro e, quando eu fui fazer o ato, jogar-me debaixo do trem uma moça parou na minha frente de braços abertos e disse:

Se você for, terá de me levar junto!

Obviamente eu não faria isso e ela acompanhou-me no metro até o ponto de taxi para se assegurar que nada aconteceria. Não sei seu nome, não sei nada, mas sei que ela salvou minha vida.

O que tem em comum esta história com o 1º de Dezembro?

Tudo.

Anos atrás um deputado federal propôs colocar a nós, soropositivos, dentro da lei que obriga as empresas com mais de cem funcionários terem X% de funcionários deficientes em determinados processos de admissão.

Todavia, o movimento organizado das ONGs que militam pelos direitos dos soropositivos, equivocadamente, refutaram a proposta, pois isso aumentaria o estigma.

Com base no que vocês vêem aqui não seria melhor que a lei X nos amparasse e nos colocassem na mesma lei que protege os deficientes fisicos e sensoriais seria uma boa idéia?

Eu acho que sim!

E você, o que acha?

O Link para assinar a petição está aqui: Petição

Estou em vias de Fundar uma ONG que visa recolocar pessoas soropositivos (as)e pessoas com AIDS no mercado de trabalho. Se você mora na capital, são paulo, e estiver disposto(a) a participar disso preencha o formulário abaixo e eu entrarei em contato:

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E Você? O Que Acha

Muitas Pessoas, os “sorointerrogativos” olham com desdém para as pessoas com HIV.

Um amigo meu (ex-amigo que levou uma chave…), no passado, ciente de minha condição, referiu-se a outra pessoa, supostamente infectada por HIV da seguinte maneira:

-“Este é outro que está bichado”.

Até hoje eu não entendo os porquês de eu não tê-lo socado até fazer dele um pastel de burro, sei lá.

Como o assuto é sério e esclarecimentos cabem, eu coloco, antes, este vídeo:

Durante Décadas Foi Tabú! Pessoalmente sofri por isso. E Você, teria um relacionamento sorodivergente

Você é portador(a) de HIV? Se sim, conseguiu a aposentadoria ou o auxilio doença como manda a ei ou teve de lutar como um cão?

Precisa Conversar, comece pelos comentários, ou por aqui







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