Sou casado tive relações extraconjugais, fiz o exame, deu reagente, e agora

Temos, neste site, uma enquete que visa obter os percentuais de pessoas que fizeram o teste para HIV e qual o percentual deu reagente e qual o percentual que deu negativo e outras nuances da questão HIV/AIDS, exames, resultados e consequências .

A enquete era complexa e tinha mais de dez opções de respostas diferentes e me chamou à atenção que, apesar de apresentar um percentual baixo, mostra-se preocupante. A resposta é a seguinte:

Sou casado, tive relações extraconjugais, fiz o exame, deu positivo, acredito que contaminei minha esposa e agora não sei como agir!

 

deu reagente

“Taxi Girl”

Não saber como agir, neste caso, significa medo. Medo de perder a esposa, porque “deu positivo” é o pavor que a infecção por HIV tem de perder o apoio familiar, medo do preconceito, um pouco de culpa, a ideia de ter sido apanhado com “a boca na botija quando deu reagente” e, agora, ele pode ter contaminado a esposa e, com isso, atrais a fúria da família da esposa, seja ela “do lar” ou empreendedora ela será vista, por todos, como a grande vítima e. de fato, ela o é, porque não pode  sequer estabelecer um início de diálogo para manter o uso do preservativo sob o risco de levar um tapa ou até mesmo um murro na cara! Eu conheci uma pessoa, que trabalhou como revisora neste site, Amarílis, que teve a sapiência e a humildade de dizer ao “marido” (pulha):

-“Eu não sou boba e sei que home (…) trai. Eu só te peço que pense na AIDS e, ao se relacionar sexualmente com alguém, que use camisinha”.

Amarílis faleceu creio que há mais ou menos dez anos atrás, vítima de uma doença oportunista que foi decorrente da AIDS contraída pelo covarde imundo que, além de traí-la, embora com consentimento, não foi capaz de levar dignidade em si mesmo e, além de se destruir, um direito de todos o de se auto-destruir, penso eu, destruiu a saúde e. em consequência disso a vida de Amarílis. Isso é um fato real, Uma amiga pessoal de quem eu gostava muito, muito e muito….

É um medo natural. Eu passei por coisa similar, com a diferença que eu não era casado e tratava-se, no meu caso, de uma pessoa a quem eu amei muito e que terminou comigo por telefone dizendo-me disse coisas horríveis… Meu medo era sobre o que ela me diria por saber que eu poderia ter transmitido a doença a ela, o que não aconteceu, e eu me esquecia da hipótese bastante palpável que poderia ter sido ela a me contaminar, como, na verdade, não foi.

O cerne da questão neste caso não é o que pode acontecer depois da revelação funesta. É exatamente o oposto. É preciso dar à pessoa envolvida, a possibilidade de ter um diagnóstico rápido, para obter a melhor possibilidade de obter o tratamento mais rapidamente e, ainda, quem sabe, a possibilidade de fazer o PEP (Profilaxia Pós Exposição) (até 72 horas) para tentar evitar o “deu reagente também”.

É imprescindível que as pessoas se desencapsulem-se de suas egoísticas posições para dar lugar a um determinado senso de responsabilidade que permita, ao outro, a possibilidade de obter o melhor tratamento possível, no menor tempo possível, exatamente como está acontecendo com você agora; qualquer coisa que fuja a isso é irresponsabilidade a mais.

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Não entro no mérito da traição, pois este parece ser um esporte muito praticado neste século e no anterior também. De fato eu não sou um pseudo moralista e nem hipócrita para levantar esta bandeira.

A bandeira que eu levanto aqui é a da responsabilidade e da ética em face ao risco de o exame dar reagente.

Bem, faltou responsabilidade ao manter uma relação extraconjugal sem o uso do preservativo. O jeito, então, é fazer aparecer a responsabilidade na hora de cuidar da saúde do “outro”, mesmo que isso represente uma perda amorosa em sua vida, provocada por ninguém mais que você. E não é nem pela relação extraconjugal, é pelo descuido com sua própria saúde que parece estender-se à sua parceira… Vocês precisam abrir o jogo com elas.

Isso é ponto pacífico e não cabe discussão neste sentido.

É um erro grave deixar passar um dia que seja sem comunicar à outra pessoa a situação, beirando à completa irresponsabilidade.

A vocês que responderam à enquete com a resposta já mencionada eu só posso dizer que é tempo e hora de assumir seus erros e suportar as consequências com a devida resignação e comunicarética às pessoas envolvidas, a verdade, doa a quem doer, se eu tivesse uma religião, eu diria, dentre outras possibilidades que chega a ser anticristão tomar uma atitude como esta…

Mas eu nem sei se você é Cristão ou Satanista…

Às mulheres eu aconselharia dose dupla de cautela. Não espere o psicologo do CTA te dizer:

-“Deu reagente” 🙁