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A genética de lidar com o HIV

Genétoca

Resumo:

ChromosomesNós respondemos a infecções em duas formas fundamentais. Um delas é ‘resistência’, onde o corpo ataca o patógeno invasor e reduz os seus números. Outra, que é muito menos bem compreendida, é “tolerância”, onde o corpo tenta minimizar os danos causados pelo patógeno. Um estudo utilizando dados de um grande grupo suíço de indivíduos infectados pelo HIV nos dá um vislumbre sobre o por quê de algumas pessoas lidam com HIV melhor do que os outras.

Os autores constatam que a tolerância varia consideravelmente entre os indivíduos, que é determinada, pelo menos em parte, por genes que se herda, e os genes que influenciam a tolerância do HIV são distintos daqueles que influenciam a resistência. A equipe, liderada por Roland Regoes na ETH Zurich, publica seu trabalho no dia 16 de setembro na revista de acesso aberto PLOS Biology.

O HIV oferece uma oportunidade única para desmembrar a maneira que o corpo humano lida com a doença. Após o evento inicial da infecção, o vírus passa a residir em uma população de glóbulos brancos chamados linfócitos T CD4 +. O número de vírus, alguns meses após a infecção, chamado de “carga viral set-point”, pode ser usado para medir a resistência – o quão bem uma pessoa está lutando contra o vírus. No entanto, a infecção pelo HIV também oferece uma medida imediata de tolerância – quanto mais lento você perder suas células T CD4 +,  melhor você está tolerando a infecção. Esta situação de convivência entre o ser humano e o vírus pode durar muitos anos, mas quando o número de células T CD4 + desce abaixo de um nível crítico (menos de 200 células por microlitro de sangue), o sistema imunitário fica comprometido e o portador de HIV torna-se um paciente com AIDS , com consequências potencialmente fatais, se não forem tratadas adequadamente.

A chave para o estudo é a existência do estudo de coorte Swiss HIV, iniciada em 1988, – o que proporcionou esta oportunidade aos autores, com mais de 3000 pessoas infectadas pelo HIV em quem se podia medir tanto o ponto de ajuste da carga viral e da taxa de CD4 + T  e a perda de células CD4. Estes dois valores poderiam ser utilizados para avaliar simultaneamente resistência e tolerância, e combinando-os com uma riqueza de dados demográficos e genéticos sobre os mesmos indivíduos, permitiu aos autores começar a explorar o funcionamento de tolerância.

A primeira pergunta que fizeram foi a idade e sobre sexo . Em média, eles descobriram, homens e mulheres toleravam igualmente bem o HIV, mas as pessoas mais velhas tinham uma menor tolerância, com a doença progredindo quase duas vezes mais rápido em um com 60 anos de idade,  em relação a um de 20 anos de idade.

Os autores, em seguida, olharam para fatores hereditários que influenciam a tolerância ao HIV. Eles observaram as diferenças genéticas que são conhecidas por estarem associadas com a resistência ao HIV e perguntou se estes também foram associados com tolerância. A resposta foi um esmagador “não”, confirmando a expectativa de que a resistência e tolerância são biologicamente fenômenos distintos.

No entanto, um gene que está envolvido na resistência também parece estar envolvido na tolerância. O gene de HLA-B, que codifica uma proteína envolvida no reconhecimento de patógenos pelo sistema imunitário, varia consideravelmente entre indivíduos. Embora algumas destas variantes sejam conhecidas por influenciar a resistência de uma pessoa ao HIV, os autores descobriram DNAque outras variantes do mesmo gene correlacionadas com a tolerância.

Portanto, este jogo-chave no sistema imunológico parece influenciar tanto a tolerância e resistência, mas de maneiras distintas.

Surpreendentemente, não parecia haver nada entre a tolerância e resistência – isso já era esperado de outros estudos, mas parecia que nesta coorte de portadores de HIV, tolerância e resistência podiam ser independentes ou caminharem lado a lado.

Os autores afirmam que “estes resultados adicionam à nossa compreensão de como os “anfitriões” toleraram infecções e poderia abrir novos caminhos para o tratamento de infecções.” A coisa mais  emocionante sobre a tolerância é que – ao contrário de resistência – é esperada de forma a ser “à prova de evolução.” Um dos problemas com a obtenção de resistência a um vírus, seja naturalmente ou com o uso de drogas é que é do interesse do vírus para desenvolver táticas evasivas que contornem o mecanismo de resistência. No entanto, a tolerância do vírus se encontra de modo que evolução viral do hospedeiro humano não deve ser um problema.

O trabalho descrito aqui representa um passo inicial em explorar o mecanismo de tolerância em seres humanos, e uma vez que entendamos como a tolerância funciona, poderíamos, então, estar em uma posição propícia a manipulá-la e ajudar as pessoas a viverem com HIV de forma mais confortável e por mais tempo.

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Tradução

Rodrigo S Pelegrine

Revisão: Cláudio Santos de Souza

Fonte da história:

A história acima é baseada em materiais fornecidos pela PLOS.

Jornal de referência:

  1. Roland R. Regoes, Paul J. McLaren, Manuel Battegay, Enos Bernasconi, Alexandra Calmy, Huldrych F. Gunthard, Matthias Hoffmann, Andri Rauch, Amalio Telenti, Jacques Fellay. Dissociar tolerância humana e Resistência contra o HIV. PLoS Biology, 2014; 12 (9): e1001951 DOI: 10.1371 / journal.pbio.1001951
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Sobre Claudio Souza do Soropositivo.Org (508 artigos)
😍😍😍😜💫☮Sim, este da foto sou eu ! Minha sobrinha pediu que eu pusesse esta foto m meu perfil !.... Eu tinha aqui uma descrição a meu respeito que, uma pessoa classificou como “irreverente”. Esta é, realmente, uma forma eufêmica de classificar o que estava aqui. Tudo o que sei é que uma “ONG”, que ocupa um prédio de 10 andares estabeleceu uma parceria comigo, e eu tenho os logs do tempo de parceria, que foi mais um vampirismo pois, para cada 150 pessoas que saiam do meu site, clicando no deles, havia, em média, um que entrava. QUANDO ENTRAVA E SE ENTRAVA
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