UNAIDS: podemos pôr fim ao VIH, mas apenas se tratarmos quase todas as pessoas

red ribbon O Joint United Nations Programme on HIV/AIDS, UNAIDS, lançou um ambicioso plano que pretende pôr fim à epidemia do VIH em 2030. Esta estratégia, que teve início neste verão, necessita que 90% das pessoas que vivem com o VIH sejam diagnosticadas, que 90% das pessoas diagnosticadas estejam sob tratamento (81% do total) e que 90% daquelas sob tratamento (72,9%) atinjam carga viral indetetável. A ONUSIDA afirma que sem um programa tão ambicioso, o número de pessoas a viver com VIH em todo o mundo irá crescer de forma inexorável, simplesmente porque mais pessoas já vivem com a infeção atualmente. Só com o tratamento a atingir níveis quase universais será possível suprimir a carga viral e tornar as pessoas não-infecciosas de uma forma que obtenha um efeito significativo para a saúde pública, argumenta a ONUSIDA.

Esta fornece evidências que indicam que este ambicioso objetivo é atingível. Alguns países, ricos e pobres, já se estão a aproximar deste nível de cobertura, desde o Ruanda, onde a incidência do VIH (a taxa de novas infeções) desceu para uma fração dos valores anteriores, à Austrália e Reino Unido, onde atualmente 62% de todas as pessoas a viver com VIH estão sob terapêutica antirretroviral e têm carga viral abaixo de 50 cópias/ml, de acordo com dois relatórios; 68% dos homens gay no Reino Unido conseguiram a supressão viral, um valor próximo do objetivo da ONUSIDA.

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Tal como demonstra o mais recente relatório da Public Health England (PHE), o fator que está a impedir que se consiga atingir o objetivo da ONUSIDA é o facto de ainda não existirem muitas pessoas em situação de maior vulnerabilidade à infeção a fazer o teste de rastreio, incluindo o rastreio regular. O grande problema no Reino Unido está nas pessoas heterossexuais de grupos com elevada prevalência, sobretudo pessoas negras, que continuam a fazer o rastreio menos vezes e que são diagnosticadas mais tardiamente que os homens gay, os trabalhadores do sexo, as pessoas que utilizam drogas injetáveis e outros grupos vulneráveis. O PHE nota que isto se deve em parte ao facto de as pessoas heterossexuais terem uma menor probabilidade de frequentar clínicas de saúde sexual que fazem rastreios à infeção pelo VIH: na realidade, admitem não existir forma de estabelecer quantos testes de rastreio fazem os profissionais de saúde de cuidados primários mais procurados pela população heterossexual e com que frequência.

Comentário: Este documento de campanha substituiu o habitual documento com uma visão geral da epidemia a nível global que a ONUSIDA costumava lançar no Dia Mundial da SIDA. Vem reforçar a ideia de que os objetivos à primeira vista impossíveis de alcançar podem ser conquistados em muitos locais. Contudo, também admite que apenas 60% do efeito necessário virá do tratamento generalizado e da supressão viral: o restante terá de vir da melhoria das medidas de prevenção. Admite também que em algumas partes do mundo, como a Rússia e a Europa de Leste, a probabilidade de se atingir este objetivo é reduzida – geralmente porque as pessoas que mais necessitam de tratamento para o VIH são aquelas que são mais discriminadas pelo sistema de saúde