SÍNDROME DO SOBREVIVENTE À AIDS-OU SÍNDROME DE LÁZARO)

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SEGUNDA-FEIRA, 02 DE FEVEREIRO DE 2015/ DAVID PHILLIPS
DAVID PHILLIPS DIZ: “CLINICAMENTE, ESTARÍAMOS SIMPLESMENTE BEM, MAS MENTALMENTE AINDA ESTÁVAMOS SENTINDO O ABALO DE TER RECEBIDO UMA SENTENÇA DE MORTE E RETOMAR A VIDA.”

 

black-holes-opener-615Parece-me que na maior parte da minha vida adulta eu tenho adiado, com firmeza, por longos períodos de tempo, as oportunidades e convites feitos a mim, somente para ser arrastado por uma força irresistível como uma matéria dentro de um buraco negro celestial.

E é justamente como eu me senti ao longo dos últimos quatro anos na lenta e regular perseguição de um degrau na saúde pública. Com certeza sou um “dinossauro do HIV”, mas isso somente faz pesquisar algo que tenha uma relação com o HIV se me sentir “tranquilo” ou “a rigor”, de acordo com a etiqueta. Todavia, evoluções recentes que intensificaram meu próprio interesse e frustração, me levaram a investigar o que está realmente sendo chamado de “Síndrome do Sobrevivente da AIDS.”

Digo “realmente” porque é bastante evidente de centenas de publicações acadêmicas e da minha própria memória que desde a introdução do AZT que temos visto experiências únicas e traumáticas afetando muitas pessoas que vivem com HIV desde essa época ou antes dela. Primeiramente, aprendemos que sofremos uma pesada estigmatização, quase devido a uma doença fatal. Então, disseram para nós que viveremos- de início, por mais alguns meses indefinidos, depois, por anos; e agora é essencialmente um “tempo integral”. Clinicamente, estaríamos simplesmente bem, mas mentalmente ainda sentimos o abalo de ter recebido uma sentença de morte e depois termos retomado a vida.

Quando Jesus disse isso, ele chorou em voz alta, “Lázaro, saia!” O homem morto saiu, suas mãos e pés amarrados com tiras de pano, e sua face envolta em um outro pano. Jesus lhes disse: “Desamarre-o, e deixe-o ir.” (João 11:43-44, Nova Versão Padrão Revisada da Bíblia)

Eu ainda posso ouvir a última leitura do Reverendo Larry Uhrig da Comunidade Eclesial Metropolitana de Washington (EUA), durante sua luta contra o HIV, em uma outra tradução da história que antes incluiu as palavras : “Senhor, ele já está cheirando mal, pois está morto há quatro dias.”

Depois do aparecimento de enzimas que anulam proteínas e peptídeos (fundamentais contra a reprodução do vírus HIV*), este fenômeno se tornou mais evidente, até para a grande mídia elazaro-venha-para-fora sociedade em geral. O termo “Síndrome de Lázaro” – “Lazarussyndromeclique nesse link para mais informaçõesfoi empregado, como se sugerisse ainda outro diagnóstico; contudo, parece que esse pequeno esforço foi feito mais para encontrar um tratamento, e menos para uma cura. Muitos retomaram a vitalidade, retornaram às suas relações e carreiras, enquanto outros lutaram sob desafios físicos, mentais e econômicos de deficiência contínua. Praticamente, todos mudamos psicologicamente, quando não ficamos apavorados. Os recursos para apoio psicossocial começaram a evaporar, embora os relatos de mortes por HIV tenham diminuído, e para muitos a atração pelas metanfetaminas não estavam muito lá atrás.

Hoje, com a sobrevivência de parceiros e tendo sobrevivido aos iniciais regimes bárbaros dos antirretrovirais e à destruição pelo abuso de substâncias, alguns antigos sobreviventes soropositivos estão voltando suas atenções aos ferimentos de um velho e repetido trauma que não teve cura, apesar da eliminação das cargas virais e da incrível recuperação dos índices CD4.

Tez Anderson e seus co-conspiradores na região de São Francisco (EUA) levantaram a bandeira do LetsKickASS (AIDSSurvivorSyndrome) – (algo como “vamos arrebentar (Síndrome do Sobrevivente da AIDS)”, em tradução livre) em uma época de excitantes evoluções, considerando o tratamento e a prevenção ao HIV, para afirmar que nós não estamos completamente curados das perdas e sofrimentos físicos ao longo dessas três décadas, e que continuamos a sofrer com fardos específicos de saúde mental, que pode ser compartilhado com pessoas HIV negativas que presenciaram lá atrás os números de mortos e doentes pelo HIV. Outros como eu estão trazendo a mesma mensagem para nossas comunidades locais, desafiando os antigos sobreviventes soropositivos, particularmente os homens gays e bissexuais, para relatar e organizar suas próprias curas, enquanto convidam organizações de apoio para explorar como podem nos ajudar a “arrebentar”.

Eu também estou explorando esse assunto com uma variedade de pesquisadores, inclundo-se uma psicóloga local que se vê entre pacientes antigos sobreviventes do HIV com desproporcionais casos de depressão que não respondem a medicação, aliados a sintomas de estresse pós traumático. Ela quer pesquisar sobre um tratamento para essas pessoas utilizando vitoriosas terapias adotadas para PTSD (sigla médica inglesa para Distúrbio de Estresse Pós Traumático, em tradução livre). Estou auxiliando-a neste caso através da coleta de narrativas pessoais e de pesquisas mais antigas – é difícil para um estranho às questões de saúde mental imaginar que haveria resistência! – assim como lidar com um diagnóstico atendido pelo esquema do HAART – Terapia Antirretroviral de Alta Eficácia- (e até um diagnóstico dos nossos dias atuais) ou ver dezenas e dezenas de amigos sofrerem e morrerem por infecções do HIV, como um acontecimento traumático inicial.

E mulheres heterossexuais que não vivem com HIV podem “arrebentar”, também!!

Tradução: Márcio Catanho – Bacharel em Letras/ tradutor e revisor.

Contatos: mrcatanho@hotmail.com. 085- 88797627.

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