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Mais uma parte do quebra-cabeças da crescente ligação entre o HIV e a doença cardiovascular é desvendada!

Doença Cardiovascular e TAE (tecido adiposo epicárdico) em pacientes soropositivos

Circulatory SystemO coração é um grande músculo que ajuda a mover sangue ao redor do corpo. Apesar de sua importante ação de bombeamento, o coração não é simplesmente um músculo; cerca de 20 % deste órgão consiste de uma camada gordurosa chamado TAE (tecido adiposo epicárdico).  Esta camada funciona como uma fonte de energia para o coração, pois é rico em gordura saturada. Muitos tecidos adiposos podem liberar hormônios, denominados adipocinas, que afetam a saúde das artérias e de outras partes do sistema cardiovascular, e os pesquisadores acreditam que o TAE pode produzir tais hormônios.

Afetando a saúde do coração

Em estudos com pacientes HIV-negativos, os pesquisadores encontraram evidência de inflamação no TAE em pacientes com doença arterial coronariana. Além disso, nessas pessoas, o TAE continha células do sistema imunológico, como os macrófagos e as células T. O TAE em pessoas obesas produz sinais químicos que produzem inflamação em outras células.

Os pesquisadores não sabem, precisamente, como o TAE desempenha um papel na doença cardíaca, mas suspeitam que o excesso do TAE pode afetar o funcionamento da musculatura cardíaca eum incremento na inflamação nos vasos sanguíneos do coração.

TAE e outras partes do organismo humano

Os pesquisadores fizeram a seguinte as descobertas sobre TAE.

O volume de TAE está relacionado com a gordura que se deposita no fundo do abdômen (gordura visceral) e, muitas vezes, se deposita em torno de órgãos vitais abdominais, como o fígado…

O excesso de TAE tem sido associado, também, aos níveis anormais de açúcar no sangue e a uma diminuição da sensibilidade periférica à insulina, ambos precursores do diabetes e espessamento das artérias.

As perturbações da atividade elétrica do coração também têm sido associadas ao excesso de TAE.

Dado o interesse ao TAE e à doença cardiovascular em pacientes HIV-negativos, os pesquisadores voltaram-se ao estudo do TAE em pacientes soropositivos.

Com repetidas tomografias computadorizadas de alta resolução do tórax, uma equipa de pesquisas em Módena, na Itália, foram medidas as alterações do TAE ao longo de um período de 18 meses, em mais de 200 pacientes soropositivos voluntários que estavam em uso de TARV (Terapia Antirretroviral).

Durante o estudo, os pesquisadores também mediram o nível de cálcio que era depositado nas artérias. O cálcio, o que vem das células mortas e detritos celulares que se acumulam ao longo dos vasos por causa da inflamação, formam depósitos pegajosos chamados “placas”.

Os pesquisadores italianos descobriram que, em geral, os homens tendiam a ter incrementos maiores de TAE em relação às mulheres. O aumento do volume de TAE foi associado ao aumento dos depósitos de cálcio nas artérias. Os pesquisadores acreditam que parte da razão para o excesso de TAE e depósitos de cálcio em alguns participantes podem ser devido à estimulação anormal do sistema imunológico pela infecção crônica por HIV.

Detalhes do estudo

HIV - Text on Red Puzzles.

Os pesquisadores recrutaram 240 participantes entre Janeiro de 2005 e Junho de 2011. Todos eram adultos e em terapia antirretroviral durante os 18 meses anteriores. Nenhum deles teve um ataque cardíaco, acidente vascular cerebral ou doença vascular periférica e, por outro lado, nenhum deles tinha passado por cirurgia cardiovascular eletiva ou de urgência.

Ao entrar no estudo, o “perfil médio” dos participantes era o seguinte:

  • 68% Dos homens, 32% das mulheres
  • Idade – 47 anos
  • Contagem de linfócitos T CD4+ < 500 células
  • Carga viral inferior a 40 cópias/ml (indetectável)
  • 50% Não realizaram exercícios físicos
  • 40% Apresentaram pressão arterial maior do que o normal
  • O IMC (índice de massa corporal) e uma avaliação relativa de gordura corporal foram considerados como “dentro de uma faixa considerada ***saudável***”.
  • Duas tomografias foram realizadas com uma média de 18 meses entre elas.

E a partir destas informações obteve-se os níveis de TAE e depósitos de cálcio nas artérias.

Resultados

Os homens geralmente tinham quantidades significativamente maiores de TAE (88 mm3) do que as mulheres (61 mm3). Além disso, aumento do volume de TAE estavam literalmente ligados ao sexo masculino.

Durante o estudo, a proporção de participantes cujo volume de TAE aumentou foi de 64 %.  O TAE volume manteve-se estável ou diminuiu entre os demais participantes.

O aumento dos depósitos de cálcio nas artérias coronárias ocorreu entre 10% dos participantes, a maioria dos quais eram homens. Os participantes que tinham depósitos de cálcio maiores na artéria coronária foram mais propensos a terem um aumento do volume do seu TAE durante o estudo.

O sistema imunológico  e doenças cardiovasculares

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As infecções por vírus e outros microrganismos ativam o sistema imunológico e liberam sinais químicos que incitam a inflamação. Esta é uma resposta normal e geralmente ajuda a alertar às células do sistema imunológico sobre uma infecção. Ela também ajuda a alterar o metabolismo e afeta o comportamento de muitos órgãos e aparelhos de um modo que é útil no combate às infecções, clique aqui para saber mais. No entanto, após a infecção ter sido posta sob controle, o sistema imune geralmente é capaz de retornar ao seu estado normal, bem como os níveis de ativação imunológica e inflamatórios. Por conta de o sistema imunológico (e suas células) ser distribuído por todo o corpo, um sistema imunológico constantemente ativado afeta o funcionamento de muitos outros órgãos e sistemas, incluindo o coração e os vasos sanguíneos.

Infecção pelo HIV faz com que o sistema imunológico permaneça ativado. Esta ativação é bastante reduzida quando as pessoas soropositivas em TARV, mas porque a TARV não cura a infecção por HIV, o sistema imunológico continua a ser ativado. Assim, estudos têm revelado que as pessoas soropositivas estão em risco aumentado para doenças cardiovasculares. Ainda não se sabe exatamente como o HIV aumenta o risco para doenças cardiovasculares, mas muitas equipes estão investigando as possíveis razões para este risco elevado.

Na análise dos seus registros médicos e na extração e análise de dados, os pesquisadores italianos encontraram uma associação entre o aumento das células CD4+ detectada após os participantes começaram a receber TARV (terapia antirretroviral) a um aumento no volume do TAE. Isso não significa que o incremento de células CD4+ causou o crescimento do Tecido Adiposo Epicárdico. Em vez disso, os pesquisadores suspeitam que algumas das células CD4+ foram ativadas e que essas células ativadas causaram inflamação no TAE. Infelizmente, a equipe de pesquisa não realizou subestudos imunológicos detalhados necessários para avaliar se as células CD4+ realmente foram ativadas.

Os achados da Itália são mais uma peça do quebra-cabeças da crescente ligação entre o HIV e a doença cardiovascular. Além disso, eles ressaltam a importância de se investigar depósitos de cálcio nas artérias e variações no volume do Tecido Adiposo Epicárdico.

Estudos em pacientes HIV-negativos e pessoas obesas têm demonstrado que mudanças significativas na dieta podem reduzir os níveis de TAE.

Estudos em pacientes soropositivos são necessários para descobrir se diminuir o volume de TAE pode ser feito com dieta, exercício e outras tentativas para reduzir a inflamação no curto prazo. Acompanhamento a longo prazo é necessário para avaliar se essas intervenções resultam em melhoria da saúde entre as pessoas soropositivas.

Claudio Souza

Este é o responsável pela tradução e adaptação ao Português do Brasil

Nota do Editor de Soropositivo Web Site: Deixando de lado os problemas, a questão da infecção contínua do organismo (lembro me de uma médica que me explicou que minha propensão a geração de “trombos” e o consequente risco constante de embolias pulmonares (eu tive duas em dez anos) deve-se, em parte, a uma condição genética, que ele acredita existir baseada no histórico médico e minha desaparecida mãe (que eu não vejo ha pelo menos 15 anos). O fato é que, se você já comeu espetinho de coração de frango, você já viu, sim, o TAE, Tecido Adiposo Epicárdico, e sabe bem do que eles estão falando (aquela “gordurinha”que fica no alto do coraçãozinho do frango); entretanto, é necessário observar a Sabedoria e a Bondade de Deus, a Inteligência Suprema, a Causa das Causas e é justo que eu registre meu embevecimento com a Misericórdia de Nosso Pai Eterno… Nem de longe eu quero catequizar ou evangelizar, eu não professo nenhuma religião e dispenso templos de pedra como locais de _adoração a Deus_; Meu trabalho é minha oração e, dentro da medida de Justiça Divina, eu posso ousar dizer que, agora, depois de quase quinze anos de dedicação a este site, estou, como eu dizia, com um débito menor diante de meu Pai Celestial. Quanto mais eu leio, traduzo e publico, mais eu me encanto com deus e seus desígnios imperscrutáveis…. Nada mais a dizer!

Resources

CATIE’s fact sheet on HIV and cardiovascular disease

—Sean R. Hosein

REFERENCES:

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Nasir K, Rubin J, Blaha MJ, et al. Interplay of coronary artery calcification and traditional risk factors for the prediction of all-cause mortality in asymptomatic individuals. Circulation: Cardiovascular Imaging. 2012; in press.
Zona S, Raggi P, Bagni P, et al. Parallel increase of subclinical atherosclerosis and epidcardial adipose tissue in patients with HIV. American Heart Journal. 2012;163:1024-1030.
Libby P, Ridker PM, Hansson GK. Progress and challenges in translating the biology of atherosclerosis. Nature. 2011;473:317-325.
Triant VA. HIV infection and coronary heart disease: an intersection of epidemics. Journal of Infectious Diseases. 2012;205(supplement 3):S3550-S361.
Lo J and Plutzky J. The biology of atherosclerosis: general paradigms and distinct pathogenic mechanisms among HIV-infected patients. Journal of Infectious Diseases. 2012;205(supplement 3):S368-S374.
Hsue PY, Deeks SG and Hunt PW. Immunological basis of cardiovascular disease in HIV-infected adults. Journal of Infectious Diseases. 2012;205(supplement 3):S375-S382.

Esta informação foi fornecida pela CATIE (Canadá Intercâmbio de informações sobre tratamento da AIDS). Para obter mais informações, entre em contato com CATIE, 1.800.263.1638 ou por Catie. O crédito deve constar de qualquer publicação on-line, com um link de volta para o original.

A tradução para o português do Brasil pode ser utilizada sem a autorização prévia e, entretanto, fica a pessoa ou instituição que faz uso desta versão a obrigatoriedade de todas os créditos, incluindo todo o texto sublinhado.

Tradução adaptação e revisão do original em Inglês Canadense para o Português do Brasil (it does not exist Brasil with “z” and “BraZil” is an idiomatic aberration created for persons which only God knows why they do this…) do original em Cardiovascular disease and EAT in HIV-positive people por Claudio Souza.

Se você tem bom conhecimento do idioma inglês e dispor de tempo, avalie minha tradução e envie seus comentários para este endereço de email

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Sobre Claudio Santos (508 artigos)
Depois de passar quatro décadas tentando estabelecer pelo menos um armistício com meu pai e ver as falhas ocorrerem sistematicamente, tentativa após tentativa, eu desisti do sobrenome “de Souza”. Estava me preparando espiritualmente para isso quando uma amiga locupletou a façanha de descobrir onde está minha mãe... Cláudio Santos. Quem preferir, aluda-se a mim como o Cláudio do Site,ou Cláudio do Soropositivo.Org, ou ainda aquele da promessa não cumprida: Cláudio, o trouxa do livro que acreditou em "palavra emprenhada". Eu mostro meu rosto, embora alguns me censurem, porque, no meu modesto ponto de vista, ser portador de HIV não é crime e, portanto, não há do que me envergonhar. Eu contraí HIV pela via sexual. Eu fui um DJ e, durante cinco anos fui DJ no vagão Plaza e durante uns outros dois fui DJ do Le Masque. Lá, um filho da puta me pediu para fazer minhas férias e puxou meu tapete. Aí fui parar na "Segredos", uma casa gay e, de quebra, morei lá por um tempo. Rua da Amargura, onde R.A. Gomes me colocou. Mas dei a volta por cima e fu trabalhar na SKY. Depois, na Pink Panther, em Santos e, enfim, na XEQUE Mate e, terminei minha carreira, aquele que fora três vezes considerado o Melhor DJ de São Paulo, como um apagado DJ do La Concorde e do Clube de Paris, onde conheci uma das mais belas mulheres com quem convivi e a perdi. Conheci alguém novo, uma mulher, "do dia", que me apresentou esta Entidade, o computador e, por muito tempo vivi de consertá-los. Sei, hoje, que ainda há muita gente que me odeia. Quer saber? Get them the hell and fuck off porque eu não dou a mínima. Simplesmente faço meu trabalho e me reporto a Deus... E pra quem não acredita em resiliência, eis meu histórico médico De acordo com o que preceitua o Código de Ética Médica, nos termos da legislação vigente e de conformidade com o pedido formulado pelo interessado, declaro que o Sr Cláudio Santos de Souza, matrícula no serviço sob registro RG3256664J, está em acompanhamento regular com seguintes diagnósticos/CID-10 até o presente momento: #HIV/Aids diagnóstico em 11/1996 (B24) #Candidíase oral 1996 (B20.4) #lnfecção latente tuberculosa tratada com Isoniazida em 1997 (Z20.1) #Arritmia cardíaca: bloqueio parcial ramo D/bradicardia sinusal por antidepressivos tricíclicos em 2006 (I49.9/R00.1) #Depressão (F32) Dislipidemia (E78.5) Diabetes (E14.) Obesidade (E66.) #PO tardio de gastroplastia redutora (técnica Capella 10/2011) #Embolia Pulmonar (126.) em 2011 + hipertensão pulmonar #HAS (110) controlada após cirurgia bariátrica Catarata (H26.9) #Sífilis (A51.0) gonorréia (A54.0), herpes genital (A60) Litíase vesicular (K80.5) #Trombose venosa profunda/tromboflebite MMII de repetição (182.9): 2008, 2009 e 2010 #lntervenção cirúrgica em 21/01/2013: de herniorrafia incisional abdominal, apendicectomia, colecistectomia #Herpes zoster ramo oftálmico 04/2015 (B02) 2 # Neuropatia periférica em membros superiores e inferiores (G62.9), acarretando fraqueza muscular, parestesias e dor, medicado e em seguimento pela equipe de dor #Angioma cavernoso cerebelar - em seguimento com neurologia Tratamento: TDF+3TC+ATVr, ezetimibe, alopurinol, AAS, atorvastatina, enoxaparina, clomipramina, risperidona, zolpidem, clorpromazina, flunitrazepam, gabapentina, amitriptilina, metadona Últimos exames: CD4=1070 (28%)/CD8=1597 rel=0,67 (08/03/2015) e Carga viral- HIV(PCR)

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