Necessidades básicas desatendidas podem estar relacionadas à baixas taxas de supressão viral durável entre transexuais do sexo feminino com HIV

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P, Blog Soropositivo. Orgessoas trans, do sexo feminino, vivendo com HIV, são menos propensas a ter uma excelente aderência ao tratamento antirretroviral (TARV) e uma supressão duradoura da carga viral, em comparação com outros grupos, relataram os pesquisadores na edição online da Health LGBT. O estudo também revelou que muitas mulheres transexuais que vivem com o HIV estão lutando com as necessidades básicas da vida, incluindo comida e habitação.

O estudo envolveu pessoas que receberam atendimento de HIV nos Estados Unidos.

“As mulheres transexuais em cuidados para HIV foram socio-economicamente mais marginalizadas do que os “não transexuais” do sexo masculino e feminino; um maior percentual de mulheres transexuais tinha renda mais baixa, eram sem-teto e não tinham seguro de saúde, informam os autores do estudo.

Mulheres transexuais convivem com um alto risco de contrair o HIV. Nos EUA, prevalência do HIV entre as mulheres trans é elevada a 28% e, globalmente, estima-se, cerca de um quinto das mulheres transexuais vivem com HIV.

Há preocupações que as mulheres transexuais são menos propensas a se envolver com cuidados contra o HIV por causa do estigma e da discriminação. Poucos estudos têm explorado essa questão, todavia a pesquisa que foi conduzida descobriu que as mulheres trans tinham taxas semelhantes de retenção nos cuidados, absorção de TARV e supressão viral em comparação com outros grupos.

Pesquisadores do nos Centers for Disease Control and Prevention (CDC) queriam estudar mais as características e necessidades das mulheres transexuais vivem com o HIV, desta vez usando dados de base populacional.

Portanto, eles examinaram as informações obtidas através do projeto de monitoria médico-ambulatorial – um levantamento anual transversal de indivíduos acessando cuidados do HIV – entre 2009 e 2011. Eles compararam as características e necessidades das mulheres transexuais transgêneros não homens e mulheres.

Aproximadamente 5700 pessoas participaram no estudo e 1.3 identificado como transgênero.

Os resultados mostraram que muitas mulheres transexuais foram marginalizadas socialmente.

Mais de 80% das mulheres identificadas como “não-brancos” e que tinha um rendimento inferior a US20.000 por ano. Um quinto (vinte por cento), relatou falta de moradia e aproximadamente um terço não tinha seguro saúde. Mais de 30% relatou uso de drogas recreativas (sic).

, Blog Soropositivo. OrgNo entanto, as mulheres transgênero tinham altos níveis de utilização da TARV, com mais de 90% tendorecebido tratamento antirretroviral no ano anterior. Aproximadamente três quartos relataram 100% aderência nos três dias anteriores e perto de 70% tinha supressão viral (abaixo de 200 copias por mililitro cúbico de sangue [Nor do tradutor: Causa-me espanto a baixa eficácia dos testes de carga viral nos EEUU, haja isto que, no Brasil, só é considerada suprimida uma carga viral com menos de 40 cópias de RNA viral por mililitro de sangue] em seu mais recente teste, mas apenas 50% tinha supressão durável (carga viral indetectável em todos os testes no ano anterior).

Em comparação com as mulheres e homens não-transexuais, significativamente maiores proporções de mulheres transexuais tinham uma baixa renda, foram desabrigadas e não tinha seguro de saúde. Taxas de uso de drogas foram maiores entre mulheres transexuais quando comparado com as mulheres não-transexuais.

Taxas de absorção de TARV foram semelhantes entre as mulheres transexuais e Trangêneros não homens e mulheres. No entanto, as mulheres transexuais foram menos propensas a ter perfeita aderência ao tratamento (p 0,01) e durável supressão viral (carga viral indetectável) (p 0,01).

“Estes resultados sugerem a necessidade de investigar o que acontece com mulheres transexuais depois que é prescrita a TARV afim de entender melhor o que pode interferir com a aderência de medicação e supressão viral a longo prazo,” comentam os pesquisadores.

“Uma possibilidade é uma necessidade residual de serviços de apoio dado que as mulheres transexuais são mais propensos a serem marginalizadas socio-economicamente.”

Mulheres transexuais, de fato, tiveram taxa maior de acolhimento por serviços de apoio, incluindo gerenciamento de casos (71 vs. 61), suporte a aderência (28 contra 20), prevenção e aconselhamento (50 vs 39), serviços de saúde mental (46 versus 32) e serviços de violência doméstica (4 vs 2).

Significativamente maiores proporções de mulheres transexuais tinham necessidades desatendidas de comida (13 vs 7) e habitação (13 vs 7). {Nota do Editor. Em bom português elas passam fome e “moram andando”.}

“As disparidades notáveis na supressão viral durável e necessidades não satisfeitas por serviços básicos devem ser exploradas ainda mais,”, concluem os pesquisadores. “CDC irá monitorar o progresso com o objetivo de reduzir as disparidades de saúde entre pessoas transgêneros vivendo com o HIV.”

Por Michael Carter Publicado em: 3 de julho de 2015  Traduzido por Cláudio Souza a partir do original em Unmet basic needs may be related to poor rates of durable viral suppression among transgender women with HIV.

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Nota do editor:

Tenho mantido diversas conversas com Natasha Roxy que, aliás, anda meio desaparecida e, além de não dar o ar de sua graça, não escreve para a comunidade Trans e LGBT à qual ela é mais acessível e, naturalmente, pelo maior entendimento que ela possui sobre um tema onde eu seria como um cego tentando definir o azul do céu a outro cego…. Todavia, caiu-me no colo este texto e vi que há um “setor” ainda mais abandonado dentro do “segmento trans” que é o das pessoas trans do sexo feminino. E… convenhamos. Apesar das “conquistas”, é muito difícil ser mulher aqui no Brasil. Cantadas, assédio moral, assédio sexual, empregadores sem escrúpulos que anunciam que  precisam contratar funcionárias mas incluem a condição discricionária:”De boa aparência.”

Isso, para mim, já é fator revelador de terceiras intenções: Empregar mal, pagar menos, e tentar possuir sexualmente, por bem ou por mal. Se isso já é difícil para uma mulher dita “normal” como será que ficam as coisas quando você é negra, transexual e pobre. Some-se a isso uma sorologia positiva para o HIV e esta feita a merda. Porque, com o devido respeito que eu devo manifestar a respeito de profissionais de saúde como a Dra Sigrid Souza, responsável pela Infectologia numa Universidade cuja cidade me foge à memória, ou à “minha médica” Dra Naomi, que, em tempos que minha saúde estava mais delicada, desceu do salto, tirou o estetoscópio, pegou algodão, esparadrapo e gaze para fazer um curativo importante em meu abdômen, ou ainda, a enfermeira Camila, que, em determinada ocasião, dada a minha fragilidade temporária agiu, contra mais de 50 pessoas e me passou à frente na coleta de exames, e outras tantas, que eu não acabaria de escrever se fosse nomeá-las todas e descrever suas grandiosidades como profissionais e seres humanos, há muito pRoFiSsIoNaL de Saúde que tem preconceito e atende com preconceito, isso é muito verdadeiro e pobrezinhas destas moças, vivendo estas situações.

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E não foi dentro de uma “zona temporal de conforto”! Esta é uma história que só eu a tem para contar!

Fui a primeira pessoa física, um CPF, não um CNPJ a, entre aspas, “dar minha cara a tapa”!

Por tudo o que vivi, isso tudo aconteceu em um período ainda conturbado pelo preconceito e, sim, houve preços a serem pagos.

A moeda sempre foi a da exclusão social e cheguei a titubear entre prosseguir ou não!

O grande “IT” de tudo isso é que sem este trabalho nada me restaria, senão o  ócio e com toda a certeza não suportaria. Tenho a necessidade de ser produtivo.

We are Borg!

Se não de tédio pelas horas vazias, ao menos por suicídio pela absoluta falta de propósito que minha vida teria e a terrível impressão de parasitose que viria a me acometer. Assim, eu não pude parar.

Tive a oportunidade de realizar muitas coisas e, na outra mão, perdi diversas oportunidades de fazer mais, com um alcance mais profundo e melhor.

Nem tudo é como se quer. Deixa chover (Guilherme Arantes)!

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