HIV pode ser removido de seus esconderijos por droga anticâncer que pode ajudar na luta contra a AIDS

Droga anticâncer parece ter propriedades capazes de levar o HIV a mover-se para fora de seus esconderijos, fazendo o um “alvo fácil” para o sistema imunológico da pessoa soropositiva

virus expulso de seus esconderijos

vírus HIV expulso de seus esconderijos

A Terapia antirretroviral que ajuda a eliminar o RNA viral da corrente sanguínea, bem como de outros fluidos corporais não é capaz de alcança-lo em determinadas regiões do organismo humano.

Entretanto ele, o HIV, pode ser expulso de seus esconderijos com o uso de uma droga anticâncer, de acordo com informações de alguns pesquisadores.

A TARV evita a replicação do vírus nas células CD4 dentro do sistema imunológico e, todavia, não consegue alcançar êxito quando é preciso expulsar o vírus destes esconderijos onde permanece incólume; uma vez que se interrompa a medicação ele volta a atacar as células CD4 e reinicia o processo de destruição do sistema imunológico, sendo esta a grande barreira para se conseguir a cura do HIV.

Um estudo divulgado na publicação científica PLoS Pathogens indica que uma droga anticâncer é “altamente potente” na reativação do HIV ‘oculto’.

Especialistas afirmam que o achado é interessante e, contudo, ainda é importante saber se é seguro usar a droga em pacientes soropositivos para o HIV, posto que não se sabe quais são as potenciais interações medicamentosas entre estes compostos…

‘Chutar e matar’

Anticorpos específicos e amplamente neutralizantes massacrandoas cópias do HIV expilsas de seus esconderijos

Anticorpos específicos e amplamente neutralizantes massacrandoas cópias do HIV expulsas de seus esconderijos

Uma estratégia conhecida como ‘chutar e matar’ é considerada ‘chave’ para a cura do HIV – o chute desperta o vírus, faz com que ele saia de seus esconderijos, a TARV impede que eles reinfectem as células CD4 e permitem que os anticorpos específicos façam o trabalho de eliminá-lo do organismo

A equipe na Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, em Davis, pesquisou o PEP005 – um dos ingredientes no tratamento para prevenir câncer – em uma pele que sofreu danos pelo sol.

Os testes da droga anticâncer foi feito em células criadas em laboratório e em partes do sistema imunológico retiradas de treze pacientes portadores de HIV.

A conclusão foi de que o “PEP005 é altamente potente na reativação do HIV latente” e que o ingrediente representa “um novo grupo de composições importantes para combater o HIV”.

Um dos pesquisadores, o professor Satya Dandekar, considerou a descoberta um grande avanço.

“Estamos bastante empolgados com o fato de termos identificado um candidato acima de todos os padrões para a reativação e erradicação do HIV que já é aprovado e até utilizado por pacientes. Essa molécula tem um grande potencial de avanço em estudos clínicos tradicionais.”

Cartoon bacteria under a magnifying glassTodavia, o remédio ainda não foi testado em indivíduos HIV positivos.

Conforme informa a professora da Universidade de Melbourne, Sharon Lewin, que também participou da pesquisa, os resultados são um ‘avanço importante em novos elementos que podem ativar o HIV latente.”

“O estudo acrescenta outro tipo de remédio a ser testado para eliminar potencialmente as formas ‘sobreviventes’ do HIV, mas ainda é preciso muito trabalho para entender se isso realmente funciona em pacientes.” “Apesar de o PEP005 já ser aprovado pela FDA (órgão dos Estados Unidos que regulamenta a produção e a comercialização de remédios e alimentos no país), ainda será preciso um pouco de tempo para analisar se é seguro utilizá-lo em pacientes com HIV”, concluiu.

Talvez a cura da AIDS

Quem sabe não é este o caminho para a Cura da AIDS

Com informações de James Gallagher Repórter de ciência da BBC Brasil e reedição de Cláudio Souza.

Revisão Mara Macedo

Claudio-panamaNota do Editor de Soropositivo.Org: Uma amiga leu a matéria em “avant-premiére” e perguntou se isso, atrair todo o HIV para fora de seu esconderijo, não seria uma forma de debilitar o paciente e eu achei esta uma excelente questão; por outro lado, eu tenho uma questão pessoal a lançar sobre o assunto, e creio que pelo menos 15% das pessoas vivendo com HIV, que sofrem com neuropatia periférica, é se esta droga anticâncer seria (ou será?) capaz de remover o HIV infiltrado no sistema nervoso e quanto custaria este novo “insumo” medicamentoso dentro do orçamento de países que, como o Brasil, tem uma política de tratamento universal gratuito para todas as pessoas que vivem com HIV?