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Pessoas com AIDS parecem menos propensas ao suicídio do que os “meramente” soropositivos

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Um estudo Europeu recente apresentado no 14ª Conferência Internacional sobre a SIDA verificou que a taxa de suicídio entre as pessoas que vivem com HIV em British Columbia tinha caído 35 vezes desde 1996 e já estava próximo ao nível da população em geral. No entanto, um segundo estudo da Dinamarca encontrou taxas de uso de drogas psiquiátricas, principalmente pílulas para dormir e calmantes, cerca de duas ou três vezes maior entre as pessoas que vivem com HIV do que na população em geral, e houve um grande aumento no uso de antipsicóticos sete ou oito anos após o diagnóstico.

 As taxas de suicídio na Columbia Britânica 

Psicoses

Seria este um ícone do transtorno afetivo bi-polar

As taxas de depressão, ansiedade e o suicídio são maiores entre as pessoas que vivem com HIV comparadas às da população em geral. Mas uma pesquisa longitudinal de 5229 pessoas em tratamento antirretroviral (TARV) em British Columbia entre 1996 e 2012 verificou que a taxa de suicídio diminuiu de 961 suicídios por cada 100.000 pacientes por ano (uma taxa de cerca de 1% ao ano) para 28 por 100.000 habitantes (abaixo de 0,03%) – um índice quase trinta e cinco vezes inferior. Em 2011, o último ano completo de dados, havia na verdade mais não suicídios registrados no coorte de British Columbia. No total,  houve oitenta e duas pessoas (2%) mortas, durante o período de estudo.

A taxa de 28 por 100.000 habitantes ainda é 3 vezes maior do que na população em geral e, entretanto, a presença mais rara de suicídios torna-se ainda menor entre as pessoas que vivem com HIV, quanto maior se torna o intervalo de confiança em torno da taxa real, de modo que o “verdadeira” taxa poderá variar consideravelmente com isso.

Durante o período de estudo 17% das pessoas com HIV (911) morreram de outras causas diferentes do suicídio. Entre os outros 4318 pacientes, na análise não variada, aqueles com menos de 95% de adesão auto relatada da TARV tinham 6,25 vezes mais possibilidades de cometer o suicídio. A taxa de suicídio diminuiu de 23% para cada aumento de 100 células/mm3 da contagem de CD4 e multiplicava-se por mais de 3 em cada aumento significativo da carga viral. Esta linha de raciocínio parece dar suporte à ideia de que pessoas que vivem em falha de tratamento podem ter um maior risco suicida.

Suicídio também foi quase 4 vezes maior entre os usuários de drogas injetáveis mesmo em uma análise multivariada, como o apresentador Jasmine Gurm do BC Centro de Excelência em HIV/AIDS observou, overdose pode por vezes parecer-se como suicídios e vice-versa.

Outros achados são mais absurdos, no entanto. Entre todo o grupo de pacientes, naqueles que nunca tiveram uma doença definidora de AIDS foram associados a um aumento de 6,6 vezes na taxa de suicídio — embora isso pode ser explicado em parte por que há mais mortes não relacionadas ao suicídio entre as pessoas com AIDS. Entre os 4318 que morrem de outras causas, no entanto, em uma análise multivariada, o suicídio foi 4,45 vezes mais provável entre pessoas que nunca haviam tido uma doença definidora de AIDS do que entre aqueles que tinham.

Gurm comentou que as pessoas precisavam de uma certa quantidade de energia para suicidar-se, por isso, as pessoas que estavam muito doentes podem ser menos propensas a serem capazes de se matar, mas isso não explica por que razão depois de ter tido um diagnóstico de AIDS foi persistentemente associada com um 77% de redução no risco de suicídio. Talvez as pessoas que tenham tido mais diagnósticos de doenças definidora de AIDS tenham recebido monitoramento e suporte mais intensos ou, talvez, nessa população, sendo ameaçados de morte eles tiveram, paradoxalmente, algo que lhe deu uma motivação a mais para viver.

Prescrição psiquiátrica na Dinamarca

O estudo dinamarquês, também apresentado na conferência, olhou para o uso de medicamentos psicotrópicos – antidepressivos, tranquilizantes, pílulas para dormir, drogas ansiolíticas e os antipsicóticos em um grupo de 3615 pessoas adultas soropositivas do pais entre 1995 e 2009. Ele comparou as prescrições de drogas entre 32.535 membros da população em geral, correspondendo cada pessoa com HIV com 9 pareados por idade e sexo dos membros da população em geral.

Comparando as prescrições destas drogas entre 32.535 membros da população geral, na correspondência de cada pessoa soropositiva com 9 membros correspondentes por idade e sexo da população em geral.

Às pessoas com HIV certamente foram prescritas mais drogas psicotrópicas. Durante o período de observação, a população soropositiva recebeu duas vezes mais prescrições de ansiolíticos e três vezes mais prescrições de soníferos, sedativos e calmantes

Em termos de quanto tempo é que as pessoas gastam com várias drogas, em vez de aterem-se apenas àquelas que lhes foram prescritas , as pessoas que vivem com HIV foram muito mais propensas a gastar mais tempo com antipsicóticos que a população em geral. Mas eles gastam 76% mais tempo com ansiolíticos, 2.28 vezes mais tempo com antidepressivos, e 4,42 mais tempo com sedativos e pílulas para dormir. Os antidepressivos eram prescritos quase que exclusivamente a homens homossexuais, que as usam um pouco mais que 3 vezes a quantidade que a população em geral utiliza; a utilização em heterossexuais não foi maior que a média.

Os pesquisadores olharam o uso de drogas ao longo do tempo, começando 2 anos antes do diagnóstico de soropositividade para o HIV e continuando até 10 anos após o diagnóstico (a Dinamarca pode fazer isso porque eles mantêm registros das prescrições para todos os pacientes centralizadas).

As pessoas HIV positivas já apresentaram maiores taxas de uso de drogas psicotrópicas que a população em geral antes do seu diagnóstico de HIV: em relação à população geral, no ano antes do diagnóstico houve um consumo 22% maior de antidepressivos, 68% maior no que se refere a ansiolíticos, e duas vezes mais sedativos e pílulas para dormir. Nota do Editor: A mim parece que as pessoas que já usam drogas costumam ter problemas de baixa auto-estima e isso, aparentemente, pode levar a um comportamento “quase suicida”  que os faz se colocarem inúmeras vezes em situações de risco reais e isso acaba determinando o contágio e, na outra ponta da corda, este aumento “aparente”  do numero percentual de pessoas com histórico de uso de psicotrópicos. Falo de cadeirinha, uma vez que, na minha história pessoal há inúmeras situações onde me coloquei face a face com a morte simplesmente por não ter a minha morte como algo muito desastroso para a humanidade. A mim faltavam duas coisas muito importantes: Auto amor e auto perdão. A vida a já quase vinte anos com HIV me trouxe estes atributos; hoje eu me amo muito mais e amo a vida de uma forma tão intensa que, por exemplo, detesto dormir, por considerar isso uma perda de tempo e, para descansar dignamente, recorro ao receituário de minha psiquiatra, sempre compreensiva com minhas necessidades de descanso.Não fora assim e eu já teria enlouquecido ou adoecido severamente.

Em 2 anos após o diagnóstico, o uso de antidepressivo aumentou para o dobro do que na população em geral e duas vezes mais alta em seguida. O uso de sedativos ou “pílulas para dormir” duplicou no ano após o diagnóstico e, em seguida, ficou cerca de 3 vezes maior do que na população em geral. Para drogas ansiolíticas, o uso cresceu no primeiro ano após o diagnóstico, mas depois começou a cair até que, em 5 ou 6 anos após o diagnóstico, sua utilização não foi maior do que na população em geral. No entanto, o seu uso começou a subir novamente 8 anos após o diagnóstico.

O coorte de uso de antipsicóticos em pessoas sorologicamente positiva para o HIV foi menos do que o da população em geral antes do diagnóstico e continuaram a utilizar em menores ou níveis semelhantes até 6 anos após o diagnóstico. Após isso, a sua utilização aumentou vertiginosamente, o dobro que na população em geral. Os pesquisadores especulam que esta, e o semelhante aumento tardio do uso de ansiolíticos, pode acompanhar problemas cognitivos e, todavia, embora a utilização de antipsicóticos aumente com o tempo pois o diagnóstico, este crescimento não é relacionado com a idade. Nota do Editor: Subentendo deste ponto que jovens soropositivos começam com o uso(?)/abuso(?) destes medicamentos ainda na mocidade e que o envelhecimento precoce associado à infecção por HIV pode  ter um efeito de dinâmicas ainda inabordáveis no seio da sociedade e urge que se faça algo para minorar estes danos.

Não houve forte associação entre a terapia antirretroviral e uso de drogas psicotrópicas. Uso de sedativos e antidepressivos foi ligeiramente superior nas pessoas sob TARV, e uso de drogas ansiolíticas foi cerca de 25% menor, mas as diferenças não foram significativas. Não houve relação entre o uso do efavirenz (Sustiva) e drogas psicotrópicas, embora os pesquisadores especularam que os médicos possam excluir especificamente as pessoas com problemas psicológicos do tratamento com efavirenz.

O pesquisador criticou o uso excessivo de comprimidos para dormir e sedativos em pacientes HIV positivos — especialmente nos que há uma associação entre o uso abusivo de drogas e o desenvolvimento de demência relacionada à AIDS.

Escrito por Gus Cairns

[Produzido pelo HIV And Hepatitis.Com em colaboração com o  Aidsmap.com]

Traduzido por Cláudio Souza do original em Suicide Rates and Psychiatric Drug Use Among People with HIV Revisado por Mara Macedo em 12/08/2015

References

J Gurm, S Guillemi, E Ding, et al. Declining suicide rates among people living with HIV (PLHIV) initiating HAART between August 1996 — June 2012 in the HAART Observational Medical Evaluation and Research cohort in British Columbia, Canada. 14th European AIDS Conference (EACS 2013). Brussels. October 16-19, 2013. Abstract PS 5/3.

LD Rasmussen, D Obel, G Kronborg, et al. Utilization of psychotropic drugs prescribed to persons with and without HIV infection: a Danish nationwide population-based cohort study. 14th European AIDS Conference (EACS 2013). Brussels. October 16-19, 2013. Abstract PS 5/4.

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