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sexta-feira, outubro 30, 2020

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Um Réquiem pelo passamento de Jucimara Moreira, ativista do Grupo Pela Vidda

Mujer en el mar frente a la luna llena

Eu mencionei, ontem, ou sábado, não sei bem, minha percepção da passagem do tempo me parece distorcida, dilatada, exponenciada e, porque não dizer… tristemente dolorida; a morte prematura de Janis Joplin e tudo que ela poderia ter produzido se não tivesse morrido prematuramente, por conta de uma overdose. Meu, já muito querido amigo, Beto Volpe, mencionou que talvez ela não tivesse produzido a obra que ela produziu, se vivesse uma vida “normal”. Eu concordei com ele e mencionei Jimmy Hendrix e Amy Winevine, duas outras pessoas de “vidas desregradas” que partiram prematuramente, curiosamente, todos eles, aos 27 anos. Eu ainda não sabia, mas a ativista do Grupo Pela Vidda (não estou certo a respeito da grafia) Jucimara Moreira também partira, a meu ver também prematuramente (39 anos), neste último sábado, acredito que, desta vez, Beto Volpe concorde comigo em gênero, número e grau sobre a prematura saída de nossas vidas de uma pessoa tão importante. Eu não conheci pessoalmente Jucimara e, infelizmente, não tive a honra de participar de seu círculo de amizades e, assim, tudo o que eu sei dela é o que eu li nas últimas horas…, mas quem me conhece sabe que eu “aprendo rápido” e tudo o que eu vi, li e ouvi dão notícias de uma Mulher (assim, com direito a letra capital) que lutou por si e por todos, nunca esmorecendo diante das injustiças e abusos sistêmicos que muitas vezes são perpetrados contra nós, pessoas vivendo com HIV ou AIDS.

Jucimara não morreu! Não a partir do meu ponto de vista! Que é diferente do de muitas pessoas; para mim, ela mudou de faixa vibratória e passa, agora, por um merecido repouso, numa das muitas casas que um modesto aprendiz de marceneiro, famoso por andar em “má companhia”, mencionou um dia, há mais de dois mil anos.

Deixemos que ela repouse, ela merece e merece muito, nós sabemos.

Depois disso ela voltará a estar entre nós, nos inspirando a fazermos o que é certo, alertando-nos sobre os perigos daqueles que, muitas vezes, tentam desfigurar nossa luta com motes evangelistas respeitáveis em sua essência, mas que o tempo já mumificou (…)…

Enfim, pouco posso dizer além disso, pois não tive a grata felicidade de ter estado ao menos uma vez perto dela para ouvi-la e, quem sabe, fazê-la sorrir com minhas piadas que às vezes me parecem tão sem graça…

Aos que tiveram a felicidade de estar em sua companhia, eu desejo força para superar a dor e viverem o luto necessário que perda e o dano emocional de tal proporção lhes pode ter infringido.

E, se alguém quiser conversar comigo, um apagado membro desta comunidade de entes luminosos, eu estarei à disposição pelo tempo que for necessário, nos lugares em que quase todos sabem me encontrar.

Quando iniciei meu trabalho com meu site, eu encontrei, acredito que num dos cadernos do pela vida, um discurso de Nelson Mandela (que dispensa apresentações), que eu li e, em determinado trecho do texto, senti, talvez pretensiosamente, que ele falava comigo e de mim. Com o tempo eu entendi que ele falava de nós, cada um de nós, na nossa causa ou em qualquer outra. Eu não tinha scanner naquela época e transcrevia aquele texto, com grande dificuldade, por conta da minha dislexia. Estava prestes a publicar este réquiem, quando me lembrei do discurso e imediatamente o associei à Jucimara e colo-o aqui, para que todos possam saber que ela foi, que ela é e, acima de tudo, ela sempre será, Farol de Luz a nos guiar, com a finalidade de que não naveguemos em direção a rochedos que o nevoeiro e as tempestades as vezes ocultam; e que não nos detenhamos em nossa marcha por mais tempo do que o necessário para absorver este impacto doloroso, de forma que possamos continuar a merecer a declaração tão clara que Mandela fez, como uma mensagem, para nós todos, os que, de uma forma ou de outra, as vezes abrindo mão de nossas vidas pessoais, escolhemos o Mundo como “palco de nossas operações”.

Em inúmeras ocasiões perguntaram me quais chefes de estado mais me impressionaram. Tenho que ter cuidado porque a resposta pode criar um caos diplomático muitos países não citados podem retirar seus embaixadores da África do Sul; mas freqüentemente digo que meus heróis não são necessariamente os homens e mulheres que possuem títulos, mas os homens e mulheres humildes que existem em todas as comunidades e que escolheram o mundo como palco de suas operações, que julgam os maiores desafios são os problemas sócio-econômicos que desafiam o mundo, como a pobreza, o analfabetismo, a doença, a falta de moradia, a impossibilidade de mandar seus filhos para a escola. Estes são meus heróis.
Qualquer chefe de estado que se qualificar será meu herói.

Àqueles que desejarem ver o discurso na íntegra, por favor, clique aqui.

Jucimara Moreira, descanse em paz.

Vinte cinco de Maio de dois mil e dezesseis

Cláudio Souza

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