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A banalização da AIDS: “Esta tudo normal, é só você tomar um comprimidinho”

Às vezes eu finjo que não vejo coisas e, a bem da verdade, até evito vê-las. Mas meus leitores vêm até a mim, me fazem perguntas e eu vejo coisas que não posso silencia então as coloco aqui, poisme forçaram a colocar este video on line agora, ao invés de apenas em dezembro, no entanto, alguns fatos chegaram e eu não pude ficar em silêncio. O fato é que eu li que não se morre mais de AIDS (e isso é uma "meia-verdade pois depende praticamente de ter "sorte" e ser diagnosticado prematuramente) e que tudo está bem. Vou colar aqui uma imagem de outro site, que foi o que me levou a colocar este texto e este video aqui. O fato é que eu vi, no SNNIPET do google uma mensagem que despertou minha curiosidade e eu fui lá dar uma olhadinha e o que vi me deixou perplexo: Dizer tal coisa, sem base científica, a partir do palanque blindado onde ele se oculta, por detrás de um avatar, implica em uma grande responsabilidade e eu, que sou paciente da Casa da AIDS e vou lá a cada seis meses, sempre acabo encontrando alguém debilitado, ou na situação de cadeirante, ou de uma pessoa que perdeu  a visão, por exemplo, em função de uma retinite por citomegalovírus que, se tiver tido "sorte", tera perdido a visão de "apenas um olho"... Por outro lado, eu nunca conseguirei apagar, das retinas de minha memória, a face juvenil e feliz daquela moça, tão bela, que sofria com uma bactéria que ninguém conseguia deslindar sua natureza, resistente a tudo o que se tentara nela, bactéria que se alojara em seu labirinto, lhe tirando a capacidade do equilíbrio... Eu era "novo nisso" e perguntei, tolamente: -"E é por isso que você usa cadeira de rodas? - Perguntei entristecido Eu estava abaixado e ao perguntar isso baixei minha cabeça. Ela pegou minha cabeça, fez com que eu a olhasse nos olhos e me disse, sorrindo: -"Isso é só na rua", e me piscou um olho -"Em casa eu posso andar apoiada nas paredes"...
Vivendo feliz, mesmo com problemas de equilíbrio por conta de rara doença oportunista oriunda da infecção por HIV

Mulher feliz, a despeito do equilíbrio impreciso, assim era a pessoa destas minhas recordações

A realidade favorável e colocada para aqueles que “dão sorte” em serem diagnosticados prematuramente e, por isso, podem vir a viver sem se tornar um caso de AIDS, infelizmente este é um percentual  baixo dos diagnosticados e convém lembrar que entre o ano 2000 e 2011 morrerem, em função de complicações geradas pela AIDS, onze mil pessoas.

Eu  sou um caso de AIDS porque, na época em que eu estava em tratamento, a cartilha mandava que se  rezasse a prescrição do tratamento quando a contagem de CD4 chegasse a 350 por ml, independentemente da carga viral e, hoje, a cartilha reza, e isso é muito bom, que o tratamento se inicie imediatamente após o diagnóstico, com base em um longo e amplo estudo chamado START (este link abre uma janela para quase tudo o que tenho sobre este estudo e você poderá entender o Porquê de meu gesto de copiar e colar imagens de um outro site).  O fato é que eu considero o texto em questão como uma exortação ao sexo sem proteção; eu, como pessoa vivendo com HIV e AIDS sendo indetectável há dez anos, jamais arriscaria uma relação sexual sem preservativo sob nenhum pretexto porque eu tenho conhecimento (informação é tudo) de um fenômeno orgânico chamado BLIPE VIRAL (tb abre outra aba).

E,  por outro lado, uma pessoa que “frequenta o site, saiu-se com esta pérola de definição do tratamento contra o HIV:

zerado

O Autor desta pérola tem um cérebro composto por oito lentilhas interconectadas por fios de teias de aranha? Seria isso.

Eu deixo o video abaixo para quem quiser ver. Ele tem mais de 40 minutos e você tem de estar bem interessado em assisti-lo.

Aqui eu coloco outro video

e abaixo, um importante documento.

Boa leitura

A re-emergência da epidemia de aids no Brasil: desafios e perspectivas para o seu enfrentamento

No último dezembro, quando foi celebrado o dia mundial de luta contra a aids, a divulgação das tendências da epidemia no mundo1 e no Brasil2 pelas Nações Unidas e pelo Ministério da Saúde evidenciaram contradições e suscitaram interrogações.

Na contramão do cenário mundial, os dados brasileiros apontaram que a aids está longe de ser controlada e que atingiu seus piores indicadores nesses mais de trinta anos da doença. Desde 2011 a barreira dos quarenta mil casos novos anuais foi ultrapassada, sem sinais de que voltará a reduzir em um curto período de tempo.

Voltou a crescer o número de casos entre homossexuais, acompanhado da maior concentração da epidemia nos centros urbanos e do aumento da razão masculino/feminino devido, especialmente, à redução da transmissão do HIV por meio do uso compartilhado de drogas injetáveis e da desaceleração da transmissão heterossexual.

Uma nova geração, nascida após meados da década de 1990, também começou a apresentar taxas de incidência maiores do que as registradas entre aqueles que iniciaram sua vida sexual logo após o início da epidemia.

Um perfil epidemiológico que, de certa forma, volta a assumir características similares ao observado no início dos anos de 1980, quando a doença começou a fazer suas primeiras vítimas e apresentou uma incidência fortemente concentrada em segmentos sociais específicos.

Agora, porém, com taxas de incidência e mortalidade mais alarmantes. Mas, o que mais evidencia a re-emergência da doença no país é a tendência da mortalidade. Depois de anos seguidos de redução, o número de mortes e a taxa de mortalidade voltaram a crescer.

Somente em 2013 foram 12.700 casos de óbitos pela doença, um número similar ao de 15 anos atrás, quando a política de acesso aos antirretrovirais havia sido implantada. Nos últimos sete anos o crescimento da taxa nacional de mortalidade aumentou em pouco mais de 5%, passando de 5,9% por cem mil habitantes em 2006, para 6,2% por cem mil habitantes, em 2013.

Nas regiões Norte, Nordeste e Sul as taxas chegaram a ser até duas vezes maiores do que no período anterior à política de acesso aos antirretrovirais, neutralizando todos os avanços observados anteriormente nessas locais. O recrudescimento da aids no Brasil ocorre em um momento em que os conhecimentos científicos acumulados no campo lançam perspectivas alvissareiras para o controle da epidemia no mundo.

Estudos sobre os efeitos dos antirretrovirais utilizados no cotidiano dos serviços de saúde3 mostram que pessoas tratadas nas fases iniciais da infecção apresentaram expectativa de vida próxima de pessoas não infectadas. Isso nos permite distinguir um cenário onde a morte por aids deveria ser um evento cada vez mais raro.

O maior entusiasmo, porém, veio com os estudos que relataram a redução de mais de 90% da transmissão do HIV em pessoas com HIV tratadas por antirretrovirais e com supressão total da replicação viral4 .

Uma taxa de proteção superior ao observado em programas de distribuição de preservativos. Com base nesse novo cenário, os estudos de modelagem matemática6 têm indicado que o diagnóstico e tratamento universal de pessoas infectadas teria o potencial de eliminar a ocorrência de novas infecções.

Isso impulsionou as Nações Unidas7 a convocarem os países a implantar até 2020 programas ambiciosos para diagnosticar 90% das pessoas com HIV, tratar 90% delas com antirretrovirais e fazer com que 90% das tratadas tenham carga viral indetectável.

É a denominada meta 90-90-90 que, segundo as Nações Unidas, poderia levar ao fim da epidemia no mundo até 2030.

Para além da polêmica acerca da factibilidade de estratégias de controle de epidemias baseadas em tratamento medicamentoso obterem pleno sucesso – basta observar a permanência da tuberculose e da hanseníase como importantes problemas de saúde pública, apesar da existência de tratamentos efetivos para a cura e para evitar a transmissão das infecções -, a proposição das Nações Unidas trouxe para o centro do debate a capacidade dos sistemas de saúde de absorver um grande contingente de pessoas infectadas e a qualidade do cuidado prestado a elas.

No Brasil, os dados do Ministério da Saúde2 sobre o “contínuo do tratamento” – com a estimativa do número de pessoas infectadas no país e os percentuais dos que sabem do diagnóstico e estão em tratamento efetivo – apontaram para um quadro surpreendente:

O número de pessoas infectadas que conhecem o seu diagnóstico e estão fora dos serviços de saúde ou com carga viral detectável (296000) é cerca do dobro do número de pessoas (145000) que não conhecem o seu diagnóstico.

Uma dificuldade clara das políticas para garantir o seguimento clínico e a adesão ao tratamento de forma sustentável ao longo do tempo. Desde o início da epidemia, ainda nos anos de 1980, uma rede de cuidado às pessoas infectadas foi implantada no país, baseada nos princípios da integralidade e interdisciplinaridade e com avaliações de qualidade mostrando estruturas e processos de trabalho relativamente satisfatórios, para parcelas significativas das unidades de saúde.

Nos últimos anos, entretanto, parte dessa rede tem sido penalizada, devido ao subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e o enfraquecimento da resposta à aids no país.

A recente proposta do Ministério da Saúde de fortalecimento dessa rede pela ampliação do cuidado de pessoas infectadas na atenção básica deixa interrogações a respeito de sua efetividade. É certo que experiências positivas foram observadas em serviços implantados nesse nível de atenção, porém, as avaliações também mostraram que os piores indicadores de qualidade se concentraram nos serviços de menor complexidade.

Para aqueles que dizem que eu sou “empata  fodas” com meu pessimismo eu devo retorquir dizendo.

Transa, mas não fode!

Abaixo alguns dados obtidos a partir de um PDF cuja origem e link para o documento eu coloco abaixo deste texto:

 

** DN – Departamento Nacional de DST/Aids e Hepatite Virais – Casos de aids pelo Critério CDC Adaptado – Contagem de Linfócitos T CD4+ menor do que 350 células/mm3 *** Não foi realizado relacionamento entre a base de óbitos e o SINAN

boletim2013

 

DOI: 10.1590/1807-57622015.0038 editorial 6 COMUNICAÇÃO SAÚDE EDUCAÇÃO 2015; 19(52):5-6

E AINDA HÁ QUEM DIGA “QUASE SORONEGATIVOS”, QUE NINGUÉM MORRE MAIS DE AIDS E OUTROS QUE DIZEM USAR O “REMÉDINHO” UM POUCO MAIS TARDE PARA PODER IR PARA A BALADA E QUE A SUA SAÚDE, ENQUANTO PORTADOR DE HIV VAI ATÉ MELHORAR

naomorremos

Sem legendas.


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Sobre Claudio Souza do Soropositivo.Org (508 artigos)
😍😍😍😜💫☮Sim, este da foto sou eu ! Minha sobrinha pediu que eu pusesse esta foto m meu perfil !.... Eu tinha aqui uma descrição a meu respeito que, uma pessoa classificou como “irreverente”. Esta é, realmente, uma forma eufêmica de classificar o que estava aqui. Tudo o que sei é que uma “ONG”, que ocupa um prédio de 10 andares estabeleceu uma parceria comigo, e eu tenho os logs do tempo de parceria, que foi mais um vampirismo pois, para cada 150 pessoas que saiam do meu site, clicando no deles, havia, em média, um que entrava. QUANDO ENTRAVA E SE ENTRAVA

3 Trackbacks / Pingbacks

  1. Deu Reagente!!! E agora? Calma… Há muito a ser feito e você não recebeu uma sentença de Morte Soropositivo.Org - Há vida com HIV
  2. Deu Reagente!!! E agora? Calma... Há muito a ser feito!
  3. %% - Reagente.Org

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