Amarilis: “A tal hora de contar”

A tal hora de contar que sou soropositivo, por Amarilis, In Memorian

Antes de você ler, eu queria contar dois “eventos” conectados cronológicamente e algo muito importante a respeito do que você lerá agora. Este texto da Amarilis ainda existe porque eu o li em outro site que não  mais existemais pois era, na verdade, um empreendimento comercial.

E este empreendimento acabou fazendo água e afundando, não é assim, como uma manhã de domingo, conseguir arrecadar fundos para isso.

Pense nisso, eu necessito de doações. Mas retornemos ao ponto….

Old Times. Eu estava gravando uma festa no já fechado e quase esquecido “Clube de Paris” e, creio, eu não sabia, ainda, que sou soropositivo

Eu li o texto e decidi republica-lo, mas para isso eu encontrei em contato com Amarilis, um codinme que ela esclheu para si e eu nunca direi qual o verdadeiro nome dela.

Ela me escreveu de volta permitindo a republicação.

E acabamos, isso faz tanto tempo, por nos tornarmos amigos e eu ainda morava em Piracicaba.

E eu contarei a vocês sobre as razões te ter sido forçado a sair de Sampa.

E trocamos telefone e nos ligávamos quando podíamos.

E assim eyu descobri que ela teve um gesto de amor e de dignidade tão grande, que eu ainda não vi igual:

Ela deu ao marido, por conhecer a natureza dos “homens”, a iberdade de fazer o que desejasse, fora de casa (.,..) desde que se cuidasse e usasse camisinha.

Pois bem, este grande patife não foi capaz disso e você pode lier a história com um insight melhor do que você teria sem estas informações.


Soropositivo.Org precisa de Ajuda

Fiquem com Am­aryl­lis, ela é a grande estrela este história

Minha história é simples e cor­riqueira. Fui con­tam­in­ada pelo meu ex-mar­ido há oito anos. Sou assin­tomática e só descobri o vírus em 1999.

A sep­aração aconte­ceu em 1992.

Sem Vínculos

Amarilis

Desde então, nunca mais o vi, mesmo porque não tive­mos fil­hos.

Soube que ele andou me rodeando nos idos de 1994, mas, creio eu, não teve cor­agem de se aprox­i­m­ar. Acredito que foi quando descobriu sua sor­o­pos­it­ivid­ade.

Mais tarde, re­cebi um re­cad­inho in­direto, at­ravés de uma amiga que o en­con­trou cas­u­al­mente na rua, para que eu fizesse um ex­ame anti-HIV.

Gostar­ia que ele tivesse me con­ta­do antes, porque as­sim, eu po­der­ia es­tar me tratando há mais tempo.

Tra­balho na área de educação e, há uns três anos, resolvi es­cre­ver um liv­ro sobre pre­venção da AIDS, di­ri­gido a cri­anças em fase pré-escol­ar; lin­guagem lúdica, simples e in­fant­il.

Sempre me colocando na posição de porta­dora. de pessoa soropositivo do HIV

Pesqui­sei, li, estudei muito sobre o as­sunto e es­crevi a história sempre pensando sou soropositivo, era só um exercício mental….. Eu já era e não sabia….

Tomei os maiores e to­dos os cuid­a­dos quanto à redação para não deix­ar nen­hum tipo de “má-in­ter­pretação”, idéia de pre­con­ceito ou dis­crim­inação, sempre val­or­iz­ando a solid­ar­iedade e a cid­adania. O liv­ro foi ped­ago­gica­mente rev­isto e aprovado, e por essa épo­ca, fiz uma cirur­gia simples. Foi quando descobri­ram a minha sor­o­lo­gia, por iro­nia do des­tino.

Meu tra­balho havia apare­cido na minha vida para me pre­parar à minha própria real­id­ade como a pessoa que eu sou, soropositito

Parece que aquele meu tra­balho havia apare­cido na minha vida para me pre­parar à minha própria real­id­ade.

De­pois da minha sep­aração, min­has relações sexuais fo­ram sempre se­gur­as.

Mas – puxa! – como é difícil!

Con­heci, há pou­co tempo, um cara neg­at­ivo… e boooom!

Paixão omediata, e eu sabia: Eu sabia quem de um jeito ou de outra chegaria a tal hora de contar que sou soropositivo

Paixão ime­di­ata, uma loucura, uma vont­ade lou­ca de se ver, de es­tar junto, de se to­car, de se ouvir, aquelas coisas to­das.

A relação foi es­quent­ando até que chegou a “tal hora de con­tar”.

Meu mundo de­s­abou nova­mente como quando descobri o vírus. Foi a minha primeira paixão pós-HIV.

Na hora, ele aceit­ou, disse que não havia prob­lema nen­hum, e aquela balela toda, mas com o cor­rer dos di­as, a distância entre nós foi se tor­nando maior, até que nem nos faláva­mos mais.

Droga de sen­ti­mento de re­jeição.

E es­tou aqui, viva, graças a Deus, um ano de­pois da descoberta, vivendo o mel­hor possível. Assin­tomática, mantenho rig­orosamente meu trata­mento e tra­balho muito p/ pôr em prática pro­je­tos que tenho ini­cia­dos, al­guns ped­agógi­cos, out­ros de minha vida pess­oal.

Am­aryl­lis

Tentando me situar no tempo

Por mais que eu me escorce, eu não consigo situar os fatos com exatidão, no tempo e no espaço.

Eu me lembro ue em 2003, talvez 2004 eu estava, num dia útil, em Santos e quis arreliar com ela.

Bem, eu pus uma bermuda, eu estava em Santos, uma cidade bem conhecida no litoral da Cidade de São Paulo.

Eu só queria arreliar com ela 🙁  

A idéia era simples, era só isso:

-“Enquanto você está aí, trabalhando, ouve este mar? Pois é, eu estou na praia”. Só de onda, depois começaria a conversar com ela, como bons amigos que este texto permitiu…

E o irmão dela atendeu, com péssimas notícias.

Voltamos a São Paulo e a Ideia era eu voltar pra vela, mas eu ainda era o mosntro do lago e não dava conta de tudo isso e, quando eu rivce forças suficientes para ir vê-la, Telefonei para o irmão dela e, infelizmente ela yonha partido.

O Erro Médico e é inaceitável quando sou soropositivo

Enfim, pelo que eu ainda me lembro, talvez eu não gostasse que eu a visse assim.

Oque me assusta é que eu via a saber que ela estava com “visão duplicada há quase um ano e, Deus sabe como, ela viajava, guiando, para falar om um médico, um patso maldito que diante de um quadro destes, não de lembrou….

Por que ele não pediu uma maldita ressonância magnética?

O que a matou, foi um linfoma não hodkins