ALTERAÇÕES COGNITIVAS NA INFECÇÃO PELO HIV e AIDS

Alterações cognitivas na infecção por HIV e AIDS

Dead read or dead already?
Dead ready or dead allready?

Resumo

Dentre as complicações neurológicas primárias da AIDS temos os déficits cognitivos como a demência associada ao HIV e formas mais leves, como o transtorno cognitivo/motor menor, sendo que ambas podem alterar as atividades da vida diária e reduzir a qualidade de vida dos pacientes. Infecção pelo HIV-1 é a mais comum, previsível e tratável causa de déficits cognitivos em indivíduos com menos de 50 anos. A despeito do avanço no conhecimento das características clínicas, patogênese, aspectos neurobiológicos e ao amplo uso de terapia antirretroviral altamente ativa (HAART, ou TARV), complicações neurológicas e déficits cognitivos ainda persistem levando a graves consequências pessoais e socio-econômicas tornando-se um grande desafio terapêutico. Na era pré-HAART, a demência era uma complicação comum da infecção, entretanto na era HAART a incidência da demência diminuiu, mas a prevalência tem aumentado principalmente das formas mais leves devido ao aumento do número de pessoas infectadas e ao aumento da expectativa de vida. Alterações cognitivas associadas ao HIV são tipicamente subcorticais e podem estar associadas a comprometimentos comportamentais e motores. Estas síndromes são de diagnóstico clínico, sendo que testes neuropsicológicos, neuroimagem e líquido cerebrorraquidiano corroboram no diagnóstico. Esta revisão faz uma atualização do estado atual da epidemiologia, características clínicas e diagnóstico das complicações cognitivas no curso da infecção pelo HIV.

Introdução

Desde seu reconhecimento, no início dos anos 80, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (sida-aids) se disseminou pelo mundo tornando-se um dos maiores desafios de saúde pública das três últimas décadas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, no mundo, aproximadamente 33,2 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus HIV ou apresentam a doença e que em 2007 ocorreram 2,1 milhões de mortes e cerca de 2,5 milhões de novos casos1.

No Brasil, desde a identificação do primeiro paciente com Aids, em 1982, até junho de 2007, já foram identificados cerca de 474 mil casos da doença. Estima-se que aproximadamente 593 mil pessoas vivam atualmente com HIV ou AIDS e, segundo parâmetros da OMS, a prevalência da infecção pelo HIV é de 0,61% entre a população de 15 a 49 anos, sendo 0,42% entre as mulheres e 0,80% entre os homens2.

Já nos primeiros casos ficou bem evidente o grave e progres­sivo comprometimento imunológico dos pacientes infectados pelo HIV, particularmente de sua imunidade celular. Tal fato acabava predispondo-os a neoplasias e infecções, a maioria de caráter oportunístico e estas em especial sempre trouxeram elevada morbi- mortalidade para os doentes de Aids, sendo elementos marcadores da síndrome.

Ao lado do sistema linfoide, o Sistema Nervoso Central (SNC) é um importante alvo para o HIV e o vírus tem sido frequentemente detectado no líquido cefalorraquidiano (LCR) e tecido cerebral desde o início da infecção e em toda a sua evolução, independentemente de apresentar sintomas neurológicos3. O vírus infecta e replica-se em macrófagos, micróglia e células multinucleadas da glia, mas está, principalmente, livre e presente no líquido cefalorraquidiano acelular 4.

O SNC é o segundo local mais comum de manifestações clínicas. Isto pode ser explicado pelo fato de o vírus ser neurotró- pico e o SNC um “santuário” para ele, além da pobre penetração das drogas antirretrovirais na presença de uma barreira hemato- encefálica intacta5.

As manifestações neurológicas acometem 40% a 70% dos pacientes portadores do HIV no curso da sua infecção67, sendo que, em estudos de necropsia, a frequência pode chegar a mais de 90%8. Cerca de 46% dos pacientes internados com AIDS podem apresentar doença neurológica, seja como motivo principal da admissão hospitalar ou como intercorrências durante a internação 9

A natureza das alterações neurológicas é muito variada e qual­quer parte do neuroeixo pode ser acometida. O determinante mais importante da susceptibilidade é o grau de imunossupressão. O diagnóstico diferencial é amplo e envolve etiologias infecciosas, neoplásicas, cérebro-vasculares, tóxico-metabólicas, nutricionais,

autoimunes e relacionadas ao próprio vírus como neuropatias, mielopatias e alterações cognitivas. Também podem ocorrer asso­ciações de etiologias no mesmo paciente, o que é uma particulari­dade do imunodeprimido.

No curso da infecção pelo HIV o vírus entra no SNC podendo resultar em transtornos da função cognitiva causando déficits dos processos mentais, tais como atenção, aprendizado, memória, rapidez do processamento de informações, capacidade de resolução de problemas e sintomas sensoriais e motores.

Recentes avanços no tratamento da infecção pelo HIV aumen­taram a expectativa de vida dos pacientes tornando mais provável que médicos e psicólogos encontrem na prática clínica diária pacientes com manifestações neuropsiquiátricas da doença.

As manifestações neurológicas mais comuns, ligadas direta­mente ao HIV, são o tra nstorno cognitivo e motor menor e a demência associada ao HIV. No Brasil, as sequelas relacionadas às doenças oportunisticas do SNC, como neurotoxoplasmose, meningite tuber­culosa e neurocriptococose, também são importantes causas de danos cognitivos e psiquiátricos. Portanto, o correto e precoce diagnóstico destas condições e a pronta intervenção terapêutica podem minimizar as complicações neuropsiquiátricas.

É de grande importância quantificar o número de pacientes com danos cognitivos, uma vez que afetam a qualidade de vida, função laborativa e aderência à terapia antirretroviral altamente ativa (HAART) 10,11. Dano cognitivo é associado com aumento do risco de mortalidade, aumento do risco de desenvolver demência e a altas taxas de desemprego e isto ocorre mesmo na era HAART

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