Histórias de Soropositivos

Lunaluz! Amor, I Love You!

Amor I Love YouOi Gente! I Love You

Oi, é a Luna e, I Love You

!!!!! Fui um pou­co mal-edu­cada com vocês…logo que en­trei na lista re­cebi um “seja bem-vinda ” tão gostoso…e nem re­spondi, né? mas a verdade é que I love you

É que tava quiet­inha..só lendo o que vocês es­cre­viam…des­culpem-me mesmo…

Te­clo com o Cláudi­us quase to­do dia pelo icq e foi ele que me pôs aqui, nos con­hecemos na man­jada sa­linha de HIV da uol.

Bom, vou começar minha ap­resentação:

Tenho 22 anos, nasci e moro aqui em São Paulo e namoro, há quase 5 anos, o Paulo que tem 26 anos e é sor­o­pos­it­ivo. E não me canso em dizer a ele: I Love You!

Tínhamos acabado de com­pletar um anos de namoro… voltáva­mos de uma gostosa, viagem a Cam­buriú e tínhamos de­cidido que queríamos nos cas­ar; tudo es­tava bem…pela primeira vez estáva­mos real­mente bem, sem crises….e eu havia (ou acred­itava) su­per­ado os prob­lemas que pas­sam­os por ele ter sido gay…ou mel­hor, ter se descoberto bis­sexu­al comigo, pois fui sua primeira mul­h­er…eu na ver­dade nunca en­canei muito com isso mas era difícil ouvir os grace­jos dos het­eros e o ven­eno dos gays.

Mas eu havia su­per­ado tudo e to­dos, en­frentado tudo e to­dos, prin­cip­al­mente minha mãe, que claro, foi con­tra o namoro; nin­guém en­ten­dia o que havia aconte­cido com a gente…afi­nal, éramos ami­gos, fervíamos noites e noites em boates gays e como pode um gay se apaix­on­ar por uma mul­h­er?

E como pode uma mul­h­er se apaix­on­ar por um gay?

E a amiz­ade?

Será que não estáva­mos con­fundindo as coisas?

Nin­guém en­ten­dia…muito menos a gente, mas o fato é que já estáva­mos há um ano jun­tos, nos aman­do a cada dia mais e havíamos con­seguido su­per­ar tantas per­gun­tas, grace­jos e ven­enos…. …..en­fim….viveríamos a paz….

Até que um colega nosso pre­ci­sou de doadores de sangue pois, iria fazer uma cirur­gia e fomos lá, que bom!!!

Ótima chance de fazer­mos aquele teste de hiv para eu poder começar a to­mar pílu­las…que beleza…poder transar sem cam­isinha…

Fui bus­car meu teste, de cara até le­vei um susto..li Pos­it­ivo..mas era só o meu sangue O+, que beleza…tudo NEG­AT­IVO..mas o dele..ué?

Não es­tava pronto.

A atendente disse que havia dado “um prob­lema”com a amostra dele e que pre­cis­ava de uma nova coleta…ah…tudo bem, dis­seram que foi ex­cesso de “gordura” no sangue…es­queci disso, mas ele havia fic­ado pre­ocu­pado e fez a nova coleta…

Lem­bro-me como se fosse ho­je…aquela tarde gostosa..eu com um be­lo as­tral e ele chegando com uma cara es­tranha e dizendo que pre­cis­ava falar sério comigo, trancou a porta do quarto e me en­tregou uma carteir­inha…li : POS­IT­IVO p/ Hep­at­ite, HTLV e HIV…era o res­ultado dos ex­ames……. …….não sei o que me deu, não acred­itava….mas es­tava lá…es­crito, por um se­gundo até pas­sou pela minha cabeça que era uma brin­cadeira dele…mas quando vi seus ol­hos per­cebi que não….a primeira coisa que veio a minha cabeça foi per­gun­tar se ele ainda quer­ia se cas­ar comigo….tinha medo que ele quisesse se afastar de mim… nos abraçamos, nos bei­jamos e fize­mos amor..meio que para pro­var para nós mes­mos que nada havia mudado…

Desse dia para frente começou o martírio.

Achava que ele mor­rer­ia amanhã, na primeira gripe…chor­ei e so­fri calada…não po­dia de­saba­far com nin­guém já que ele não quer­ia que nin­guém além de mim soubesse…fo­ram vári­os testes con­firmatóri­os e eu cai na real que tb po­der­ia es­tar con­tam­in­ada..

Já que naquela viajem a Cam­buriú eu tomei pílu­las e não usam­os cam­isin­has dur­ante os 8 di­as que es­t­ive­mos lá….

Ainda tinha que es­per­ar 4 meses para re­pe­tir o ex­ame…angústia…só isso que eu sen­tia…na épo­ca eu quer­ia que desse pos­it­ivo meu ex­ame..es­tava muito con­fusa e achava que ele so­frer­ia menos se eu es­t­ivesse pos­it­iva também para que ele não fi­cas­se soz­inho e nem se sen­tisse menos que eu…..que bobagem….ainda bem que Deus é sensato e não ouviu meus pe­didos…. En­fim…so­fri…e muito…mas come­cei a pesquis­ar sobre AIDS, pro­curava re­port­agens, me in­teressava pelo as­sunto, mas ele….nada…..não tocava no as­sunto…até que en­contrei a sala de HIV da uol..e tudo mudou…con­heci muita gente..per­cebi que as coisas eram difer­entes…re­cebi muito apoio e con­segui de­saba­far os três anos de dor e angústia que pas­sei, foi só a partir daí que con­segui­mos falar sobre o bichinho sem aquele nó na gar­ganta…

Ho­je, es­tamos óti­mos….eu sou pos­it­iva, es­tou pos­it­iva…menos no sangue, que foi o único lugar que o bichinho não me pegou e ele está ótimo, não pre­cisa to­mar remédio, CV baixa..CD4 alto…beleza, muito mais saudável , muito mel­hor do que aquele an­ti­go e des­cuid­ado sor­oneg­at­ivo…e muito mais bonito….

En­fim…essa é minha his­tor­inha pra vocês con­hece­r­em um pou­co de mim…

Nota do Ed­it­or.

Luna su­m­iu e eu nunca mais soube nada a seu re­speito…

O fato é que nos desen­ten­demos li­geira­mente num mal-fadado en­con­tro onde eu fui rude e acredito que, por isso, ela pas­sou a me evitar.

Uma pena.

Eu e min­has as­neir­as…

Outra Observação.

Dias depois de eu ter editado este texto Lunaluz me escreveu e deu o endereço de email dela para eu escrever. Não sei que pataquada eu fiz que não consegui responder o email e, desgraçadamente, o contato se perdeu.

Luna, se vc vir este texto mais uma vez, entre em contato.

Eu lamento muito estes desencontros

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