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Os implantes e os injetáveis: A PrEP no futuro e, quem sabe (???) o fim da ingestão de comprimidos ARV de uma vez por todas!

a red awareness ribbon on a terrestrial globe depicting the idea of the world fight against AIDS

A PrEP no futuro

 

O anúncio do mês passado que a Fundação Bill e Melinda Gates dará até US$ 140 milhões para um fabricante de dispositivos de drogas em Boston para desenvolver um dispositivo subdérmico implantável de minibomba para fornecer medicamentos para profilaxia de pré-exposição (PrEP) contra a infecção pelo HIV, que tem concentrado a atenção sobre o futuro da PrEP. Seria o futuro da PrEP totalmente concentrado sobre implantes ou seria, esta, uma das muitas e variadas opções para pessoas que desejam usar o PrEP?

Implantes e outras drogas de longa ação nos sistemas de entrega têm atraído interesse como um meio de oferecer PrEP porque os estudos mostram de forma consistente que a não adesão – falta de doses ou não usar um anel intra-vaginal – está fortemente correlacionada com a falta de proteção de PrEP. Por outro lado, estudos mostram também que as pessoas que fazem a manutenção de níveis adequados de drogas PrEP estão protegidos contra a infecção pelo HIV.

Implantes

Intarcia é uma empresa com sede em Boston, de desenvolvimento implantável de minibomba sobre o tamanho de um palito, também para injetar uma droga para o controle do açúcar no sangue em pessoas com diabetes tipo 2. Do produto – ITCA Intarcia 650, que oferece a droga exenatide para diabetes de tipo 2 – já está sob revisão pelo Food and Drug Administration dos Estados Unidos, após os ensaios da fase III bem-sucedida e talvez possa vir a ser licenciado no final de 2017.

Mês passado a Intarcia anunciou que tinha garantido uma subvenção de US$50 milhões da fundação Bill e Melinda Gates para desenvolver a sua mini tecnologia do mini injetor para fornecer medicamentos antirretrovirais para a PrEP. Mais de US$ 90 milhões serão doados para apoiar o acesso ao dispositivo em países de rendimentos baixos e médios e, se for bem-sucedida, há a possibilidade de se alcançar uma série de marcos.

A tecnologia mini-Intarcia da bomba é um implante que é colocado abaixo da pele e que dispensam uma quantidade controlada das drogas a cada dia. Neste ponto Intarcia não está a planear a utilização de um determinado produto anti-retroviral no seu sistema de entrega de PrEP. Desenvolvimento de testes procurará identificar que a droga possa ser entregue em níveis suficientes para evitar a infecção pelo HIV.

Vários outros grupos de pesquisas e empresas têm relatado resultados promissores de implantes subdérmicos em ensaios com animais, embora a tecnologia do implante da Intarcia pareça ser a mais avançada. A Auritec, uma empresa do ramo da injeção autônoma de injeção de ARV, de Pasadena, recebeu financiamento dos Institutos Nacionais de Saúde para testar anéis intravaginais para injeção autônoma da PrEP, e também tem testado um implante contendo tenofovir alafenamide (TAF) em cães. O estudo de 40 dias demonstrou que o implante foi capa de manter níveis de concentração plasmática da droga 30 vezes superiores aos necessários para proteger contra a infecção pelo HIV durante todo o período do estudo.

O PEPFAR do Presidente dos Estados Unidos (Plano de emergência para o alívio da SIDA) tem também apoiado pesquisas a respeito de um implante subcutâneo para entrega de TAF, desenvolvido pela Universidade da Califórnia em San Francisco, que está ainda numa fase precoce de desenvolvimento. Um maior projeto de pesquisa, a proteção sustentada contra o HIV de longa duração (SLAP-HIV), uma parceria baseada em Chicago Northwestern University e recebeu um suporte financeiro de $17 milhões de dólares garantidos pela Agência de Saúde Americana National Institutes of Health, está trabalhando para desenvolver um implante que pode fornecer quaisquer destas drogas: cabotegravir, rilpivirine, TAF ou o tenofovir exalidex análogo atualmente a ser desenvolvido para hepatite B). Os pesquisadores também têm a esperança de que o seu trabalho conduzirá ao desenvolvimento de implantes para terapia anti-retroviral de longa ação, acabando com a necessidade da tomada de pílulas diariamente.

PrEP injetável

O desenvolvimento de PrEP injetável é mais avançada do que os implantes PrEP, e pode fornecer uma medida provisória sobre a forma de implantes que oferecem proteção para até um ano. Ele também pode fornecer proteção de curto prazo para as pessoas que precisam de PrEP longa ação, mas que, por qualquer motivo, não querem um implante. Ao contrário de implantes, que podem ser detectáveis sob a pele e, portanto, inaceitável para algumas pessoas, uma injecção é invisível para os outros e não precisa ser removida ou substituída quando a droga ativa é extinta.

A desvantagem do uso injetável de PrEP – e talvez para implantes mamários – é que as formulações de longa duração de ação foram capazes de prolongar os níveis das drogas ARV em níveis baixos no corpo por um curto período de meses, exponenciar o risco de desenvolvimento de resistência a drogas se a infecção pelo HIV ocorre.[Nota do tradutor: Já tem aparecido, e eu tenho matérias para traduzir e revisar dando nota de pacientes recém infectados para os quais os medicamentos de primeira linha não são funcionais, queimando uma etapa importante do tratamento, que pode durar décadas. Eu diria às pessoas que fazem uso de PrEP que a façam com consciência, utilizando-se dela como um fator secundário de proteção, NÃO ABANDONANDO O USO DE PRESERVATIVOS ] The ÉCLAIR study of cabotegravir as injectable PrEP Verificou que quase um quarto dos participantes ainda tinham níveis de drogas que seriam, provavelmente, capazes de impedir a infecção pelo HIV por um período de seis meses depois da sua última injeção, enquanto 41% ainda tinham níveis detectáveis subótimos neste ponto.

PrEP injetável está sendo testada em intervalos de oito semanas por injeção, exigindo uma alta frequência de consultas ambulatoriais, que pode não ser adequado a todos. [Nota do editor: há um artigo neste site que diz justamente que as necessidades de visitas constantes a ambulatórios são contraproducentes e vc pode ler isso aqui (abre em outra janela) ]

As injeções intramusculares podem também ser inaceitáveis para alguns, embora a satisfação do usuário no ÉCLAIR (fechamento) do estudo foi alta.

O desenvolvimento de PrEP injetável está focado na utilização de duas drogas, cabotegravir e rilpivirine, que também estão sendo desenvolvidos como nano formulações injetáveis de longa ação para tratamento das infecções por HIV por parte da ViiV Healthcare.

A ViiV Healthcare está trabalhando em uma formulação injetável de longa ação de terapia anti-retroviral cabotegravir, que entrou recentemente em um grande estudo de fase III nos Estados Unidos, América Latina e África em homens que fazem sexo com homens e mulheres trans.  O estudo HPTN 083, patrocinado pela NIAID (Instituto Nacional de alergia e doenças infecciosas), tem, em seu escopo, 4500 pessoas para receberem uma injeção de cabotegravir a cada oito semanas ou tomar Truvada (tenofovir/emtricitabina) a cada dia por uma média de quatro anos e meio. Os resultados são esperados em 2021 (a cura tão propalada para 2020 já foi para o vinagre, apesar do vídeo sensacionalista que levou a esta resposta da comunidade científica). Um estudo companion, HPTN 084, começará a testar cabotegravir injetável em mulheres jovens da África subsaariana ainda este ano. Resultados de um estudo de segurança de fase II (HPTN 077) são esperados no início de 2018.

PATH está testando rilpivirine injetável em mulheres sob licença do fabricante Janssen, em um estudo de segurança de fase II (HPTN 076). Tendo lugar nos Estados Unidos, África do Sul e do Zimbabué. Os resultados são esperados em fevereiro de 2017. Injeções de Rilpivirine estão sendo dadas a cada oito semanas no presente estudo.

Anéis vaginais

Anéis vaginais contendo dapivirine, um ITRNN têm sido testados em vários estudos de fase III (ASPIRE and the RING study) e encontrada para reduzir o risco de infecção por 65% em usuários consistente no ASPIRE study. Os anéis foram menos eficazes em mulheres mais jovens devido ao uso menos consistente, indicando a necessidade de métodos de ação mais estimulantes ou menos complicados para esta população em particular. O anel dapivirine é susceptível de passar por revisão de licenciamento em 2018, e a evolução futura incluirá experiências com anéis contendo outros agentes antirretrovirais, incluindo TAF e maraviroc, um inibidor de entrada de HIV. Anéis multiusos que atuam como os anéis contraceptivos e contra o o HIV PrEP são também em desenvolvimento.

Experiências de contracepção sublinham o valor de múltiplas opções

Embora os implantes e injetáveis são susceptíveis de serem atraentes para muitas pessoas, eles não substituem a PrEP oral para quem dela necessita. Algumas pessoas podem querer utilizar PrEP apenas para um curto período de tempo, ou podem gostar da ideia de uma injeção ou um implante. Lessons from contraception (este artigo será traduzido em breve) mostram que a mistura de opções representa um direito inerente a todos e fornecer essas opções com êxito, é importante e rigorosamente necessário.

Uma análise global da captação de contraceptivos demonstrou que o alargamento da gama de opções de contraceptivos aumentou o uso total da contracepção – A cada novo método amplamente disponível o total de usuários de contraceptivos, aumentou a utilização de anticoncepcionais por 4-8% entre 1982 e 2009. Estudos de contracepção sugerem que uma escolha do método suporta o acesso e a utilização.

Estudos de anticoncepcionais em populações de risco para a infecção pelo HIV mostram grandes variações no tipo de contracepção utilizado a partir de cada país para cada país, entre as mulheres que participam em estudos de microbicidas. Por exemplo, considerando que predominou, no Malauí, a contracepção injetável, a contracepção oral predominou no Zimbabué. Esses padrões históricos estão estruturados pela influência do fornecedor e do prestador de cuidados de saúde ao longo de várias décadas e podem influenciar as formas com as quais os serviços de saúde começam a oferecer diferentes formas de PrEP. Por exemplo, uma maior experiência com a contracepção injetável ou implantáveis pode levar a uma mais rápida adoção de um destes modos quando dirigidas às mulheres com maior risco de infecção.

No entanto, é importante para evitar suposições sobre qual tipo de produto será adequado para uma população específica – isso pode atuar como um fator de entrave à sua utilização posterior por outros grupos de pessoas. Por exemplo, visando uma forma particular de PrEP para os trabalhadores do sexo pode ter o efeito involuntário de fazer outras mulheres relutantes em utilizá-lo por medo de serem identificadas como uma trabalhadora do sexo. Nota do tradutor: Esta é a mais óbvia das visualizações. Imaginemos que o creme dental “I am what I am” seja lançado no Brasil e vejamos como ficariam as disposições de cremes dentais nos supermercados.

Também é importante lembrar que sem um sistema de saúde bem organizado (estão matando o SUS e este “Tramp – RSRS” está ameaçando o “Obama Care”, qualquer método de PrEP pode ter vida comercial curta). Por exemplo, se os sistemas não estão azeitados e atentos para lembrar as pessoas da necessidade de voltar ao ambulatório para receber novas injeções ou implantes, muitas pessoas deixarão de ser protegidas.

 

Traduzido por Cláudio Souza do original em  Implants and injectables: PrEP in the future

Keith Alcorn

Publicado no AIDSMAP

Revisado por Mara Macedo

 

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Sobre Claudio Santos (515 artigos)
Depois de passar quatro décadas tentando estabelecer pelo menos um armistício com meu pai e ver as falhas ocorrerem sistematicamente, tentativa após tentativa, eu desisti do sobrenome “de Souza”. Estava me preparando espiritualmente para isso quando uma amiga locupletou a façanha de descobrir onde está minha mãe... Cláudio Santos. Quem preferir, aluda-se a mim como o Cláudio do Site,ou Cláudio do Soropositivo.Org, ou ainda aquele da promessa não cumprida: Cláudio, o trouxa do livro que acreditou em "palavra emprenhada". Eu mostro meu rosto, embora alguns me censurem, porque, no meu modesto ponto de vista, ser portador de HIV não é crime e, portanto, não há do que me envergonhar. Eu contraí HIV pela via sexual. Eu fui um DJ e, durante cinco anos fui DJ no vagão Plaza e durante uns outros dois fui DJ do Le Masque. Lá, um filho da puta me pediu para fazer minhas férias e puxou meu tapete. Aí fui parar na "Segredos", uma casa gay e, de quebra, morei lá por um tempo. Rua da Amargura, onde R.A. Gomes me colocou. Mas dei a volta por cima e fu trabalhar na SKY. Depois, na Pink Panther, em Santos e, enfim, na XEQUE Mate e, terminei minha carreira, aquele que fora três vezes considerado o Melhor DJ de São Paulo, como um apagado DJ do La Concorde e do Clube de Paris, onde conheci uma das mais belas mulheres com quem convivi e a perdi. Conheci alguém novo, uma mulher, "do dia", que me apresentou esta Entidade, o computador e, por muito tempo vivi de consertá-los. Sei, hoje, que ainda há muita gente que me odeia. Quer saber? Get them the hell and fuck off porque eu não dou a mínima. Simplesmente faço meu trabalho e me reporto a Deus... E pra quem não acredita em resiliência, eis meu histórico médico De acordo com o que preceitua o Código de Ética Médica, nos termos da legislação vigente e de conformidade com o pedido formulado pelo interessado, declaro que o Sr Cláudio Santos de Souza, matrícula no serviço sob registro RG3256664J, está em acompanhamento regular com seguintes diagnósticos/CID-10 até o presente momento: #HIV/Aids diagnóstico em 11/1996 (B24) #Candidíase oral 1996 (B20.4) #lnfecção latente tuberculosa tratada com Isoniazida em 1997 (Z20.1) #Arritmia cardíaca: bloqueio parcial ramo D/bradicardia sinusal por antidepressivos tricíclicos em 2006 (I49.9/R00.1) #Depressão (F32) Dislipidemia (E78.5) Diabetes (E14.) Obesidade (E66.) #PO tardio de gastroplastia redutora (técnica Capella 10/2011) #Embolia Pulmonar (126.) em 2011 + hipertensão pulmonar #HAS (110) controlada após cirurgia bariátrica Catarata (H26.9) #Sífilis (A51.0) gonorréia (A54.0), herpes genital (A60) Litíase vesicular (K80.5) #Trombose venosa profunda/tromboflebite MMII de repetição (182.9): 2008, 2009 e 2010 #lntervenção cirúrgica em 21/01/2013: de herniorrafia incisional abdominal, apendicectomia, colecistectomia #Herpes zoster ramo oftálmico 04/2015 (B02) 2 # Neuropatia periférica em membros superiores e inferiores (G62.9), acarretando fraqueza muscular, parestesias e dor, medicado e em seguimento pela equipe de dor #Angioma cavernoso cerebelar - em seguimento com neurologia Tratamento: TDF+3TC+ATVr, ezetimibe, alopurinol, AAS, atorvastatina, enoxaparina, clomipramina, risperidona, zolpidem, clorpromazina, flunitrazepam, gabapentina, amitriptilina, metadona Últimos exames: CD4=1070 (28%)/CD8=1597 rel=0,67 (08/03/2015) e Carga viral- HIV(PCR)

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