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Relatada 2ª Falha de PrEP Devida à Resistentência Medicamentosa do HIV

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.Mais uma falha de PrEP devida a uma cepa viral resistente ao truvada!

Um usuário da PrEP na cidade de Nova York tornou-se soropositivo com um vírus que é resistente à Truvada e a outros medicamentos anti-retrovirais, de acordo com um relatório apresentado na conferência de HIV Research for Prevention (HIVR4P 2016) em Chicago.

É o segundo caso que foi relatado, destacando a raridade de infecções por HIV entre pessoas que aderem à PrEP.

O homem parece ter adquirido o HIV de um parceiro masculino casual que teve vírus com múltiplas mutações de resistência.

Estas resistência incluíam algunas resistêntes ao tenofovir e à emtricitabina, componentes do Truvada.

O homem que adquiriu o HIV relatou não usar preservativos ao assumir o papel insertivo. 

E assim o foi com 2 parceiros casuais enquanto usava a PrEP.

Ele também teve sexo sem camisinha com seu parceiro principal, que é soropositivo e possui uma carga viral indetectável.

Testes filogenéticos mostraram que não havia relação entre seu vírus e o de seu parceiro principal, então ele deve ter adquirido o HIV de fora do casal.

 

PrEP não é bala de prata

Howard Grossman presenting at HIVR4P. Photo by Roger Pebody / aidsmap.com

Howard Grossman, agora na Cleveland Clinic, na Flórida, disse que o caso envolveu um homem gay de vinte e poucos anos que testou o HIV negativo muitas vezes antes de começar a PrEP em 1º de janeiro de 2016. Enquanto o homem já usara preservativos com o parceiro HIV positivo, ele não fez isso depois de começar a PrEP. Em meados de fevereiro e no final de março, o casal teve trios com 2 parceiros casuais diferentes.

O usuário da PrEP relata que só teve relação sexual anal insertiva sem um preservativo com parceiros casuais.

Ele não teve relações sexuais receptivas.

O homem perdeu uma visita de acompanhamento agendada, mas fez uma consulta no início de maio.

Nessa ocasião, o teste de diagnóstico de 4ª geração (antígeno e p24 antígeno) foi reagente.

Também no teste de amplificação do ácido nucleico (NAAT).

Que é um teste de tipo de carga viral que detecta diretamente o material genético do HIV.

No entanto, o teste convencional de RNA do HIV usado para carga viral não era reativo.

Em outras palavras, não detectou nenhum sinal de infecção.

Quando os testes foram repetidos duas e cinco semanas depois foram reativos, mas indicaram uma carga viral indetectável!!!

Isso é incomum durante a infecção precoce pelo HIV e tornou a situação mais difícil de interpretar! 
Tanto o homem quanto seu parceiro insistiram que ele tinha sido 100% aderente à PrEP.

Houve boa aderência à PrEP conforme foi provado no sangue seco

Os testes de manchas de sangue seco e amostras de cabelo mostrou níveis de fármacos indicativos de boa aderência!

Havia aderência suficiente de Truvada nos 30-60 dias anteriores.

No entanto, isso ocorre após o período durante o qual o homem relatou sexo com parceiros casuais.

Não há dados biológicos objetivos para avaliar a adesão do homem durante fevereiro e março.


Em vez de ser um caso de falha de PrEP por má adesão, o vírus transmitido tem múltiplas mutações!
Incluindo aqueles que conferem resistência aos componentes do Truvada.

Os testes de resistência mostraram que o vírus do homem possui resistência à maioria dos inibidores nucleósidos / nucleotídicos da transcriptase reversa (NRTIs, a coluna vertebral do tratamento do HIV).
E também como vários inibidores de transcriptase reversa não-nucleósidos (NNRTIs).
Isso é devido às mutações K65R e M184V, que oferecem resistência de alto nível ao fumarato de tenofovir.
Bem como à emtricitabina (Emtriva), lamivudina (Epivir), abacavir (Ziagen) e didanosina (Videx).

As mutações K103S, E138Q e Y188L conferem resistência de alto nível ao efavirenz (Sustiva), rilpivirina (Edurant) e nevirapina (Viramune); Outras 13 mutações foram identificadas.

Como resultado, o homem recebeu um regime intensivo de drogas, adicionando os seguintes medicamentos:

  • inibidor de integrase dolutegravir (Tivicay)
  • o inibidor de protease darunavir (Prezista),
  • e o “booster cobicistat, que impulciona ao Truvada existente.

Carga Viral Detectável – Não um Blipe viral

Grossman disse que a manutenção do tenofovir e da emtricitabina provavelmente seria melhor do que não ter um elemento NRTI. O homem está bem nesse tratamento e ele manteve uma carga viral indetectável.

A análise filogenética mostrou que as cepas virais do homem recentemente infectado e as de seu parceiro primário HIV positivo não estavam relacionadas. É provável que o homem tenha adquirido o HIV de um dos parceiros ocasionais; é plausível que este homem estivesse no estágio agudo da infecção com uma carga viral alta ele mesmo.

“O paciente ficou infectado com uma variante de HIV-1 resistente a vários medicamentos, apesar da adesão à PrEP”, concluiu Grossman.
O caso tem algumas semelhanças com o primeiro relato de caso de falha da PrEP , relatado no início deste ano. Isso também envolveu a aquisição de HIV que era resistente a múltiplos medicamentos.

Grossman disse em uma conferência de imprensa que não há motivo para pensar que a Truvada PrEP proteja contra vírus que já são resistentes aos seus medicamentos. No entanto, ele disse que tais casos de resistência são extremamente raros. Muito poucas pessoas com HIV recém-adquirido transmitiram resistência ao tenofovir e à emtricitabina; A resistência a outros medicamentos anti-retrovirais que não são utilizados como PrEP é mais comum.

Uma taxa de falha muito baixa diz o autor…- E no entanto, é uma falha e isso dentro de um Universo onde as falhas comprometem, de uma forma ou de outra, vidas humanas. E eu, o editor deste blog penso que as coisas, antes de se tornaram grandes, começam pequenas. Quantos ele terá infectado com esta cepa resistente antes de ser diagnosticado? Ele vai parar agora?!!! … (…) … Ou vai participar de “festas bareback”? É uma pergunta pertinente, dado o caso, pois a pessoa parecia agir como se fosse invulnerável, o próprio super homem! Ele não tinha a menor preocupção com sua própria saúde! Terá ele alguma consideração com a de outras pessoas? Eu n]ao sei… Mas estas perguntas estão prenhes de outras questões…

Ele também disse que 2 relatórios de infecção no contexto de talvez 100.000 pessoas que tomaram a PrEP representaram uma taxa de falha muito baixa.
O que mais podemos aprender com o caso? Grossman observou que o homem só relatou assumir o papel de inserção com seus parceiros ocasionais. Há um “mito na comunidade” de que “as cúpulas não contraem o HIV”, disse ele, que este caso desafia.

Ele também notou a dificuldade de interpretar os resultados do laboratório no caso. Ambos os testes de carga viral convencionais e o teste Multispot HIV 1/2 (usado para distinguir entre HIV-1 e HIV-2) não conseguiram retirar a nova infecção.

Grossman pediu a experiência e capacidade de laboratório de Martin Markowitz do Aaron Diamond AIDS Research Center e Robert Grant da Universidade da Califórnia em San Francisco para ajudar a gerenciar o caso. É necessário que haja formas para os provedores PREP da linha de frente que estão lidando com casos incomuns para acessar esse tipo de recursos, disse ele.

Acompanhamento de Soroconvertidos. 

 

Outra apresentação na conferência abordou a questão da resposta imune e do set-ponto viral das pessoas que adquirem o HIV, apesar da provisão da PrEP. Eles ainda podem tomar alguns medicamentos PrEP durante os estágios iniciais da infecção.

Talvez níveis mais baixos de antirretrovirais prescritos como PrEP possa afetar o curso de infecção…

Por um lado a terapia antirretroviral intensiva bem cedo na infecção pelo HIV, diminui o ponto de ajuste viral e reduduz o tamanho do reservatório viral latente.

E isso tem o dom aparente de atrasar a progressão da doença.

É plausível que a presença de níveis mais baixos de antirretrovirais prescritos como PrEP possa afetar o curso de infecção.

Deborah Donnell analisou os dados do estudo randomizado dos Parceiros PrEP de casais heterossexuais sorodiscordantes na África Oriental, em que 138 participantes adquiriram o HIV. Cerca de metade estavam no braço placebo, enquanto muitos outros tinham adesão pobre ou inconsistente à PrEP. Os casos de aquisição de HIV na PrEP são assumidos como devidos a uma adesão fraca, em vez de uma falha na PrEP.

Os níveis de truvada nos indivíduos soroconvertidos em PrEP!

Comparando soroconvertidos com níveis detectáveis ​​de fármaco no sangue para soroconvertidos sem drogas detectáveis, Donnell descobriu que o desenvolvimento de respostas de anticorpos (como indicado pelo estágio Fiebig, que mede os 6 estágios da soroconversão do HIV e o tempo que leva para passar por cada estágio) foi um pouco mais lento, mas as características da resposta de anticorpos foram inalteradas.

Latência laboratorial na detecção da PrEP!

Além disso, demorou um pouco mais para algumas pessoas que tomaram a PrEP para ter sua infecção diagnosticada usando testes rápidos. Uma minoria de casos levou mais de 90 dias. Testes rápidos podem perder casos de infecção aguda, especialmente após a PREP.

A carga viral inicial de pessoas com níveis detectáveis ​​de drogas em seu sangue foi ligeiramente menor!

Finalmente, a carga viral inicial de pessoas com níveis detectáveis ​​de drogas em seu sangue foi, em média, ligeiramente menor – provavelmente devido à supressão viral enquanto tomava a PrEP. O ponto de ajuste viral (a carga viral média nos meses após o período de infecção primária) foi menor em pessoas que tomaram alguma PrEP em torno do tempo de aquisição do HIV; Isso persistiu depois de parar a PrEP.





Traduzido por Cláudio Souza do original em Second case report of PrEP failure due to drug-resistant virus

Revisado por Mara Macedo

Fontes

H Grossman, P Anderson, R Grant, et al. Infecção HIV-1 recentemente adquirida com HIV-1 resistente a múltiplas drogas (MDR) em um paciente em PrEP baseada em TDF / FTC. HIV Research for Prevention (HIVR4P 2016). Chicago, 17 a 21 de outubro de 2016. Resumo OA03.06LB.
DJ Donnell, EM Ramos, JM Baeten, et ai. O efeito da profilaxia oral pré-exposição na progressão da soroconversão do HIV-1. HIV Research for Prevention (HIVR4P 2016). Chicago, 17 a 21 de outubro de 2016. Resumo OA03.01.
KT Thomas, DJ Donnel, JM Baeten, et al. Nível do ponto de ajuste do RNA do HIV após a infecção durante a PrEP: uma comparação controlada por placebo. HIV Research for Prevention (HIVR4P 2016). Chicago, 17 a 21 de outubro de 2016. Resumo PD04.05.

Whats app de Cláudio Souza no Soropositivo.Org

17 comentários em Uma visão geral de Sustiva (Efavirenz, Stocrin)

  1. Claudio, parabéns pelo site e pela sua vida que é inspiradora. Nunca me preocupei com sexo oral em relação ao HIV. Mas depois desses alarmes todos na internet passei a ficar neurótico. Sou casado e saí com uma garota de programa dessas mais caras, fiz sexo protegido, mas alguns segundos de oral nela. Me senti péssimo depois, primeiro pela culpa (apesar de ter sido algo unico na minha vida e que quis experimentar), depois fiquei inculcado como iria esconder da minha esposa, já que fazemos sexo sem camisinha. Fiz exame de gonorréia e não deu nada. Alguns amigos e um médico clinico geral disseram para não me preocupar, e acabei fazendo sexo com a minha esposa no vigésimo nono dia depois da exposição. Me sentindo culpado (pq poderia fazer o teste em 30 dias, apenas 1 dia depois), decidir ir ao CTA. Consegui uma brecha no dia seguinte, por sorte (com a neurose extrema de que se eu tivesse contaminado ela poderia ainda tentar a PEP pra ela). Deu não-reagente e a aconselhadora disse que no meu caso não precisaria retornar se eu não quisesse. Liguei no disk aids e me falaram que é definitiva a janela de 30 dias. Fico pirando de repente ter alguma doença que dê falso negativo ou mesmo de contar logo pra minha esposa e poder fazer outros exames sem esconder dela (porque trabalhamos juntos e é dificil estar longe dela). Claudio, o que vc pensa disso? Devo esperar pra completar os 60 dias e tentar não expor minha esposa mais a riscos, devo fazer um teste de quarta geração em 45 dias (faz na sexta agora), caso consiga uma brecha. Ou desencano? Na verdade, nem estou preocupado mais comigo. Se eu tivesse solteiro, estaria tranquilo. Sei que as condições de transmissão são minimas, mas o fato de não ter um 100% de segurança assegurado deixa a gente mal. Pra piorar a gente vê sites de médicos na primeira página do google falando para aguardar 90 dias (exames de quarta geração) ou 180 (terceira)!

  2. existe uma maneira de acontecer uma janela imunológica de tipo vários anos? tipo 2 ou 3 anos?

  3. Os teste rápido dos CTA é seguro e confiável uma janela de 108 dias?

  4. Tenho uma dúvida. Fazendo uso do PEP, a janela de 30 dias, seria possível ser mascarada pelo uso da medicação ? Exemplo, fiz o uso do PEP, após 30 dias da exposição meu exame dar um falso positivo ?

    Por que o ministério da saúde pede acompanhamento até 90 dias para quem faz uso do PEP ?

    • Eu não sei como responder isso e gostaria de ter o link onde o Ministério da Saúde preceitua isso. O texto Janela Imunológica, os fatos, teve a parte técnica escrita por profissionais de saúde do CRT-A em São Paulo e é o que posso lhe oferecer neste link: https://soropositivo.org/2015/08/18/janela-imunol

    • Eu não teria como responder a este questionamento. Eu não sou médico 🙂 e seria temerário (com o perdão da má palavra, dizer qualquer coisa a respeito. Eu sugiro que você procure um médico “fisicamente falando” e buscasse melhores recomendações. 🙂

  5. lembrei cardoso // 2017-11-07 às 16:48 // Responder

    Eu quero saber quem foram os autores desta lei e pedir p eles entrarem de sola na PMMG e no Juiz q indeferiu minha liminar.

  6. lembrei cardoso // 2017-11-07 às 16:45 // Responder

    pode um juiz dar um parecer para um concurso da PMMG alegando que o portador de HIV é incapaz de entrar na PM? esse juiz deveria ser preso?

    • Tandrinium // 2017-11-08 às 07:02 // Responder

      Olá, bom dia! Difícil eu saber responder à sua pergunta, porque vc fez o cometário em Uma visão geral de Sustiva (Efavirenz, Stocrin). Vc poderia fazer a gentileza de cometar na página correte ou dar o link da mesma? É literalmente impossível conhecer todo o conteúdo do meu blog com base no que vc escreveu. Mas uma coisa eu posso dizer, vc tem de passar no exame médico da PM

  7. Olá!
    Passando só pra agradecer pelo texto explicativo, tirou monstros da minha cabeça. Têm uns 65 dias que tive uma relação desprotegida, fiz o uso da PEP e mesmo assim ainda reproduzir todos os sintomas da fase aguda do HIV. Após 60 dias fui a um CTA e fiz os testes, que deram não reagente. Mas eu não queria aceitar o não reagente porque li em oitros sites sobre 90 e 120 dias conversão. Tô bem mais calma e grta.

    • Tandrinium // 2017-10-19 às 19:12 // Responder

      Oi Emanuela, boa tarde. fique, sim, mais tranquila, mas menos descuidada. Use sempre camisinha e talvez isso seja melhor e, sem falsa modéstia, eu tenho excelente suporte clínico quando se trata de produzir informações que buscam melhorar as condições de vi** de seres humanos. Eu mantenho este site há quase 20 anos, e sou soropositivo há quase 23. Não é assim tão simples.

      Fat: Há, sim, vi** com HIV. Mas é bem melhor viver sem ele

    • Tandrinium // 2017-10-30 às 20:11 // Responder

      Olá Emanuela. Boa noite. Fico feliz por saber que o blog soropositivo.org tenha sido útil para ti e que tenha removido dúvidas e sofrimento. Eu me coloco à disposição para quaisquer dúvidas!

  8. Liz. Eu acabei de ver sua mensagem. Eu entendo sua situação e quero tentar ajudar. Meu zap está no final de cada texto, mas eu passo ele para vc por aqui. +
    Estou saindo para ir ao suermercado e evito exibir o celular em péublico. De mais a mais eu não tenho condições neurológias de digitar no teclado do smarth phone e não sei se te seria conveniente o áudio
    Seja como for, se quiser, me adicione. Eu devo estar desocupado entreb90 e 120 minutos
    [wpedon id="134109" align="center"]

  9. Olá Boa noite! Descobri recentemente que sou reagente positivo, não sei dizer oque aconteceu, iniciei o tratamento com o dolutrgravir, e é um dia do nada, me deu vontade de tomar todos os remédios. Tentei um suicídio.
    Eu era uma pessoa super tranquila, agora estou tendo crises horríveis de ansiedade, medo… aperto no coração e sensações que não sei explicar. Se puderem me ajudar à entender pq está acontecendo cmg por favor! To com medo de tentar outro suicídio.

  10. Ola por favor tenho uma duvida! É o seguinte tive relação desprotegida com uma menina, e tive febre, mal estar, corrimento no penis e minha urina ficou muito amarelada com mau cheiro, tive dores na articulação, vermelhão na pele. Com tanto medo fiz o exame e o medico disse que estou com gonorria, depois do tratamento fiz teste de VIH com 60 dias e deu negativo. Por favor posso ficas tranquilo com este resultado do hiv..

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