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Tocando o Enterro… – Eu Já Tive Pressa

Uma pessoa me procurou pelo whats app e me disse algo mais ou menos assim:

 

A vida é curta para se guardar magoas das pessoas, não abraçar e não dizer o quão importante são.

O amanhã pode não chegar e vc não disse o que queria… Eu comecei a responder e, quando vi o tamanho do texto, pensei que ele poderia, e aqui está, “render um post” (sic). E eu trouxe o início da resposta e continuei “o trabalho”, como se segue abaixo:
   

Eu sei que a qualidade da foto é péssima, mas eu gosto dela, pois retrata um momento raro, onde, apesar dos pesares do passado, eu ainda consigo, mesmo que de vez em quando, sorrir

Não é apenas o amanhã que não pode chegar. Não sabemos, a cada segundo, se teremos outro e, sim, o HIV nos modifica e ensina-nos humildade. A mim, que apareci e fui “descoberto publicamente” o HIV também mostrou quantos amigos eu, na verdade, não tinha. E esta é uma triste dor. Bipolaridade. Eu passei um tempo sob tratamento para o dito Transtorno Afetivo Bipolar e, de quebra, um segundo diagnóstico, na minha opinião, gravíssimo: “Transtorno da Personalidade Limítrofe”. O popular pavio curto (eu dei um tapa no rosto de uma pessoa que tentou furar a fila num dia de grande revolta e ele girou duas vezes antes de se estabacar “no solo” como só uma piorra poderia fazer (…). Isso, a Personalidade Limítrofe, fazia com que eu não pensasse nem por um segundo e, assim, mandei uma de minhas patroas se FO***. Felizmente ela sabia que eu estava há quase 2 anos sem férias e me deu um desconto. Outros, a esmagadoríssima maioria, não foi tão generosa e este perfil psicológico, hoje assaz abrandado, me gerou um sem número de inimigos e, mesmo hoje, quase 30 anos depois, eu simplesmente ainda tenho algumas pessoas que me odeiam e eu não posso a dizer elas:

“Desculpe-me, eu sofria de um transtorno psiquiátrico!!! Foi sem pensar que eu te dei aquele soco”…

 A verdade é, “what done is done. O que está feito está feito” e eu sei bem o que fiz e entendo, perfeitamente, o que eles sentem porque, no crescimento da minha reforma íntima, ainda não terminada e que certamente não conseguirei fazer nesta vida me trouxe “a coisa” que possibilitou que você me encontrasse: “Empatia”. É fácil para mim entender os quês e porquês de as pessoas me procurarem quando têm medo, na verdade estão aterrorizadas (o nível de desinformação é elevadíssimo) e que creem que, depois de quatro semanas, já estão sujeitos (e nem sabem se portam HIV) a doenças oportunistas e, por mais que eu tente, tente, tente e tente, as pessoas parecem não conseguir recuperar a razão pura e simplesmente porque estão “aterrorizadas”. Mas aterrorizadas com o que? Veja só. Parece-me, e só me parece, que todo mundo sabe que a infecção por HIV tem tratamento…, mas sabem mesmo?

Se não sabem, tirando de lado aqueles que contraíram HIV acidentalmente, porque eu, por exemplo, me contaminei incidentalmente…

Não?

Ora, pois… Eu vivia de “namorada em namorada” há mais de uma década e, salvaguardadas as moças que, muito poucas, exigiram o preservativo, o resto (…)… Bem, o resto não falou nisso e eu nem me preocupei com camisinha… foda-se eu pensava, embora soubesse que isso existia e eu falo disso em outro post, e acabei contraindo HIV! Não foi acidentalmente. Acidentalmente é quando a camisinha estoura e ninguém busca a PEP por NÃO SABER QUE ELA EXISTE. Pois se você sabe que a PEP existe, a camisinha estoura e você não busca a PEP e soroconverteu (eu não sei o porquê de vocês “gostarem tanto deste vocábulo”: “Soroconversão”) … E o que é ainda pior, se deixam povoar por páginas que falam em soroconversão tardia, ou como o filho da puta maldito que diz, na página ridícula dele, que “se a relação é anal a janela imunológica é de três anos”. A verdade é que ele é um homofóbico maldito e filho da puta e ***filho-da-putamente-maldito*** que, na verdade, não consegue, e eu já vi isso com pessoas que chegaram a atirar – réu confesso – a lançar UM PARALELEPÍPEDO EM UM GAY, sair do armário… Mas eu já estou tomando outra direção e se “TODOS” Sabem que há tratamento e que se o tratamento for seguido de fio a pavio, com pelo menos 95% de adesão (vc poderia, em tese, segundo me informou uma profissional da Casa da AIDS, quando ela ainda era na Rua Frei Caneca, perder, ou deixar escapar, uma única vez num prazo de 30 dias.

Eu escrevo isso sem medo porque, eu digo, por mais que eu confie nela, e eu confio cegamente nela porque sei quem ela é, não arrisco esta perda estes 5%.

Então, em síntese, com variações de dificuldade para começo de tratamento, isso que minha médica me disse que é a ***“pontinha do iceberg que é a infecção por HIV desde o momento em que ele ganha acesso ao nosso corpo”*** (…) …

A verdade é que o terror é outro. Vejam esta frase que eu já ouvi:

– “Não é por mim… É por minha esposa e minha filha (com quem ele faltou à lealdade e só Deus pode julgar isso), mas elas não “têm culpa, elas não merecem” … Está dito; Eu, Cláudio Souza, as trinta milhões de pessoas que morreram e as outras, por agora, trinta e cinco milhões de pessoas que portam e vivem com HIV ou AIDS, salvaguardadas (eu não gosto de usar muito esta palavra, mas é a que melhor cabe) as exceções inocentes, merecemos! Eu teria de ir ao Facebook e perguntar a mais ou menos umas quatrocentas pessoas se elas me permitiriam que as listasse aqui, com foto e link para seus perfis, se elas permitiriam que eu as listasse na lista de pessoas que merecem estar com HIV”.
É disso, em síntese, que estas pessoas têm medo e, embora a acidez deste trecho do texto, eu as compreendo porque sim, eu já temi este julgamento e cheguei a desenvolver uma triste psicose que me levava a acreditar que qualquer pessoa que olhasse para mim saberia, incontinenti, que eu era, rs, rs, na verdade eu sou, portador de HIV. E por conta disso eu quase me joguei em baixo de um ônibus ali em frente ao teatro Municipal, em São Paulo, e só não consegui êxito porque uma pessoa, na verdade uns guarda roupas, percebeu meu intento e me deteve.

Não estou bolinando

Bus and truck in motion blur on the highway at sunset

Eu não estou bolinando perversamente as pessoas que estão aterrorizadas com este julgamento… Eu sei como é… Uma vez, há muito tempo, houve um caso no Rio de Janeiro, onde uma pessoa soropositiva entrou no ônibus com sua carteirinha de isenção tarifária e o excomungável motorista o inquiriu sobre o porquê da carteirinha… O moço disse:

– “Tenho AIDS” …

E o Inferno, e os Céus, pela mão do motorista,desabaram sobre ele, como nem Obelix poderia temer e o pobre do moço, quase que totalmente desvalido no que tange à capacidade de reação e autodefesa, acabou não conseguindo entrar no ônibus e, felizmente, duas almas dignas desceram do ônibus e o levaram ao distrito policial, o moço, que prestou queixa e recebeu umas duas dúzias de milhares de reais que, francamente, mal ‘e má, compensam uma coisa destas, se é que compensam.
Bem, se fosse eu, daria um soco na cara dele. Mas teria de ser o eu que está aqui com vocês agora, e não o eu apavorado e espaventado de medo que tinha acabado de descobrir que vivia com HIV e que morava numa casa de apoio que era, eu atesto e dou fé, um cenário que nem Stephen King poderia descrever em seus livros, alguns bons, outros medíocres e outros ainda lastimáveis que geraram filmes absurdamente ridículos como cemitério maldito e outros de triste profundidade e de profunda tristeza, como “À espera de um milagre”… (Estaria eu à espera do meu?)   Observe que este é um acontecimento do final do milênio anterior e eu ainda me recordo disso… E eu não sei o que pensar da _vítima_ (???)   IMPORTANTE: Eu estava distendendo este texto quando resolvi citar o blog de um amigo e não pude encontrar. Caí em mim e não pude prosseguir, e nem deixar os raciocínios aqui, pois estavam incompletos e eu passaria pelo segundo tribunal eclesiástico de minha vida. Eu deixo apenas a parte final do enxerto que faria e desisto por aqui, por enquanto…   Talvez seja melhor você ver algumas páginas neste blog e buscar compreender melhor a AIDS, entender o que é CD4, Carga Viral e o que são, quais são e como ocorrem as doenças oportunistas, usar a busca do site e escrever buscas simples como “HIV”, “AIDS”, CD4 e outras, assim, simples, que te levariam a um maior entendimento das coisas… e, naturalmente, você poderia procurar em outros blogs e sites, eu fui procurar o blog de um amigo “Prazer XXXXXXXXX” e não o encontrei mais…   ☹ ☹ ☹… Não gosto nem de pensar no que pode ter acontecido e este enxerto, que eu estava fazendo para colocar no site, por hora, para por aqui… Eu quero muito estar errado, mas temo ter perdido um amigo… O que segue abaixo é parte que já estava pronta e eu já agendei a publicação e não vou evitar que isso entre online

 

Praça da República – São Paulo (SP) – 05.06.2011 – Geral – Vista da Praça da República, na região central da cidade. Foto: Priscilla Vilariño/SPTuris
Praça da República. Ela já teve uma reputação que era pejorativa. Indene a tudo, eu nunca deixei de ser que eu era e, creio, eu fui caminhando, de um lado para o outro e do outro para ainda outro, mas sempre em torno da Praça da República que foi, mesmo que eu não soubesse, o “lar” em que a Vida me educou, da forma que ela podia, gerando, de um forma ou de outra, esta pessoa, excessivamente complicada, desconfiada, e muitas vezes assustada mas que faz como Paulinho da Viola prescreveu: “Faça como o Velho Marinheiro, que durante o nevoeiro, leva o barco devagar”

 

Eu não vou mentir e dizer que a vida com HIV é como “um passeio à praça”. A bem da verdade viver com HIV está muito mais parecido com as filas daquelas pessoas que, agora, só agora e finalmente agora, decidiram-se a tomar a vacina da febre amarela. Depois de muito nem te ligo” e muita omissão do Geraldão, que eu não sei como ele se elege e reelege, o que sei é que eu sinto que passei minha vida sobrea batuta des…, e como eu dizia, afinal e finalmente veio, e veio mesmo, o pânico e todo mundo está correndo em desespero para se vacinar e, ontem mesmo, já houve “caso de polícia” por conta da vacina

 

Com o HIV, seja na ponte em que se atravessa lenta e dolorosamente com a dúvida cruel, ó dúvida cruel da janela imunológica eterna, ou na sala dos “já que afinal e finalmente diagnosticados”, se conjuga o verbo temer (perdão pela má palavra, Catso esta é uma palavra italiana que vc pode ), o verbo arrepender, o verbo sofrer, o verbo duvidar e o verbo desesperar, o verbo sufocar e os adjetivos horrorizados, desesperados, assustados, apalermados, perplexos, surpreendidos e, às fevez, racionais, que sabem com toda a certeza que, assim, como eu, vivendo como vivi, só tinha de dar nisso, mas não em acabar nisso. Muitos são aqueles, mas nem todos, que acabam conseguindo chegar a esta condição de entender que foi o “modus vivendi” deles que os levou a isso, e muitas são as esposas que habitam, ilusoriamente, no clima da tranquilidade e segurança, quando se descobrem capturadas em uma armadilha armada, montada e preparada com cinismo, mentiras e hipocria, por seus maridos. 👿  É a Puta que os Pariu!!!!

Bem, é como eu disse… O que está feito, está feito.

Parece pouco, bem sei… Mas na escuridão mais assustadora, fósforo aceso é réstia de luz

Eu assisto a algumas séries da Netflix, e recomendo Downton Abbey e “Godless” ( a história de redenção de um homem com o qual, pretensiosamente, eu me identifiquei, e vejo às vezes um personagem que para, diante do desastre iminente e que olha, através do fio tênue da  lâmpada da memória (Vinicius de Moraes) e olha para aquele momento, onde ele tomou, porque quis ou porque não havia mais o que fazer, uma determinada decisão e pensa, desesperadamente na ânsia de poder ter a oportunidade de voltar no tempo e “avisar a si próprio” para que não cometa “tal erro” (isso geraria um paradoxo impossível de se deslindar onde a pessoa que volta simplesmente, para dar a você que me lê uma base para suas ilações, não poderia existir porque o aviso, uma vez seguido, extinguiria o precursor do alarme…) e, eu tenho certeza, não nos é factível voltar no tempo, pois só Barry Allen pode checar em “Mach 3”… E a cada vez que ele vai lá e altera algo, mais uma vez, e mais uma vez ele só aumenta a merda que ele espalha, tentando “ajudar”…

Enfim, depois que contraímos HIV tudo o que nos resta é exatamente isso:

“Aceitar sua vida como ela é e procurar melhora-la com paciência” (Emmanuel por Chico Xavier) e, como dizia meu irmão, a quem tanto eu amei e me apunhalou pelas costas, me disse que tínhamos de tocar o enterro, numa metáfora impressionantemente correta que diz que o enterro (eu prefiro sepultamento) é algo que, uma vez iniciado, terá de ser tocado até o fim, por mais que nos doa sepultar a pessoa que tanto amamos porque não podemos “simplesmente larga-las aos abutres e outros carniceiros” (que triste visão).

Cremação
Se meu desejo não fosse o de ser cremado, e eu insto a todos os que me lêem a fazer valer este desejo nem que seja preciso fazer a fogueira, preferencialmente na Praça da república. Mas… se eu não quisesse ser cremado, não gostaria que fosse um funeral triste, e, por Deus, não façam isso… Sem aplausos, pois eu vejo tanto desta coisinha clichê na tevê que eu me recuso, perdoem-me os que pensam diferente, eu quereria apenas, e tão somente uma vela perto das cinzas, depositadas perto (lágrimas) do lago mostrado acima, por favor Maria Luísa, ou simplesmente Malu, não me dê tão temida desdita e, se possível, uma ban, como as de funerais de Nova Ooleans, tocando Jazz e (por que não) um Blues, o do Cazuza: O Blues da Piedade… Porque, se eu tiver partido, eu terei ido feliz, por ter, aqui e agora, a leve impressão de que estou, sim, fazendo a coisa certa o tempo todo, sem nem mesmo saber o que ou uem me conduz, e uma vela, para iluminar meu caminho naquilo que eu, creio, espero e anseio, que seja a minha volta ao Lar, Amada Maria de Nazaré

E é mais ou menos isso. Nada nos resta senão tocar o enterro, um dia de cada vez e, em momentos de maior angústia, talvez toca-lo na taxa de um segundo por vez, lenta e paulatinamente até que todas as possibilidades se esgotem, e nós não temos como prever ou ao menos imaginar como, quando ou onde isso termina (se é que termina) e, mesmo assim, continuar vivendo, fazendo planos para o futuro, como o meu já anunciado desejo de ver como será a minha cidade amada, São Paulo, completar 475 anos, se, dentre outros fatores, este louco: Kim Jong-un,não apertar o botão que ele diz ter em sua mesa (guardai-nos disso Senhor!), e aquele outro FDP, (pato?) Donald Trump, também não fazer nenhum “trepeça” maior do que as que ele tem feito sistematicamente.

 

Vamos viver, porque é bem como o Gonzaguinha: Eu fico com a pureza da resposta das crianças, é bonita, é bonita e é bonita!… No gogó…

 

E é bem isso. Não tenha aquela tristonha tristeza de ser um Eterno Aprendiz!

 

Jesus disse à multidão:

-“Sois deuses”…

E Saulo de Tarso ratificou

-“Somos irmãos do Cristo e, por tanto, Coerdeiros do Cristo”

 

Pensem um pouco

😊

 
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Sobre Claudio Souza do Soropositivo.Org (507 artigos)
😍😍😍😜💫☮Sim, este da foto sou eu ! Minha sobrinha pediu que eu pusesse esta foto m meu perfil !.... Eu tinha aqui uma descrição a meu respeito que, uma pessoa classificou como “irreverente”. Esta é, realmente, uma forma eufêmica de classificar o que estava aqui. Tudo o que sei é que uma “ONG”, que ocupa um prédio de 10 andares estabeleceu uma parceria comigo, e eu tenho os logs do tempo de parceria, que foi mais um vampirismo pois, para cada 150 pessoas que saiam do meu site, clicando no deles, havia, em média, um que entrava. QUANDO ENTRAVA E SE ENTRAVA

3 comentários em Tocando o Enterro… – Eu Já Tive Pressa

  1. Muito bom o texto, gostei muito.

1 Trackback / Pingback

  1. Contato pelo Whats APP de Cláudio Souza · Soropositivo.Org

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