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Relacionamentos Sorodiscordantes – Renata: Um ato de contrição –

Charming girl with closed eyes threw back her head while lies on the sofa. Her boyfriend stands on the knees over her body and presses the flower on her neck. Indoors. Horizontal.

Renata foi meu primeiro relacionamento sorodiscordante

Eu decidi-me, depois de um certo tempo de contemplação e diálogos com a Mara, a relatar “casos” de Relacionamentos Sorodiscordantes. Bem, eu não posso inventar histórias e, menos ainda, contar nomes reais, no bojo de um tema tão delicado. E faço, aqui, um ato de contrição

E, muitas vezes, devastadores no mundo em que nós, pessoas vivendo com HIV ou AIDS “vivemos”.

Eu pensei durante dias e durante dias eu sempre pensei que eu só poderia, para começar, falar de mim.

E, no final de cada uma destas minhas histórias e não estórias, deixar um formulário e o convite para o estimado leito

E a encantadora leitora a fazer-se manifesto ou manifesta, anonimamente, considerando que se você assinar Isabel, eu mudarei para Isa, Belita, Bel…

Eu resolvi começar pela minha primeira relação sorodivergente, e ela foi justamente aquela que me levou:ao Status Sorológico Reagente.

Renata A. de Ol.

Nunca será nem mesmo o possível nome fake que você intenta colocar, pois este nome pode ser o de uma outra pessoa e poderia, desgraça entre as desgraças, ser uma história parecida com a de outro alguém.

Bem, ontem eu conversava aqui com a Mara e entrou uma música, “À Sombra da Maldade” e me lembrei de cada detalhe, cada olhar, cada movimento dentro daquilo que acabou se tornando um romance tórrido, cheios de lances de ciúmes de parte  parte, chumbo trocado (não dói, em tese) e que acabou, mais ou menos seis meses depois de eu ter dito, e graças a Deus eu não me lembro qual, uma frase tão estúpida, ofensiva e desastrosa que ela, ainda Renata, “pediu um tempo”.

Este pedido de um tempo era quase como que um gesto de misericórdia,

Em que ela permitisse a mim ir raciocinando que, como me ensinou o Toninho:

“Quem ama quer estar junto”.

A misericórdia dela de nada valeu.

E de nada valeu porque eu não a amava. A fogueira das vaidades

Eu gostava dela

Era fascinação…

….sim, mas também foi amor e muita vaidade! Tipo…: Olha só o mulherão “que eu tenho” (hua, hua, hua – rindo de mim)

Só um ou uma switcher sabem o quanto custa encontrar um par perfeito

 

Renata está, com toda e absoluta certeza, entre as “dez mulheres mais lindas que eu tive”

E…. Eu bem sei que muit gente certamente não esteve com 5 mulheres em toda uma vida. Sou grato a elas e a Deus

Bem, eu queria contar que eu trabalhava no Clube de Paris que, na época, tinha inclusive quartos, e isso qualificava o local como local de exploração de lenocínio.

Vítima de mim

Não pensem que eu não me envergonho disso. Sim, eu me envergonho.

E, na época, preocupado com minha situação jurídica, conversei com um delegado:

O delegado chefe da Seccional da Área e ele me explicou que eu seria colocado na posição de vítima.

 Bastando eu argumentar que eu era obrigado a trabalhar ali (em verdade isso tem um fundo de verdade) Eu não sabia fazer outra coisa.

O dono da Casa, nome profetra, gostou do meu trabalho, gostou do trabalho que eu fiz na ressonorização da casa.

Ainda bem, mesmo, que ele gostou, pois eu o fiz gastar uma grana dos diabos naquilo e, digamos, assim como a Dona de outra casa.

Ele me deu dinheiro para eu comprar todos os brinquedinhos que eu queria para FAZER SOM COM VINIL PORQUE DJ QUE TOCA CD É, PARA MIM, DJ DE QUERMESSE.

E eu nem chamo o cara para uma disputa em duas SL 1200 MK2.

Eu dou para ele duas BD200 da CCE e aí sim eu vou ver que é o cara, porque eu só conheço mais um CARA para trabarar para cm alas ela.

Bem, os caras das quermesses que se queimem de ódio por mim e “pick a number”.

O Fato é que eu ganhei a confiança dele, o Bíblico.

E acabei com a responsabilidade de fazer a manutenção e reimplantação dos sistemas de som de todas as “casas dele” e eu só tinha de tocar no Clube de quinta a sábado…

E foi nas vésperas de uma quinta feira que eu, depois de sair da estação República do Metrô;

Eu fui covardemente atacado por São Pedro, que fez desabar em meia hora toda a chuva que caíra, um dia, no episódio do Grande Dilúvio. Eu não tive opção.

Corri como um desesperado e entrei no clube completamente encharcado.

E praguejando contra São Pedro.

E foi aí que eu me dei conta que, UAU, aquela mina estava ali.

Eu pedi a ela desculpas pela explosão.

– “Já vi piores” ….

– “Vai trabalhar aqui”?

– “Se o dono aceitar”.

Eu torci para que ele não aceitasse, mas era impossível ele não a “contratar”.

A verdade é que, por causa de um demônio particular que eu tive, nada de minhas reminiscências pessoais, pois tudo foi queimado…

Um dia vocês saberão.

Bem, o que eu soube quando a vi no salão é que ela era (she is dead already).

Algo quase impossível de definir, até que minha amiga, Nippo Cicken, a defini como, mais bonita que Pocahontas.

As trocas de olhares, os sorrisos.

A ceia as cinco da amanhã na Martins Fontes numa outra noite, o Maldito Santo Fabiano, a viagem dela até outra cidade…

E o “FANTÁSTICO”:

Eu me “guardei para ela”.

E fiquei uma semana sem relacionar-me com ninguém por uma semana.

Os homens de trinta anos, com uma vida sexual movimentada sabem no que “isso dá”.

Isso dá em gônadas inchadas, doloridas, de uma forma que fica difícil até de andar e chega um momento em que você tem de “resolver a situação”, mesmo que seja por si mesmo.

Mas eu não cheguei a isso; mas teria chegado, naquela noite mesmo, ou eu derreteria e me tornaria uma coisa amorfa, ao solo, composta por esperma, que nada mais é que água e vitamina E para os mais sensíveis

No mesmo domingo entramos em um quarto de hotel as seis da manhã e só saímos de lá, com olheiras e pernas bambas, na segunda feira, por volta das dezoito…

Switchers

E eu me apaixonei.

Sábio é o ditado que ensina:

“Amor de pica, onde bate fica”.

O que os olhos não vêm, diz-se na noite, o coração não sente.

E foi por isso que eu torci para o Profeta não a contratasse, pois eu veria.

E o meu amigo Toninho sabe que eu nunca consegui me relacionar com uma mulher da noite.

Não assim, vivendo como mulher da noite por mais do que uma semana.

Geralmente o que acontecia era que eu pressionava a moça e dizia:

– “Venha viver comigo! Ser ___Minha Mulher___!Não?! Adeus… e geralmente eu ganhava a parada

Flávia não aceitou isso. E eu entreguei os pontos

Tinha planos, sonhava com um futuro que eu não podia dar e que ela não ia abri mão destes sonhos (ela tinha dezenove anos e o estúpido aqui não conseguiu ver que,ironia entra as ironias, o “Júnior” estava certo:

“Nem por você, nem por ninguém, eu me desfaço de meus planos!” ….

Eu resolvi começar pela minha primeira relação sorodivergente, e ela foi justamente aquela que me levou ao Status Sorológico Reagente para Anticorpos contra o HIV.

Renata A. de Ol.

E eu aceitei isso. E esta foi minha ruína

Cada vez que ela descia as escadas era como se eu subisse ao cadafalso e eu subi ao cadafalso bem mais de uma centena de vezes até que fôssemos descobertos.

E é neste ponto que eu queria chegar.

Eu passei os últimos quase 25 anos dizendo e acreditando que ela, Flávia, tivesse me passado HIV de propósito.

Mas, se tivesse sido assim, no momento em que o Joshua, que nem me deixou mais entrar na casa, me pediu o molho de chaves.

Que meu amigo Toninho dizia que aquele chaveiro era uma demonstração de força.

E me pagou todos os direitos (ele podia ter me dado uma justa causa) e, na verdade ele pagou de três a quatro vezes mais do que eu merecia e, sábio, também entregou tudo o que a Flávia tinha para receber larga e francamente a mais).

E ela desmaiou ali.

E eu tive de leva-la até a Santa Casa.

E dali, loucos, ficamos no Hotel Nova Lisboa. Eu creio que na rua Veridiana até acabar o dinheiro e, eu afirmo para vocês.

Eu passei por algo que eu creio que pode ser definido como exaustão espérmica, foi eu não conseguia ejacular.

Simplesmente porque não havia o que ejacular e isso doía pacas.

O que veio depois é que ela foi trabalhar em uma casa repleta de pessoas que me odiavam e eu nunca soube.

E, creio, nunca saberei, o que disseram a ela e ela passou a procurar um meio de me fazer errar, e eu errei

Eu disse alguma coisa estúpida, como eu disse que fiz no começo…

Eu fiquei de coração empedernido até conhecer outra pessoa, mas isso é outra história.

Não foi de propósito que ela me transmitiu HIV…

Pois, em minha loucura e desespero, eu criei uma situação que a trouxesse para a rua e assim que ela percebeu que era.

Eu, virei as costas da avenida rio branco, onde os ônibus passavam zunindo…

Eu ia atravessar a avenida sem olhar.

Eu teria sido atropelado ali e sequer saberia o que me teria levado, mas ela me segurou.

Esta não é a atitude de alguém, que, por exemplo, numa triste noite no Clube de Paris, onde ia haver uma despedida de solteiro e ela era “o presente”.

E ela veio até a cabine de som e me disse. Sabe aquela fita de vídeo K7 (creio que muita gente nem saberá o que é isso) que tem seis horas de vídeo e músicas?

Pois é. Ponha ela para tocar, sente-se (o banco era baixo) e não se levante, sob nenhum pretexto. Não olhe para o salão!….

Bem, esta não é a atitude de uma mulher que, digamos, me odiava ou odiava tanto o mundo que estivesse passando HIV.

adiante por ódio do mundo

Tudo o que eu sei é que pouco ou nada eu sei, pois nunca mais pude, por N razões, entrar no La Concorde, e saber o que houvera por lá.

Assim, Flávia, eu espero ter remido seu nome e, onde quer que você esteja, aceite meu pedido de perdão, por atear fogo no lenho da fogueira moral em que te lancei diante de outras pessoas, no que dei azo a tantas outras coisas.

Sim Flávia, eu já não sei, me perdoe, eu te imploro.

Você me contaminou com HIV. Mas é verdade também que você não sabia disso.

Curiosamente Infelizmente eu sobrevivi e você não.

Eu afastei de minha mente tudo o que poderia te fazer mal e, tenho certeza, as pessoas que leram ou lerão sobre o que eu disse de você, serão trazidas a esta página com um clique. (É um Obrigação Minha)

Se eu pudesse ir até você, agora, seria para me prostrar de joelhos diante de ti e esperar que você pudesse me estender a destra e levantar minha cabeça, para que eu pudesse voltar a te olhar de frente, depois de tanta dissídia.

Flávia Renata de A.  de O. (Perhaps in memorian)

Enfim, “Re Nascida” 😉, talvez houvesse a esperança de um diálogo e que você pudesse pedir, naquele Tribunal.

Tão temido por mim, justamente por não fazer acordos, não por perdão.

Mas por leniência.

Eu a amei de mais e este foi todo o meu erro. Amar demais, sem saber amar, tendo esquecido tudo o que a Gabi me ensinou.

Talvez eu amasse ainda mais à Gabi

Depois deste pouco que eu disse, por causa da minha mão tão batida pela neuropatia periféricas, com mais de mil e setecentas palavras e quase três horas de digitação eu finamente me despeço de você e peço que me permita partir, me afastar de um falso fantasma, um fantasma que eu criei para mim, dentro do meu próprio Inferno que, todos sabem, é autogerador, assim como o é o das pessoas que não confiam nos seus testes -não reagentes- e que nunca terá fim.

É delicioso e o risco de contrair a maioria das DST’s, e não todas porque Chato, a pediculose pubiana (coça a bessa) pode passar assim… Mas vale a dica, eu garanto!

 

 

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Sobre Claudio Souza do Soropositivo.Org (508 artigos)
😍😍😍😜💫☮Sim, este da foto sou eu ! Minha sobrinha pediu que eu pusesse esta foto m meu perfil !.... Eu tinha aqui uma descrição a meu respeito que, uma pessoa classificou como “irreverente”. Esta é, realmente, uma forma eufêmica de classificar o que estava aqui. Tudo o que sei é que uma “ONG”, que ocupa um prédio de 10 andares estabeleceu uma parceria comigo, e eu tenho os logs do tempo de parceria, que foi mais um vampirismo pois, para cada 150 pessoas que saiam do meu site, clicando no deles, havia, em média, um que entrava. QUANDO ENTRAVA E SE ENTRAVA

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  1. Somatização de Sintomas de Infecção Por HIV · Soropositivo.Org

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