# A abstinência sexual durante alguns meses pode actuar como uma barreira para a transmissão da infecção pelo VIH em alguns dos países mais afectados

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- Published: 2010-08-12T09:14:13-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Keith Alcorn

 Dois importantes investigadores na área do VIH propõem que os países mais afectados
pelo VIH deveriam avaliar se a promoção de uma campanha de abstinência sexual pelo
período de um mês poderia diminuir a transmissão da infecção pelo VIH, ao interromper
a cadeia de transmissão durante a primeira e mais infecciosa fase da infecção do
vírus.

### Table Of Content

 * [Referência](https://soropositivo.org/a-abstinencia-sexual-durante-alguns-meses-pode-actuar-como-uma-barreira-para-a-transmissao-da-infeccao-pelo-vih-em-alguns-dos-paises-mais-afectados/#referencia)
 * [Tradução](https://soropositivo.org/a-abstinencia-sexual-durante-alguns-meses-pode-actuar-como-uma-barreira-para-a-transmissao-da-infeccao-pelo-vih-em-alguns-dos-paises-mais-afectados/#traducao)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/a-abstinencia-sexual-durante-alguns-meses-pode-actuar-como-uma-barreira-para-a-transmissao-da-infeccao-pelo-vih-em-alguns-dos-paises-mais-afectados/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/a-abstinencia-sexual-durante-alguns-meses-pode-actuar-como-uma-barreira-para-a-transmissao-da-infeccao-pelo-vih-em-alguns-dos-paises-mais-afectados/#relacionado)

O Professor Alan Whiteside, da _Health Economics and HIV/AIDS Research Division (
HEARD) da University of Kwazulu-Natal e o Dr. Justin Parkhurst, da London School
of Hygiene and Tropical Medicine (LSHTM)_ afirmam que se os modelos matemáticos 
demonstram que a ideia tem possibilidades, o próximo passo seriam campanhas nacionais
com o intuito de testar as hipóteses.

O Professor Whiteside diz que a Suazilândia já está a considerar a ideia.

Os níveis de carga viral são mais elevados durante o período que decorre entre um
mês a seis semanas após a infecção, antes de a resposta imunitária começar a controlar
o vírus. As pessoas, nesta fase da infecção, podem ser responsáveis por cerca de
10 a 45% das novas infecções pelo VIH.

Impedir, pelo período de um mês, que um elevado número de pessoas recém-infectadas
transmita o vírus, poderá actuar como uma “barreira contra o fogo”, do mesmo modo
que, nas florestas, durante um incêndio florestal, as árvores são cortadas para 
cortar a progressão dos danos.

O Prof. Whiteside e o Dr. Parkhurst especulam que, para além da circuncisão masculina,
uma das razões pelas quais as nações muçulmanas têm uma prevalência mais baixa do
VIH é porque durante o mês de jejum do Ramadão espera-se que os crentes muçulmanos
se abstenham de ter relações sexuais durante o dia.

Contudo, embora a conversão das pessoas a uma religião não seja uma estratégia prática
de saúde pública, os autores chamam a atenção para os dias “livres de tabaco” propostos
pela OMS e sugerem que campanhas – mesmo temporárias – podem reduzir o comportamento
de risco entre a população.

O Professor Alan Whiteside afirma que “ao testemunhar o orgulho nacional e a unidade
partilhada pelos cidadãos da África do Sul durante o Campeonato Mundial de Futebol,
acredito que as mobilizações comunitárias podem resultar. Isto pode ser um caminho
a seguir por algumas das comunidades mais afectadas. Este tipo de iniciativas pode
dar aos países hiper-endémicos um resultado a curto prazo que é custo-eficaz, fácil
de monitorizar e que não cria nenhum estigma adicional”.

“É difícil mudar, permanentemente, o comportamento das pessoas mas, quando as comunidades
são mobilizadas para agir em conjunto, não é impossível imaginar períodos regulares
de mudança de comportamentos partilhados por comunidades inteiras, ou mesmo, por
países.

A evidência demonstra que se todas as pessoas o fizessem em simultâneo, teria um
efeito protector muito superior do que se as pessoas o tentassem fazer de modo isolado.
É claro que um esforço deste tipo deverá ser desenhado para contextos e culturas
locais, mas isto fornece outra estratégia potencial na resposta para o VIH” afirma
Justin Parkhurst.

Os autores sublinham que um mês de “sexo seguro/abstinência sexual” pode também 
facilmente produzir dados verificáveis no que diz respeito à adesão, evidenciada
pelo número de nascimentos ocorridos nove meses após a campanha.

“À luz das contínuas taxas elevadas de incidência existentes na África do Sul, podemos
descobrir que este novo tipo de ideia para fazer frente à epidemia, oferece uma 
oportunidade real na área da prevenção”, acrescentou Whiteside.

Sugerem que a ideia poderia ser adaptada para diferentes populações, dependendo 
da epidemia. Entre os mineiros da África do Sul, por exemplo “um mês de abstinência
sexual com trabalhadores do sexo comercial poderá ser mais apropriado. Em outros
contextos, poderá valer a pena tentar promover o sexo seguro durante um mês”.

“Para alguns, a monogamia contínua poderá ser um desafio a longo prazo, mas “ser
monogâmico durante um mês” pode ser um bom ponto de partida… Em países hiper-endémicos
os decisores, as populações e os políticos estão abertos a novas ideias para controlar
a epidemia”, concluem os autores.

### Referência

 Parkhurst J, Whiteside A. _Innovative responses for preventing HIV transmission:
the protective value of population-wide interruptions of risk activity._ Southern
African Journal of HIV Medicine, 19-21, April 2010.

### Tradução

 [GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA](http://www.aidsmap.com/page/1446320/%E2%80%9Dhttp://www.gatportugal.org%E2%80%9D)

 

 

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## Leia também

 * [Transmissão sexual do HIV e uso da carga viral indetectável](https://soropositivo.org/transmissao-sexual-do-hiv/)
 * [Se proponen meses “sin sexo” como cortafuegos del VIH en los países más afectados](https://soropositivo.org/se-proponen-meses-qsin-sexoq-como-cortafuegos-del-vih-en-los-paises-mas-afectados/)
 * [Quais as formas de transmissão de infecção no grupo pediátrico?](https://soropositivo.org/quais-as-formas-de-transmissao-de-infeccao-no-grupo-pediatrico/)

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