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Home » Blog » A combinação de Truvada®/Kaletra® para a PPE é segura e eficaz e apresenta uma baixa taxa de abandono

A combinação de Truvada®/Kaletra® para a PPE é segura e eficaz e apresenta uma baixa taxa de abandono436 visualizações desde a publicação original em 01/10/2010. Tempo estimado de leitura acumulado: 1 dias, 12 horas, 20 minutos.

by Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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Michael Carter

A profilaxia pós-exposição (PPE) com a combinação de FTC/tenofovir (Truvada®) e lopinavir/ritonavir (Kaletra) é segura e geralmente bem tolerada, afirmam os investigadores franceses na edição on-line do Jornal of Acquired Immune Deficiency Syndromes. Os investigadores recomendam que esta combinação deve ser o regime padrão para a PPE.

Poucos doentes interromperam o tratamento devido aos efeitos secundários. No entanto, os investigadores concluíram que as mulheres tinham maior probabilidade de reportar efeitos secundários gastrointestinais do que os homens.

“Devido a esta boa tolerabilidade, à baixa taxa de descontinuação e à facilidade de utilização, a formulação em comprimidos TDF/FTC+LPV/r deveria ser considerada padrão no que diz respeito à utilização da PPE para o VIH”, referem os investigadores.

Em França – como no Reino Unido e em muitos outros países – o tratamento recomendado para ambas as PPE, ocupacional e não-ocupacional, é composto por dois inibidores nucleósidos da transcriptase reversa (INTR) e um inibidor da protease potenciado pelo ritonavir.

Os efeitos secundários são uma das principais razões para os doentes não conseguirem completar as quatro semanas recomendadas de terapêutica de PPE, tornando-se importante investigar quais são as combinações melhor toleradas.

Por esta razão os investigadores efectuaram um estudo prospectivo observacional que envolveu 249 doentes a iniciar a PPE entre Novembro de 2006 e Junho de 2008. Todos estes doentes iniciaram o tratamento nas 48 horas posteriores à potencial exposição ao VIH. A maioria dos doentes (82%) iniciaram a PPE devido a possíveis exposições sexuais, e sabia-se que 60 dos doentes caso index eram seropositivos para o VIH. Um total de 23 doentes tinha feito anteriormente a PPE.

Foram realizadas análises de sangue antes de iniciar a PPE para determinar o hemograma, o funcionamento do rim e do fígado e os níveis lipídicos. Estas análises foram repetidas 14 dias depois e, novamente, no fim do tratamento e ao 48º dia. Nessas consultas associadas ao estudo, foi pedido aos doentes que referissem todos os efeitos secundários ocorridos.

No entanto, 34 doentes interromperam o tratamento após estabelecer-se que o caso index era seronegativo ou porque se considerou que a possível exposição envolveu um risco de transmissão pelo VIH muito baixo.

Dos 188 doentes que deviam ter completado a PPE, um total de 22 interromperam o tratamento devido aos efeitos secundários. Neste grupo incluem-se dois doentes com erupções na pele e um outro que apresentou alterações da função renal.

Os outros 166 doentes completaram a terapêutica. A maioria (96) afirmou que tinha tolerado bem o tratamento. Uma tolerabilidade moderada foi referida por 59 indivíduos e apenas onze doentes disseram que a tolerabilidade tinha sido baixa.

Uma adesão total foi reportada por 70% dos doentes, enquanto 27% disse aos investigadores que falharam uma ou duas doses e 4% três ou mais doses.

Um total de 92 doentes reportou efeitos secundários. Os mais comuns foram a diarreia (78%), alterações do sono (78%), náuseas e vómitos (59%) e dor de cabeça (38%).

Os problemas de estômago e a insónia foram mais reportados por mulheres do que por homens (p < 0,001 e p < 0,05 respectivamente).

As alterações nos exames laboratoriais foram, em geral, ligeiras. As mais comuns foram os triglicéridos elevados (35%) ou o colesterol (17%). Três doentes tiveram aumentos moderados nos níveis de fosfato, e três doentes tiveram também alterações na função hepática, com os níveis de ALT moderadamente elevados.

As análises estatísticas mostraram que as mulheres tinham significativamente mais probabilidade de interromper o tratamento devido aos efeitos secundários do que os homens (p < 0,02) e de reportar menor tolerabilidade. Os doentes que tinham feito anteriormente PPE tinham mais probabilidade de descontinuar a terapêutica do que aqueles que estavam a fazer o tratamento pela primeira vez (p < 0,03).

Quando os investigadores limitaram a sua análise aos doentes que estavam sob PPE após uma possível exposição ao VIH por via sexual, concluíram que os homens gay tinham menor probabilidade de descontinuar a terapêutica ou de reportar pouca tolerabilidade do que os heterossexuais (p < 0,012 e p < 0,002 respectivamente).

Finalmente, os investigadores compararam a tolerabilidade deste regime de PPE àqueles previamente utilizados em França. Concluíram que a taxa de descontinuação era significativamente mais baixa para os doentes que tomavam o regime Truvada/Kaletra.

Nenhum dos doentes foi infectado pelo VIH.

“O sexo feminino está associado a um maior risco de interrupção da PPE e a uma menor tolerabilidade”, comentam os investigadores, “estes resultados são importantes pois o tratamento preventivo destes efeitos secundários específicos neste grupo poderá ser necessário e ajudará a aumentar a percentagem de doentes que finalizam a PPE”.

Contudo, os investigadores recomendam a combinação Truvada/Kaletra como tratamento padrão de PPE, sublinhando que o número de interrupções foi significativamente menor com este regime do que com outros regimes utilizados.

Referência

Tosini W et al. Tolerability of HIV postexposure prophylaxis with tenofovir/emtricitabine and lopinavir/ritonavir tablet formulation. J Acquir Immune Defic Syndr, online edition, 2010.
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