# A diminuição da função renal aumenta o risco de doença cardiovascular nos doentes com infecção pelo VIH

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- Published: 2010-08-22T12:27:05-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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Michael Carter

## **Investigadores dos E.U.A reportam, na 28^(a) edição de Janeiro do jornal _AIDS_, que a diminuição da função renal em pessoas seropositivas está associada a um risco aumentado de doença cardiovascular.**

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### Table Of Content

 * [Investigadores dos E.U.A reportam, na 28a edição de Janeiro do jornal AIDS, que a diminuição da função renal em pessoas seropositivas está associada a um risco aumentado de doença cardiovascular.](https://soropositivo.org/a-diminuicao-da-funcao-renal-aumenta-o-risco-de-doenca-cardiovascular-nos-doentes-com-infeccao-pelo-vih/#investigadores-dos-eua-reportam-na-28a-edicao-de-janeiro-do-jornal-aids-que-a-diminuicao-da-funcao-renal-em-pessoas-seropositivas-esta-associada-a-um-risco-aumentado-de-doenca-cardiovascular)
 * [Referência](https://soropositivo.org/a-diminuicao-da-funcao-renal-aumenta-o-risco-de-doenca-cardiovascular-nos-doentes-com-infeccao-pelo-vih/#referencia)
 * [Tradução](https://soropositivo.org/a-diminuicao-da-funcao-renal-aumenta-o-risco-de-doenca-cardiovascular-nos-doentes-com-infeccao-pelo-vih/#traducao)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/a-diminuicao-da-funcao-renal-aumenta-o-risco-de-doenca-cardiovascular-nos-doentes-com-infeccao-pelo-vih/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/a-diminuicao-da-funcao-renal-aumenta-o-risco-de-doenca-cardiovascular-nos-doentes-com-infeccao-pelo-vih/#relacionado)

Uma medida chave da função renal – a taxa estimada de filtração glomerular – foi
correlacionada com um risco aumentado de doença cardíaca ou AVC.

“O nosso estudo realça a existência de uma forte ligação entre a função renal e 
o risco de doença cardiovascular nas pessoas infectadas pelo VIH, uma associação
que é igual ou maior do que a reportada na população em geral”, comentam os investigadores.
Acrescentam, que “nenhum estudo prévio tinha correlacionado a função renal com acidentes
cardiovasculares em doentes com VIH”.

A introdução da terapêutica anti-retroviral de combinação, na segunda metade dos
anos 90, levou a uma queda substancial e sustentada no número de doenças e mortes
relacionadas com o VIH observadas nos países industrializados.

Ao mesmo tempo, aumentou, entre as pessoas seropositivas, a proporção das mortes
causadas por doença cardiovascular. Há uma série de razões possíveis para isso, 
incluindo o envelhecimento da população infectada pelo VIH, os efeitos inflamatórios
do vírus, os efeitos secundários de alguns medicamentos anti-retrovirais e uma elevada
prevalência de comportamentos de risco, tais como, o tabagismo.

A diminuição da função renal demonstrada pela redução da taxa da filtração glomerular
e pela proteinúria (proteínas na urina) está fortemente associada a um aumento do
risco de doença cardiovascular nas pessoas seronegativas para o VIH.

No entanto, a associação entre estes dois marcadores da função renal e a doença 
cardiovascular nos doentes com infecção pelo VIH nunca tinha sido explorada previamente,
apesar do facto de uma proporção elevada de pessoas que vivem com o VIH nos Estados
Unidos terem doença renal crónica.

Esta doença é particularmente prevalente entre os Afro-Americanos e, em 2000, o 
Instituto Nacional para a Diabetes, Doenças Digestivas e Renais dos E.U.A. reportou
que a doença renal associada ao VIH, ou nefropatia, tinha-se tornada a terceira 
causa mais frequente de doença renal no estádio terminal em Afro-Americanos entre
os 20 e os 64 anos de idade. Um estudo de 2008 chegou à conclusão que apesar de 
os Afro-Americanos seropositivos terem apenas uma probabilidade ligeiramente maior
de desenvolver disfunção renal do que os Caucasianos, tinham um risco muito mais
elevado de progressão subsequente para a doença renal terminal.

Um estudo recente francês constatou que a função renal era baixa em 39% dos doentes
em terapêutica anti-retroviral de longo prazo, mas não deteriorou com uma duração
mais longa do tratamento.

Para esclarecer a relação entre a função renal e o risco cardiovascular nas pessoas
que vivem com o VIH, investigadores na Universidade de _Johns Hopkins_, em Baltimore,
conceberam um estudo retrospectivo de caso-controlo que comparou a função renal 
entre 63 doentes seropositivos, que já tinham tido um doença cardíaca ou AVC e 252
seropositivos do grupo de controlo sem doença cardiovascular.

Os dois grupos de doentes tinham características demográficas semelhantes. No entanto,
os que tiveram um acidente cardiovascular tinham mais probabilidade de terem contagens
das células CD4 abaixo de 200/mm^(3) (49% vs. 25%, p < 0,001) e carga viral acima
de 50.000 cópias/ml (39% vs. 20%, p < 0, 007).

Além disso, tiveram, também, uma prevalência mais elevada, do que o grupo de controlo,
de factores de risco estabelecidos para a doença cardiovascular tais como diabetes,
tensão alta, níveis de lípidos elevados e também tinham mais probabilidade de terem
tido previamente um acidente cardiovascular (41% vs. 7%, p < 0, 001).

Vários marcadores mostraram que os doentes, que tiveram acidentes cardiovasculares,
tinham uma função renal pior do que os doentes de controlo. Os seus níveis médios
de creatinina foram mais elevados (2,4 mg/dl vs. 1, 1 mg/dl, p < 0,001) e a taxa
de filtração glomerular foi inferior (68, 4 ml/min/1,73 m^(2) vs. 103, 2 ml/min/
1,73 m^(2), p < 0, 001).

Após terem tomado em consideração os possíveis factores aleatórios, tais como a 
diabetes e a tensão alta, os investigadores constataram que a taxa de filtração 
glomerular estimada abaixo de 60 ml/min/1,73 m^(2) estava associada a um aumento
significativo do risco de um acidente cardiovascular grave (índice de probabilidade
= 6,4, p < 0,001). Os investigadores usaram duas equações alternativas para medir
a taxa de filtração glomerular estimada e ambas deram o mesmo resultado.

Proteínas estavam presentes na urina em 51% dos doentes que tiveram doença cardíaca
ou AVC, mas apenas em 25% do grupo de controlo. Mesmo tendo em consideração a presença
de outros factores de risco para doença cardiovascular, a proteinúria mais que duplicava
o risco de doença cardíaca ou AVC (índice de probabilidade = 2,2, p = 0,038).

Os doentes que tinham tanto a taxa de filtração glomerular estimada abaixo de 60
ml/min/1,73 m^(2) e, também, proteínas na urina tinham um risco de acidente cardiovascular
41 vezes maior, em comparação com os doentes com a taxa de filtração glomerular 
estimada acima de 90 ml/min/1,73 m^(2) e sem proteínas na urina, p < 0,001.

Os investigadores observaram uma associação clara entre a diminuição da taxa de 
filtração glomerular estimada do nível normal de 120 ml/min/1,73 m^(2) e um risco
aumentado de doença cardiovascular. Mesmo tomando em consideração outros factores
de risco cardiovascular, cada descida de 10 ml/min/1,73 m^(2) na taxa de filtração
glomerular aumentou o risco de doença cardiovascular de 20% (p = 0,009).

A análise estatística, que controlou eventuais factores aleatórios, mostrou que 
a contagem de células CD4 abaixo de 200/mm^(3) (p = 0,019), a diabetes (p = 0.037)
e uma história prévia de doença cardiovascular (p < 0,001) aumentavam significativamente
o risco de doença cardíaca ou AVC.

“A taxa de filtração glomerular estimada decrescente foi associada a um aumento 
significativo de risco de acidentes cardiovasculares independentemente dos factores
de risco cardiovasculares tradicionais e da terapêutica anti-retroviral”, comentam
os investigadores.

Tendo em conta que o estudo foi limitado pelo tamanho reduzido da amostra, concluem,“
os nossos resultados requerem ulterior confirmação, mas sugerem o valor potencial
de rastreios e tratamento precoces da doença renal crónica nos doentes infectados
pelo VIH 1, especialmente os que apresentam outros factores de risco cardiovascular”.

### Referência

 George E et al. _Kidney function and the risk of cardiovascular events in HIV-1-
infected patients_. AIDS 24: 387-94, 2010.

### Tradução

 [GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA](http://www.gatportugal.org/)

 

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## Leia também

 * [Má Função renal associada com aumento de risco cardiovascular para pessoas com HIV](https://soropositivo.org/ma-funcao-renal-associada-com-aumento-de-risco-cardiovascular-para-pessoas-com-hiv/)
 * [O risco de doença cardíaca aumentou nos doentes seropositivos franceses](https://soropositivo.org/o-risco-de-doenca-cardiaca-aumentou-nos-doentes-seropositivos-franceses/)
 * [Factores de risco tradicionais e biomarcadores associados a doença cardiovascular nas pessoas com VIH](https://soropositivo.org/factores-de-risco-tradicionais-e-biomarcadores-associados-a-doenca-cardiovascular-nas-pessoas-com-vih/)

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