# A infecção pelo VIH aumentou dramaticamente entre os “jovens de rua” na Europa de Leste

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- Published: 2010-08-12T09:28:10-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Mara Kardas-Nelson

 De acordo com médicos, activistas e representantes da UNICEF que compareceram esta
semana na XVIII Conferência Internacional sobre SIDA em Viena, até 40% dos jovens
que vivem na rua em algumas zonas da Europa de Leste está infectado pelo VIH. Anteriormente,
os dados sobre o VIH neste grupo eram desconhecidos, mas os estudos sobre a incidência
do VIH realizados durante os últimos cinco anos revelaram uma epidemia crescente.

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 * [Referências](https://soropositivo.org/a-infeccao-pelo-vih-aumentou-dramaticamente-entre-os-jovens-de-rua-na-europa-de-leste/#referencias)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/a-infeccao-pelo-vih-aumentou-dramaticamente-entre-os-jovens-de-rua-na-europa-de-leste/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/a-infeccao-pelo-vih-aumentou-dramaticamente-entre-os-jovens-de-rua-na-europa-de-leste/#relacionado)

Um relatório apresentado na segunda-feira pela UNICEF (_Blame and Banishment: The
underground_ _HIV epidemic affecting children in Eastern Europe and Central Asia_)
é o primeiro deste género a salientar, de maneira abrangente, questões de saúde,
sociais e económicas que engrossam o número de jovens que vivem na rua e as taxas
de infecções pelo VIH nesta população. Estudos realizados pelo Ministério da Saúde
da Ucrânia, pelo _HealthRight International_ e pelo Instituto Pasteur de São Petersburgo
observaram a incidência pelo VIH em grupos de jovens sem abrigo na Ucrânia e na 
Rússia. Estima-se que um milhão de jovens vivem na rua na Rússia e 31 000 são recolhidos
anualmente pela policia na Ucrânia (muitos outros vivem em albergues ou instituições
ou com famílias vulneráveis).

Temas como a utilização de drogas, o trabalho sexual, ser sem abrigo, o fraco sistema
de saúde e a situação das famílias pobres são aspectos centrais no aumento da infecção
pelo VIH neste grupo. De acordo com um questionário do Instituto Pasteur em 2005,
metade dos jovens sem abrigo eram utilizadores de drogas injectadas (UDIs). O questionário
deste Instituto em 2009 revelou que 78% dos infectados pelo VIH eram UDIs. Muitos
tinham também realizado trabalho sexual e/ou praticado sexo para sobreviver. Embora
tradicionalmente os rapazes tenham tido as maiores taxas de infecção (o número de
rapazes sem abrigo é maior que o de raparigas), as transmissões heterossexuais estão
a aumentar significativamente. Ambos os questionários de 2005 e 2009 revelaram níveis
de incidência de VIH a rondar os 30% entre os jovens sem abrigo de São Petersburgo.

A infecção pelo VIH gera, entre os jovens de rua, uma crise que reflecte o crescente
número de infecções em toda a Europa de Leste. Actualmente, nesta região está a 
acontecer a mais rápida taxa de novas infecções que já se viu em qualquer lugar 
do mundo, com partes da Rússia a revelar um aumento de 700% desde 2006 e a Ucrânia
é o lugar com as taxas mais elevadas de toda a Europa.

Os indicadores sociais, económicos e de saúde que flagelam a população geral do 
país são exacerbados nos jovens sem abrigo. A directora da _HealthRight Ucrânia_,
Halyna Skipalska, indica que a situação das famílias pobres é fundamental para perceber
a infecção pelo VIH entre os jovens sem abrigo. Mencionando o que ela chama de “
a crise da família”, Skipalska referiu que a degradação da unidade familiar – por
causa do consumo excessivo de álcool e outras substâncias, da pobreza e do divórcio–
leva muitos jovens a morar na rua.

Muitos jovens optam por deixar as suas residências familiares mesmo não sendo tecnicamente
órfãos. Apesar de só 15% dos jovens que participaram no questionário da _HealthRight_
Ucrânia não terem família, muitos outros passaram um ou dois dias na rua duas ou
três vezes por ano, passando o resto do tempo nas residências familiares ou em programas
do governo. Roman Yorick da _HealthRight_ Rússia apresentou estatísticas similares,
em que só 13,4% dos participantes na estudo foram classificados como órfãos, mas
a maioria vivia na rua duas ou três vezes por semana.

Os profissionais de saúde e das organizações que trabalham com jovens sem abrigo
acham que há muitos desafios neste trabalho: estes jovens são com frequência uma
população escondida, móvel e sazonal, estão criminalizados e apresentam transtornos
psicossociais, segundo Skipalska. Para muitos jovens sem abrigo é difícil ter acesso
ao sistema de saúde e a outros serviços devido à sua situação de marginalidade, 
que se perpetua se forem seropositivos e que se acompanha de receio devido ao duro
tratamento recebido por parte da polícia e por outras figuras de autoridade. “O 
estigma generalizado e a exclusão social estão no centro da epidemia”, disse o director
executivo da UNICEF, Anthony Lake. A falta de apoio dos serviços de saúde aos jovens
sem abrigo e àqueles que vivem com VIH é o reflexo “do preconceito e do medo das
grandes sociedades”, afirmou.

Tatiana Smolskaya, do Instituto Pasteur sublinha que, com frequência é muito mais
difícil trabalhar com jovens UDIs sem abrigo do que com utilizadores de droga adultos,
dada a idade, o baixo nível de escolaridade, as desvantagens sociais e a sua condição
de sem abrigo. Os activistas apontam que os programas de redução de riscos na Rússia
e na Ucrânia são pobres e especialmente inacessíveis aos jovens.

A ausência de uma definição legal para “jovem” também é fundamental para que muitas
pessoas permaneçam num limbo: tecnicamente não são considerados nem crianças nem
adultos, e por isso não podem ter acesso aos serviços dirigidos ao seu grupo.

As organizações estão a começar a utilizar abordagens inovadoras para combater a
infecção pelo VIH nesta população. O _HealthRight_ Rússia implementou um programa
de educação entre pares chamado STEPS, com jovens que voluntariamente assistem as
aulas de educação entre pares centradas na saúde sexual, redução de riscos, apoio
social e prevenção do VIH. Aos participantes no questionário de incidência do _HealthRight_
Ucrânia foi-lhes oferecido acesso aos serviços, à terapêutica para o VIH, a programas
de reabilitação e a terapêutica de substituição: mais de 68% receberam um apoio 
abrangente e acesso a serviços sociais, médicos e psicológicos.

Independentemente dos muitos desafios que surgem quando se trabalha com jovens sem
abrigo, Skipalska aponta que “pode-se fazer chegar aos jovens de rua a prevenção
contra o VIH, os testes e os serviços de apoio”, especialmente com abordagens baseadas
na comunidade. Tanto a UNICEF como a ONUSIDA apelam para que este tema “se torne
central na acção mundial”, segundo Michel Sidibé, Director-executivo da ONUSIDA.

### Referências

 A informação sobre os estudos apresentados não está de momento disponível. Esperamos
incluir em breve a informação completa.

Nizova, Nataliia. Directora do Ukrainian AIDS Centre, Ministério da Saúde da Ucrânia

Skipalska, Halyna. Directora nacional para a Ucrânia, _HealthRight International_.

Smolskaya, Tatiana. Directora, North-West Regional AIDS Centre, Instituto Pasteur
São Petersburgo.

UNICEF [_Blame and banishment: The underground HIV epidemic affecting children in Eastern Europe and Central Asia._](http://www.unicef.org/media/files/UNICEF_Blame_and_Banishment.pdf)
2010.

Yorick, Roman. Director Regional para Rússia,  _HealthRight International_.

## Leia também

 * [A infecção pelo VIH aumentou dramaticamente entre os “jovens de rua” na Europa de Leste](https://soropositivo.org/a-infeccao-pelo-vih-aumentou-dramaticamente-entre-os-jovens-de-rua-na-europa-de-leste-2/)
 * [XVIII Conferência Internacional de Aids começa no próximo domingo em Viena com atenção especial ao Leste Europeu](https://soropositivo.org/xviii-conferencia-internacional-de-aids-comeca-no-proximo-domingo-em-viena-com-atencao-especial-ao-leste-europeu/)
 * [O tratamento dos utilizadores de drogas injectadas com base na evidência é a chave para o reforço dos direitos humanos, o controlo do uso de drogas e para travar a epidemia do VIH](https://soropositivo.org/o-tratamento-dos-utilizadores-de-drogas-injectadas-com-base-na-evidencia-e-a-chave-para-o-reforco-dos-direitos-humanos-o-controlo-do-uso-de-drogas-e-para-travar-a-epidemia-do-vih-2/)

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