# A mulher com HIV pode receber terapia oral anovulatória?

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- Published: 2009-06-04T14:10:47-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

# A mulher com HIV pode receber terapia oral anovulatória?

 

O** **aumento da infecção pelo HIV em mulheres na idade reprodutiva acarreta um 
aumento da transmissão vertical do vírus, já que a taxa de fertilidade nestas mulheres
parece não ser significativamente diferente da encontrada em mulheres HIV-negativas.

A maioria das discussões na escolha de métodos contraceptivos em mulheres HIV-positivas
tem sido direcionada para os métodos de barreira, principalmente no uso de camisinha,
que quando utilizado de forma correta e consistente permite proteção adicional contra
a transmissão do vírus. Porém, sua ação como contraceptivo parece ser inferior à
utilização de outros métodos, como por exemplo os anticoncepcionais orais (ACO).
Deve-se pesar então o risco de transmissão do HIV e de concepção para decidir quando
usar técnicas de barreira, outro método ou a associação dos dois.

A escolha do método contraceptivo deve levar em conta a eficácia não do mesmo em
evitar a gestação, impedir a transmissão do HIV, atuar no curso natural da doença,
piorando a imunossupressão ou acelerando a progressão para a AIDS, potencial interação
do método com drogas utilizadas na infecção pelo HIV e a possibilidade de uso associado
ao preservativo.

Existem vários fatores que levam a mulher HIV-positiva a escolher o ACO como método
contraceptivo entre eles a experiência prévia satisfatória com o método, ou ainda
o desejo de experimentar novos métodos.

O ACO apresenta considerável proteção contra câncer de endométrio, câncer de ovário,
doenças benignas da mama e dismenorréia. É de significativa importância nas pacientes
HIV-positivas a perda sangüínea regular e em menor quantidade, conseqüente ao uso
de ACO, principalmente se utilizadas formulações que contenham derivados estrogênicos
e progestogênicos, pois além, de diminuir a possibilidade de contato do parceiro
com sangue menstrual rico em linfócitos e macrófagos, ocorre também um menor índice
de anemia ferropriva. Além disso, o ACO possibilita a volta à acidez vaginal mais
rápida após a menstruação curta, favorecendo assim uma proteção natural no meio 
vaginal.

A proteção do ACO à doença inflamatória pélvica (DIP) pode ser explicada pelo espessamento
do muco endocervical, através da ação da progesterona. Tal fato impede a progressão
dos agentes patogênicos do trato genital inferior para o superior. Parece que mulheres
que utilizam ACO têm alteração na função imunológica que impedem lesão tubária e,
conseqüentemente, apresentam menores índices de gestação ectópica.

Os estudos, até o presente momento, são contraditórios sobre a ação de hormônios
reprodutivos no sistema imune, particularmente para os estrogênios que, segundo 
alguns autores, promovem aumento na resposta imune e, segundo outros, a diminuição
desta. Os níveis aumentados de progesterona na gestação têm demonstrado estarem 
associados a resposta imune mais fraca contra algumas infecções virais e diminuição
da resposta dos linfócitos T. A progesterona inibe a transformação de linfócitos
T induzida por antígenos. além de aumentar a atividade de linfócitos T supressores.
É descrita diminuição de até 50% na resposta de linfócitos T em usuárias de ACO 
oral por longa duração.

Os ACO facilitam a instalação de ectopia (exposição do epitélio colunar endocervical,
vulnerável a traumas, ao meio vaginal hostil), que por sua vez é responsável pela
proliferação de agentes sexualmente transmissíveis como _Neisseria gonohrroeae e
Chlamydia trachomatis. É _reconhecido que qualquer DST, ulcerativa ou não, pode 
facilitar a transmissão do HIV.

Alguns estudos sugerem que os ACO podem influenciar a fármaco – cinética de outras
drogas. Parece ocorrer aumento do bolismo e inativação da morfina, aumento dos efeitos
colaterais dos antidepressivos tricíclicos. Pode ocorrer diminuição da eficácia 
dos ACO quando da utilização de rifampicina e tetraciclina. Até o momento não foi
descrita nenhuma interação entre zidovudina (AZT) e ACO.

Os efeitos adversos dos ACO em mulheres HIV-positivas são ainda inconclusivos. Há
necessidade de pesquisas prospectivas envolvendo um número grande de mulheres HIV
positivas utilizando ACO por longa duração. Devem ser realizadas pesquisas de biologia
básica dirigidas, principalmente, ao estudo da imunidade local e geral do trato 
genital feminino, das mudanças fisiológicas que ocorrem durante o ciclo menstrual
e da provável ação dos ACO nesses mecanismos.

A proteção contra uma gestação não desejada e a transmissão do HIV podem requerer
a utilização de dois métodos. Para tanto é necessário uma alta motivação do casal.

As informações atuais não são suficientes para contra-indicar o uso de ACO em mulheres
HIV-positivas, desde que não haja qualquer outra contra-indicação para o uso de 
terapia hormonal, ou estado de imunossupressão importante. por outro lado, é importante
ressaltar que o uso de contraceptivo hormonal não protege contra a transmissibilidade
do HIV

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 * [Mais sobre transmissão de mãe para filho na gestação](https://soropositivo.org/mais-sobre-transmissao-de-mae-para-filho-na-gestacao/)
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 * [Novo remédio para o câncer de mama mira célula doente como um GPS](https://soropositivo.org/novo-remedio-para-o-cancer-de-mama-mira-celula-doente-como-um-gps/)
 * [Disfunção Sexual Masculina e Feminina](https://soropositivo.org/disfuncao-sexual-masculina-e-feminina/)
 * [Mulheres já podem tratar câncer durante a gravidez](https://soropositivo.org/mulheres-ja-podem-tratar-cancer-durante-a-gravidez-2/)
 * [Tumor no colo de útero é o mais comum, pois costuma atingir mulheres jovens](https://soropositivo.org/tumor-no-colo-de-utero-e-o-mais-comum-pois-costuma-atingir-mulheres-jovens-2/)

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