# A perda de tecido ósseo, após o início da menopausa, pode colocar as mulheres que vivem com VIH em situações de risco para fracturas

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- Published: 2010-08-22T12:32:24-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Kelly Safreed-Harmon

### **Após a menopausa as mulheres que vivem com VIH, podem correr um maior risco de vir a ter uma fractura devido à baixa densidade mineral óssea (DMO ou BMD, em inglês), de acordo com um estudo publicado no _The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism_.**

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 * [Após a menopausa as mulheres que vivem com VIH, podem correr um maior risco de vir a ter uma fractura devido à baixa densidade mineral óssea (DMO ou BMD, em inglês), de acordo com um estudo publicado no The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism.](https://soropositivo.org/a-perda-de-tecido-osseo-apos-o-inicio-da-menopausa-pode-colocar-as-mulheres-que-vivem-com-vih-em-situacoes-de-risco-para-fracturas/#apos-a-menopausa-as-mulheres-que-vivem-com-vih-podem-correr-um-maior-risco-de-vir-a-ter-uma-fractura-devido-a-baixa-densidade-mineral-ossea-dmo-ou-bmd-em-ingles-de-acordo-com-um-estudo-publicado-no)
 * [Referência](https://soropositivo.org/a-perda-de-tecido-osseo-apos-o-inicio-da-menopausa-pode-colocar-as-mulheres-que-vivem-com-vih-em-situacoes-de-risco-para-fracturas/#referencia)
 * [Tradução](https://soropositivo.org/a-perda-de-tecido-osseo-apos-o-inicio-da-menopausa-pode-colocar-as-mulheres-que-vivem-com-vih-em-situacoes-de-risco-para-fracturas/#traducao)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/a-perda-de-tecido-osseo-apos-o-inicio-da-menopausa-pode-colocar-as-mulheres-que-vivem-com-vih-em-situacoes-de-risco-para-fracturas/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/a-perda-de-tecido-osseo-apos-o-inicio-da-menopausa-pode-colocar-as-mulheres-que-vivem-com-vih-em-situacoes-de-risco-para-fracturas/#relacionado)

O artigo relata diferenças significativas observadas por investigadores norte-americanos,
que compararam mulheres hispânicas e afro-americanas seronegativas e seropositivas
para a infecção pelo VIH, em menopausa

A coorte composta por mulheres seropositivas teve valores mais baixos de DMO em 
comparação com a coorte composta por mulheres seronegativas, parecendo mostrar ainda
variações mais rápidas de alterações metabólicas no tecido ósseo.

Com uma população crescente de pessoas seropositivas na faixa etária dos 50 anos
ou mais, há uma necessidade cada vez maior de compreender a interacção entre o VIH
e as doenças relacionadas com a idade.

Com o envelhecimento, tanto as mulheres como os homens perdem densidade mineral 
óssea, contudo, as mulheres encontram-se em maior risco de desenvolver osteoporose.
Uma das razões é a diminuição da produção de estrogénio após a menopausa. Os elevados
níveis de estrogénio, presentes quando se é mais jovem, têm um efeito protector 
dos ossos.

O recente estudo norte-americano contou com a participação de 108 mulheres seronegativas
e 110 seropositivas para o VIH em período de pós-menopausa, com idade superior a
40 anos, todas elas hispânicas ou afro-americanas. As mulheres eram seguidas em 
duas clínicas de Nova Iorque. Aproximadamente, quatro quintos das mulheres seropositivas
para o VIH tomavam terapêutica anti-retroviral, com 28% em regime com inibidores
da transcriptase reversa análogos não-nucleósidos e 39% em regimes de inibidores
da protease.

Após efectuar os ajustes para idade, etnia e índice de massa corporal (IMC), os 
investigadores concluíram que as mulheres seropositivas para o VIH tinham uma DMO
da coluna lombar (_lower lumbar spine_ – LS) 4,5% menor do que as mulheres seronegativas
para a infecção (p = 0,04). Havia também tendências não significativas em relação
à DMO total da anca (TH) e à DMO do rádio do braço não dominante.

Mais mulheres seropositivas para o VIH do que as seronegativas tinham valores de
_T-score_ abaixo de -1,0 (78% vs 64% em LS; 45% vs 29% em TH; e 64% vs 46% no colo
do fémur [FN, em inglês], todas p < 0,05). Após ajuste do IMC, as mulheres seropositivas
para o VIH também tinham valores de _Z-score_ significativamente menores no LS, 
TH e FN.

Os valores de _T-score_ são uma medida amplamente utilizada para avaliar como varia
a densidade óssea de uma pessoa a partir da densidade descrita em pessoas jovens
saudáveis com a diferença descrita em unidades de desvio padrão em relação à média.
Os _Z-scores_ são baseados em comparações da densidade óssea em pessoas da mesma
idade, género e peso.

A DMO, e os valores de _T-score_ e _Z-score_ encontrados em mulheres seropositivas
para a infecção pelo VIH a fazer terapêutica anti-retroviral (TARV) foram comparáveis
aos daquelas que não estavam sob TARV.

O tecido ósseo é destruído e substituído continuamente e o desgaste ósseo ocorre
quando a perda supera a formação de tecido. O processo metabólico de renovação do
tecido ósseo pode ser assinalado por biomarcadores conhecidos como marcadores de
formação e reabsorção óssea (BTMs, em inglês).

Quando os investigadores compararam o número de BTM nas duas coortes, concluíram
que alguns BTMs divergiam significativamente de acordo com o estatuto serológico
positivo para a infecção pelo VIH. As mulheres seropositivas tinham níveis mais 
elevados de telopeptídeos N e telopeptídeos C, dois subprodutos de destruição óssea
em comparação com as mulheres seronegativas.

As mulheres seropositivas tinham também níveis elevados de _serum_ TNFα, uma proteína
que afecta o metabolismo ósseo.

Após efectuar os controlos relativos à idade, IMC, raça e consumo de álcool, os 
investigadores concluíram que o estatuto serológico positivo para o VIH era um indicador
preditivo independente de DMO no LS e TH.

Análises adicionais sugerem que a rápida degradação óssea e os elevados níveis de
TNFα e interleucina-6 podem ser factores mediadores do desgaste ósseo relacionado
com o VIH.

A DMO não foi relacionada com a contagem de células CD4, níveis plasmáticos de ARN
do VIH-1, critérios de SIDA, período de tempo sob terapêutica anti-retroviral ou
classe de medicamentos.

Outras pessoas sugeriram que o generalizado menor peso das pessoas seropositivas
para o VIH estava fortemente relacionado com os níveis de DMO. Os autores do estudo
questionam esta interpretação, após terem observado que a DMO permanece baixa após
ajustar o IMC.

“Importante é que o baixo peso é um factor de risco poderoso para a fractura osteopática”,
comentam. “Assim, o facto de a DMO ser menor em pessoas que vivem com VIH tem relevância
clínica, seja ou não directamente atribuível ao VIH ou mediado indirectamente pelo
efeitos do VIH no peso ou noutros parâmetros”.

Outros estudos encontraram baixas DMO em pessoas que vivem com VIH, mas a maioria
destes estudos centraram-se em coortes jovens. É plausível que, tanto a infecção
pelo VIH como a terapêutica anti-retroviral possam ter efeitos prejudiciais sobre
a saúde óssea. Os autores notam que a DMO normalmente desce nos primeiros dois anos
após o início do tratamento anti-retroviral, e depois normaliza.

_z-score, o desvio padrão acima ou abaixo da media para a idade, sexo e etnia _

_t-score, o desvio padrão acima ou abaixo da media para um adulto saudável de 30
anos do mesmo sexo e etnia_

### Referência

 Yin MT et al. _Low bone mass and high bone turnover in postmenopausal HIV-infected
women_. J Clin Endocrinol Metab (advance online publication, January 2010) doi:10.1210/
jc.2009-0708.

### Tradução

 [GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA](http://www.gatportugal.org/)

 

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## Leia também

 * [Prevê-se que o consumo de heroína e a SIDA reduzam a densidade mineral óssea em homens mais velhos que vivem com VIH](https://soropositivo.org/preve-se-que-o-consumo-de-heroina-e-a-sida-reduzam-a-densidade-mineral-ossea-em-homens-mais-velhos-que-vivem-com-vih/)
 * [Prevalência da hepatite C nas pessoas que vivem com VIH no Reino Unido é de 9%](https://soropositivo.org/prevalencia-da-hepatite-c-nas-pessoas-que-vivem-com-vih-no-reino-unido-e-de-9/)
 * [A infecção pelo VIH está associada a uma função sexual reduzida nas mulheres](https://soropositivo.org/a-infeccao-pelo-vih-esta-associada-a-uma-funcao-sexual-reduzida-nas-mulheres/)

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