# A trombocitopénia está associada às interrupções de tratamento: a replicação do VIH é uma das causas

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- Published: 2010-08-22T18:50:09-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Michael Carter

## **Investigadores franceses reportam, na 15^(a) edição do _Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes_, que um quarto dos doentes que interrompem a terapêutica anti-retroviral desenvolve trombocitopénia.**

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 * [Investigadores franceses reportam, na 15a edição do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes, que um quarto dos doentes que interrompem a terapêutica anti-retroviral desenvolve trombocitopénia.](https://soropositivo.org/a-trombocitopenia-esta-associada-as-interrupcoes-de-tratamento-a-replicacao-do-vih-e-uma-das-causas/#investigadores-franceses-reportam-na-15a-edicao-do-journal-of-acquired-immune-deficiency-syndromes-que-um-quarto-dos-doentes-que-interrompem-a-terapeutica-antiretroviral-desenvolve-trombocitopenia)
 * [Referência](https://soropositivo.org/a-trombocitopenia-esta-associada-as-interrupcoes-de-tratamento-a-replicacao-do-vih-e-uma-das-causas/#referencia)
 * [Tradução](https://soropositivo.org/a-trombocitopenia-esta-associada-as-interrupcoes-de-tratamento-a-replicacao-do-vih-e-uma-das-causas/#traducao)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/a-trombocitopenia-esta-associada-as-interrupcoes-de-tratamento-a-replicacao-do-vih-e-uma-das-causas/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/a-trombocitopenia-esta-associada-as-interrupcoes-de-tratamento-a-replicacao-do-vih-e-uma-das-causas/#relacionado)

“Até uma interrupção de poucas semanas pode levar a uma trombocitopénia grave”, 
comentam os investigadores.

O desenvolvimento da trombocitopénia durante as interrupções de tratamento foi correlacionado
com a descida na contagem das células CD4 e o aumento da carga viral. Um estudo 
separado dos E.U.A., publicado na mesma edição do jornal e [reportado no **aidsmap.com**](http://aidsmap.com/en/news/6A1394EA-E071-46B8-AAB5-73DEFD6DC0B3.asp),
também constatou que uma carga viral detectável foi um factor de risco para o desenvolvimento
da trombocitopénia.

A interrupção de tratamento não é uma estratégia de tratamento recomendável. Os 
resultados do estudo SMART provaram que as pessoas que não estavam em tratamento
continuado tinham um risco significativamente mais elevado de desenvolver doenças
relacionadas e não relacionadas com a infecção pelo VIH do que os que não o interrompiam.

A trombocitopénia – uma redução no número de plaquetas – pode ser um sintoma da 
infecção pelo VIH. Antes de a terapêutica anti-retroviral eficaz se tornar disponível,
a trombocitopénia podia afectar 45% dos doentes com SIDA. Embora a sua incidência
tenha diminuído com a introdução da terapêutica de combinação, a investigação mais
recente sugere que cerca de 3% dos doentes ainda desenvolve este problema.

O risco de trombocitopénia durante as interrupções de tratamento não foi descrito
previamente. Por isso, os investigadores do ensaio francês ANRS 106-Window analisaram
a incidência e os factores de risco deste problema comparando doentes que interrompiam
a terapêutica para o VIH e os que não a interrompiam. O estudo durou 96 semanas,
com monitorização dos doentes a intervalos de oito semanas.

Um total de 391 doentes foram recrutados para o estudo e 197 estavam em tratamento
intermitentemente, enquanto os outros nunca o interromperam. Não havia diferenças
significativas entre os dois braços no início do estudo. Todos estavam sob terapêutica
anti-retroviral estável, tinham uma carga viral indetectável e uma contagem média
das células CD4 de 741/mm^(3).

A trombocitopénia era diagnosticada quando um doente tinha uma contagem das plaquetas
inferior a 150 x 10^(3)/mm^(3) e a trombocitopénia grave se a contagem era abaixo
de 50 x 10^(3)/mm^(3).

No total, 50 doentes (25%) dos que interrompiam a terapêutica desenvolveram trombocitopénia,
em comparação com 19 (10%) dos que estavam em tratamento de modo continuado. Esta
diferença foi muito significativa (p < 0,0001).

A trombocitopénia desenvolveu-se, em média, em apenas nove semanas entre os doentes
que interrompiam o tratamento, em comparação com uma média de 40 semanas nos que
não o interrompiam.

A trombocitopénia grave foi diagnosticada em 5% dos que estavam intermitentemente
em tratamento e apenas em 1% dos que estavam de modo continuado (p = 0,03).

A análise estatística que controlou para possíveis factores aleatórios mostrou que
o desenvolvimento da trombocitopénia foi associado significativamente às interrupções
do tratamento (rácio de probabilidade 4,10; IC 95%: 2,14-7,85), a uma baixa contagem
das plaquetas no início do estudo (rácio de probabilidade 3,41; IC 95%: 2,30-5,06)
e a uma história prévia de trombocitopénia relacionada ao VIH (rácio de probabilidade
11,87; 95% CI: 2,43-57,93).

A contagem d plaquetas diminuiu rapidamente entre os que não estavam em tratamento
de modo continuado e foram significativamente mais baixas neste grupo após a primeira
interrupção (p < 0.001). A contagem das plaquetas aumentou subsequentemente quando
o tratamento foi reiniciado. No entanto, no fim do estudo, os que estavam no braço
da interrupção tiveram uma contagem mais baixa de plaquetas do que os que estavam
em tratamento de modo continuado (p = 0,01).

Além disso, os investigadores constataram que as diminuições no número de plaquetas
eram significativamente associadas à contagem das células CD4 (p < 0,0001) e à carga
viral (p = 0,0005).

“Conseguimos mostrar que o risco de trombocitopénia é elevado entre os doentes que
interrompem a terapêutica anti-retroviral, com uma incidência às 96 semanas de cerca
de 25%”, comentam os investigadores.

Realçando que a contagem de plaquetas desceu rapidamente após a interrupção do tratamento,
os investigadores escrevem, que “é importante…lembrar aos doentes e aos médicos 
que até uma curta interrupção do tratamento, mesmo de poucas semanas, pode levar
ao desenvolvimento de uma trombocitopénia grave e as plaquetas têm de ser monitorizadas
se a terapêutica tem de ser interrompida”.

Os investigadores sugerem, que “a descida na contagem das plaquetas observada durante
cada interrupção da terapêutica é…provavelmente uma consequência directa da replicação
pelo VIH”.

Os investigadores observam que as interrupções do tratamento devem ser “rigorosamente
proibidas” aos doentes com contagens baixas de plaquetas e uma história prévia de
trombocitopénia. Concluem, que “a trombocitopénia…é mais uma limitação da interrupção
do tratamento, que deve ser evitada o mais possível”.

### Referência

 Bouldouyre M-A et al. _Incidence and risk factors of thrombocytopenia in patients
receiving intermittent antiretroviral therapy: a substudy of the ANRS 106-Window
trial_. J Acquire Immune Defic Syndr 52: 531-37, 2009.

### Tradução

 [GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA](http://www.gatportugal.org/)

## Leia também

 * [Interrupções do Tratamento e infecção recente são os principais períodos de transmissão do HIV](https://soropositivo.org/interrupcoes-do-tratamento-e-infeccao-recente-sao-os-principais-periodos-de-transmissao-do-hiv/)
 * [A infecção pelo VIH está associada a uma função sexual reduzida nas mulheres](https://soropositivo.org/a-infeccao-pelo-vih-esta-associada-a-uma-funcao-sexual-reduzida-nas-mulheres/)
 * [Baixa percepção da necessidade de tratamento para o VIH associada à má adesão](https://soropositivo.org/baixa-percepcao-da-necessidade-de-tratamento-para-o-vih-associada-a-ma-adesao/)

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