# Abuso Sexual a menores: Oportunidade perdida pela Igreja

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- Published: 2014-02-16T11:50:37-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

 

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 * [Abuso Sexual a menores: Oportunidade perdida pela Igreja](https://soropositivo.org/abuso-sexual-a-menores-oportunidade-perdida-pela-igreja/#abuso-sexual-a-menores-oportunidade-perdida-pela-igreja)
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 * [Relacionado](https://soropositivo.org/abuso-sexual-a-menores-oportunidade-perdida-pela-igreja/#relacionado)

## _**Abuso Sexual a menores**_: Oportunidade perdida pela Igreja

![abuso sexual a menores](/wp-content/uploads/2014/02/abuso%25252Bsexual.gif "abuso
sexual a menores")

 

Thomas Medichinni⌊Nos últimos anos do papado de Bento XVI, 400 padres foram demitidos
e, pela nova lei, eles jamais poderão atuar como sacerdote⌉Nos últimos anos do papado
de Bento XVI, 400 padres foram demitidos e, pela nova lei, eles jamais poderão atuar
como sacerdote

A segunda etapa tem a ver com o fato de tratar o abuso sexual como um pecado: exigir
o arrependimento e a promessa de reforma. Afinal, somos uma Igreja do perdão. Pensou-
se que, se o sacerdote fosse afastado da “tentação”, indo para outra paróquia, o
problema estaria resolvido. Em vez disso, muitos sacerdotes encontraram outras crianças
para vitimar e abusar novamente. Em outras palavras, os bispos responderam ao sacerdote
pastoralmente, mas ignoraram o risco para as crianças. A terceira foi lidar com 
o abuso como um problema psicológico que pudesse ser curado. Os sacerdotes foram
enviados para aconselhamento e terapia. Psicólogos incompetentes asseguraram aos
bispos que eles poderiam curar os sacerdotes. Eles argumentaram que era essencial,
se o processo de terapia fosse dar certo, que os sacerdotes tivessem a chance de
voltar ao ministério. Eles tentaram imitar o modelo bem-sucedido de tratar sacerdotes
alcoólatras. Muitos sacerdotes, de fato, pararam de abusar, mas ninguém podia dizer
com certeza quais sacerdotes eram confiáveis e quais não eram confiáveis. Embora
uma taxa de reincidência de 10% pode ser considerada como um êxito extraordinário
no sistema de justiça criminal, ela não é boa o suficiente quando falamos de colocar
crianças em risco. Tolerância zero é a única opção segura. Ao mesmo tempo em que
a Igreja estava respondendo inadequadamente aos sacerdotes, ela também estava respondendo
inadequadamente às vítimas em pelo menos três maneiras. O primeiro erro foi ver 
as vítimas como um problema financeiro. Temendo prejuízos financeiros enormes, os
bispos ouviram os advogados e companhias de seguros, que ameaçaram não pagar a diocese
a menos que a diocese seguisse as suas estratégias legais. Esses temores eram reais,
como se pode ver pelos bilhões pagos em indenizações e pelas 11 dioceses que tiveram
que entrar em falência. Infelizmente, enquanto alguns veem esses pagamentos como
forma de punir os bispos, na verdade, eles só puniram os doadores diocesanos e as
pessoas que podiam ter sido ajudadas com esse dinheiro. Nenhum bispo jamais ficou
sem uma refeição por causa de pagamentos. Mas, novamente, a incompetente assessoria
jurídica piorou as coisas. “Não fale com a vítima. Não se desculpe. Bloqueie. Encubra
tudo. Ataque a credibilidade da vítima.” Muitas vítimas de abuso sexual a menores–
que teriam resolvido tudo com um pedido de desculpas, com ajuda na cobertura do 
custo da terapia, e a garantia de que outras crianças não seriam feridas – ficaram
ainda mais furiosas pela forma que foram tratadas pela diocese. Elas procuraram 
advogados para processar. ** Relatório da ONU foi mal elaborado** O relatório de
16 páginas da comissão da ONU é muito fácil de ser desconsiderado porque foi mal
feito. Ele ainda disse que a Igreja deveria usar seu poder para fazer os pais católicos
pararem de espancar seus filhos ou de não ouvi-los. Ao tocar em questões como aborto,
controle de natalidade e homossexualidade, o relatório só colabora com aqueles na
Igreja que se opõem a lidar com esta crise. O relatório será, sem dúvida, o golpe
fatal de qualquer possibilidade de obter que a Convenção sobre os Direitos da Criança
seja ratificada pelo senado dos EUA. Isso mesmo, a comissão estava repreendendo 
o Vaticano sobre uma convenção internacional que os EUA não ratificaram.

Alessandra Tarantino/AP⌊Francisco criou comissão internacional para enfrentar crise
dos abusos sexuais e propor solução⌉Francisco criou comissão internacional para 
enfrentar crise dos abusos sexuais e propor solução

O Vaticano poderia ter argumentado legitimamente que, como signatário da convenção,
só é responsável por fazer cumprir a convenção no território do estado da Cidade
do Vaticano, onde as únicas crianças são os filhos de oficiais da Guarda Suíça. 
Embora essa resposta seria tecnicamente precisa, considerando o registro passado
da Igreja, uma réplica desse tipo simplesmente não colaria. Tenho orgulho de trabalhar
para um jornal que, desde meados da década de 1980, é o líder em expor essa crise
na Igreja. Reconhecer melhorias não é desculpa para o passado, nem significa que
uma vigilância contínua não é mais necessária. Eu fui enganado muitas vezes no passado
por ter sido assegurado de que a Igreja tinha tudo sob controle. ** Medo levou a
Igreja a cometer erros** O segundo erro cometido pelo Vaticano foi enxergar o abuso
como um escândalo. Bispos sabiam que os paroquianos ficariam chocados e horrorizados
se descobrissem que seu sacerdote era um agressor. Os meios de comunicação iriam
transmitir essas histórias por toda a diocese e talvez até mesmo por todo o país.
Isso iria desafiar a fé das pessoas na bondade e na sabedoria do clero. Isso poderia
reduzir doações. Mas, novamente, os bispos pioraram as coisas. Ao invés de expor
tudo de uma vez só, as más notícias ficaram gotejando ao longo dos anos de modo 
que as pessoas eram constantemente lembradas da crise dos abusos. Toda vez que você
pensava que tinha acabado, mais informações vinham à tona. Mesmo que a maioria dos
casos fosse antiga, parecia que a igreja ainda não tinha se dado conta. ⌊abuso sexual
a menores⌉ O terceiro erro foi ver a crise dos abusos como uma luta pelo poder. 
Aqui, os bispos viam a “mídia secular e liberal”, que se opunha aos bispos nas questões
do aborto, casamento gay e contracepção, como uma tentativa de destruir a igreja.
Eles viam os procuradores e políticos como que tentando interferir no funcionamento
da igreja. Eles viam os advogados das vítimas como aqueles que estavam enchendo 
os bolsos com grandes pagamentos. Eles viam os católicos liberais insistindo com
os assuntos sobre padres casados, mulheres sacerdotes e reformas democráticas na
igreja. Ver a crise como uma luta pelo poder tornou quase impossível para a Igreja
fazer a coisa sensata: fazer um bispo admitir seus erros, assumir total responsabilidade
e renunciar. A renúncia era vista como uma vitória para os advogados, para a mídia
e para aqueles que queriam mudar as práticas da Igreja. Em vez de fazer o melhor
para a Igreja, os bispos esperaram até que sua credibilidade estivesse destruída,
tornando impossível para a igreja se curar. Tudo isso foi devastador, especialmente
para as crianças que foram abusadas e para as vítimas mal tratadas pela Igreja, 
mas também foi devastador para a própria Igreja. ** Relatório ignora o ‘tolerância
zero’ da Igreja ** O relatório da comissão da ONU, no entanto, ignora o que o Vaticano
tem feito para melhorar as coisas. O Papa Bento XVI fez da tolerância zero a lei
universal da Igreja. Isso significa que se um padre estiver envolvido no abuso de
uma criança ele nunca mais poderá atuar como um sacerdote novamente. Nos dois últimos
anos de seu papado, cerca de 400 padres foram demitidos do sacerdócio. Além disso,
as igrejas locais devem seguir as leis locais e denunciar o abuso às autoridades
civis. O Papa Bento XVI também ordenou que cada conferência episcopal do mundo elaborasse
políticas e procedimentos para lidar com casos de abuso sexual. Teria sido legítimo
por parte da comissão perguntar se as políticas da Igreja estão, de fato, sendo 
aplicadas e se os bispos que não as seguem estão sendo responsabilizados. Por exemplo,
o bispo Robert Finn, de Kansas, Missouri, foi condenado em tribunal por não denunciar
um padre. Ele está ainda no cargo. A Conferência Episcopal Italiana decidiu não 
exigir dos bispos em denunciar padres abusadores às autoridades. Ela deveria dizer
para que eles o fizessem. E algumas conferências episcopais não cumpriram o prazo
para a apresentação de suas políticas e procedimentos para a revisão. Foi bom que
o Papa Bento XVI estabelecesse melhores políticas para a igreja católicia, mas agora
o Vaticano precisa ter certeza de que os bispos as estão seguindo. Além disso, é
legítimo perguntar o que mais deveria ser feito. Mais transparência certamente deveria
estar no topo da lista. Em dezembro, o Papa Francisco anunciou a formação de uma
comissão internacional para estudar a crise dos abusos sexuais e para que fosse 
feita uma lista das melhores práticas a serem tomadas. Compartilhar as melhores 
práticas é uma excelente ideia de forma que o resto da Igreja possa aprender com
a Igreja dos EUA e não cometer os mesmos erros que esta última cometeu. Nos primeiros
tempos da crise, os europeus pensavam que o abuso sexual era um problema americano.
Então, quando ele atingiu a Irlanda e a Inglaterra, ele foi rotulado como um problema“
de língua inglesa”. Em seguida, ele atingiu os países de língua alemã. Foi trágico
assistir todos os bispos desses países repetir os erros dos bispos norte-americanos.
Hoje, temo que os bispos da América Latina e da África achem que isso é um problema“
de primeiro mundo”. Eles estão prontos para cometer os mesmos erros novamente. Eles
dizem não saber de muitas vítimas. Nem os bispos dos Estados Unidos até a década
de 1990. Eles precisam ser proativos e não esperar até que o problema exploda sobre
eles. Reconhecer que a Igreja está trabalhando melhor hoje não diminui sua responsabilidade
pelo terrível trabalho que fez no passado. Também não significa que não deve procurar
constantemente por melhores formas de responder aos abusos dos padres. Nota do editor
de Soropositivo Web Site: Sem dúvida que o abuso sexual a menores é uma chaga viva
dentro da Igreja católica. Geralmente eu me ponho, quase sempre, contra a Igreja
e seus sacerdotes, não seus crentes, porque a maneira como a igreja tenta manipular
o povo (eu vi isso com meus próprios olhos) com mentiras é ignominiosa e mordaz 
ao mesmo tempo! Mas o abuso sexual a menores existe em todos os núcleos onde se 
reúnem “seres humanos” e ninguém faz nada. Com o perdão da palavra, é FODA, eu diria
fodíssima!

## Leia também

 * [Abuso Sexual: O sofrimento das vítimas](https://soropositivo.org/abuso-sexual-o-sofrimento-das-vitimas/)
 * [Abuso sexual: 14 crianças vitimadas por dia](https://soropositivo.org/abuso-sexual-14-criancas-vitimadas-por-dia/)
 * [Abuso sexual: O longo caminho da superação](https://soropositivo.org/abuso-sexual-o-longo-caminho-da-superacao/)

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