# Aids avança em cidades menores

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- Published: 2009-11-27T12:58:35-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Em municípios com menos de 50 mil habitantes, incidência foi de 4,4 para 8,2 casos
por mil pessoas
  

Nas cidades com mais de 500 mil habitantes, a maior queda na incidência em dez anos
foi registrada em Ribeirão Preto (72%)

 

 

LARISSA GUIMARÃES

 

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

 

 

A **AIDS** avança mais nas cidades com até 50 mil habitantes, enquanto nos grandes
centros urbanos a tendência é de queda ou estabilização na incidência. É o que mostra
o boletim epidemiológico divulgado ontem pelo Ministério da Saúde. Nos municípios
com menos de 50 mil habitantes, a incidência (número de casos por 100 mil habitantes)
passou de 4,4 para 8,2 entre 1997 e 2007. Situação inversa ocorreu nas cidades com
mais de 500 mil habitantes. Em 1997, esse índice estava no patamar de 32,3, e a 
taxa chegou a 27,4 em 2007.

 

Ambas as tendências são observadas nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, de acordo
com a diretora do departamento de DST/**AIDS** do Ministério da Saúde, Mariângela
Simão. Entre as cidades com mais de 500 mil habitantes, o município com maior queda
em dez anos foi Ribeirão Preto (72%).

 

“A **AIDS** é uma doença de grandes e pequenos municípios porque hoje 90% das cidades
no Brasil têm pelo menos um caso”, diz Simão. Segundo ela, o país tem elevado percentual
de população sexualmente ativa e os índices de uso regular do PRESERVATIVO ainda
são baixos.

 

Para Caio Rosenthal, infectologista do Instituto Emílio Ribas, já se sabia, desde
o início da epidemia de **AIDS**, que haveria uma “interiorização” da doença. Ele
afirma que as campanhas de prevenção sempre ficaram mais focadas nas capitais e 
nas cidades maiores. “No interior ainda há muita resistência à CAMISINHA. As drogas
também são muito frequentes.”

 

Nas regiões Norte e Nordeste, no entanto, há um crescimento da doença tanto nos 
municípios grandes quanto nos pequenos. “Há capitais em que mais que dobrou a incidência
nos últimos dez anos”, afirma Mariângela Simão.

 

É o caso, por exemplo, de Recife e de Maceió, que registraram aumento superior a
80% entre os anos de 1997 e 2007. Em cidades no Norte do país, a situação é mais
preocupante. Em Belém, a incidência de **AIDS** teve crescimento de 230% em dez 
anos, de acordo com o Ministério da Saúde. Segundo a diretora do departamento de
DST/**AIDS**, os Estados de Roraima e do Amapá exigem atenção maior porque há grande
fluxo de migração na fronteira com a Guiana e a Guiana Francesa. “As Guianas têm
dez vezes a taxa de incidência que existe no Brasil.”

 

Ela indicou também que na região Norte existe maior dificuldade de acesso geográfico,
o que pode dificultar a procura por tratamento e diagnóstico.

 

 

Casos novos

 

Dados preliminares mostram que, em 2008, o país teve 34,4 mil casos novos de **AIDS**.
O número é considerado estável em relação ao ano anterior, quando houve 33.909 notificações-
o Sudeste é ainda concentra o maior percentual de casos (quase 60% do total). O 
Ministério da Saúde estima que haja 630 mil pessoas infectadas no país -sendo que
cerca de 255 mil ainda não se submeteram ao teste de **HIV** e desconhecem a contaminação.

 

 

Colaborou CLÁUDIA COLLUCCI, da Reportagem Local

 

## Leia também

 * [Aids avança no Norte e Nordeste](https://soropositivo.org/aids-avanca-no-norte-e-nordeste/)
 * [Casos de Aids dobram em cidades pequenas](https://soropositivo.org/casos-de-aids-dobram-em-cidades-pequenas/)
 * [Aids migra para o interior](https://soropositivo.org/aids-migra-para-o-interior/)
 * [Preconceito em cidades menores – Ainda pior…](https://soropositivo.org/preconceito-em-cidades-menores-ainda-pior/)

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