# Aids cai na América Latina, e luta contra exclusão aumenta

- Link: https://soropositivo.org/aids-cai-na-america-latina-e-luta-contra-exclusao-aumenta/
- Published: 2011-06-05T14:53:19-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

|

**⌊america-do-sul⌉⌊america-do-sul⌉

**AIDS** | **CONTRACEPTIVOS** | **ANTIRRETROVIRAIS **

 

A batalha contra a **AIDS** avança na América Latina, onde o número de novas infecções diminuiu desde 2000 até se situar em 1,8 milhões de casos, e foca agora na ampliação do acesso aos tratamentos médicos. O Brasil lidera a luta contra a síndrome, com um terço dos soropositivos da América Latina (592.914 casos desde 1980) e é considerado um modelo pelas Nações Unidas quanto a políticas de prevenção.

A distribuição gratuita em 2009 de 480 milhões de **PRESERVATIVOS** e o fato de a Organização Mundial do Comércio (OMC) ter reconhecido que o direito a remédios baratos está acima da proteção das patentes são alguns dos avanços brasileiros.

Nesse mesmo caminho se encontra Cuba, que até 2010 tinha quase 12 mil pessoas diagnosticadas e que, segundo dados oficiais, conseguiu manter o índice de contaminação pelo vírus de imunodeficiência humana (**HIV**) mais baixo das Américas e uma média de um a dois nascimentos anuais de crianças infectadas.

Desde 1992, o Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia de Havana investiga um remédio contra a doença, e atualmente trabalha em uma vacina terapêutica para soropositivos.

 

O diretor da Unaids para a América Latina, César Núñez, reiterou que em metade dos países da região, “mais de 70% dos infectados com **HIV** recebem tratamento farmacológico”, embora cerca de 800 mil não tenham acesso por falta de recursos.

 

Da Argentina, onde 130 mil pessoas vivem com **HIV**, a presidente da Comunidade Internacional de Mulheres Vivendo com o **HIV** e **AIDS**, Patricia Pérez, pediu que os Governos deslocassem o dinheiro destinado às armas para financiar a luta contra a doença, ao invés de cortar programas de saúde por causa da crise econômica.

 

Segundo o médico Pedro Cahn, impulsionador do primeiro centro argentino de atendimento a pessoas com **HIV** e ex-presidente da Sociedade Internacional da **AIDS**, “quando se sobrepõe o mapa da doença com o da pobreza é assombrosa a similitude”.

 

Por isso a situação do Haiti preocupa, já que a cobertura com **ANTIRRETROVIRAIS** chega somente a 43% de sua população, longe do desejado acesso universal promovido pelo Unaids.

 

O terremoto de janeiro de 2010 no país piorou a situação, e o risco de infecção aumentou pela violência sexual e de gênero nos campos de desabrigados, onde vivem cerca de 800 mil pessoas.

O país concentra 46% das pessoas com **HIV** no Caribe, com 120 mil casos, e a isso se soma a epidemia de cólera (5.234 mortos) que dificultou a capacidade de oferta de serviços relacionados com o **HIV** no empobrecido país.

 

Na América Central, apesar dos esforços na provisão de medicamentos, o desafio pendente é a prevenção, segundo Núñez. De fato, só a Nicarágua, com 6.122 portadores do **HIV**, aparece na lista das nações onde “mais de 80% dos jovens conhecem os métodos de prevenção à transmissão por via sexual”, disse.

 

O Ministério da Saúde da Costa Rica (2.093 casos de **HIV** e 1.720 de **AIDS** entre 2002-2009) afirmou em um estudo que “é preciso realizar um trabalho de conscientização sobre a importância do uso do ** **

 

**PRESERVATIVO**“.

 

Por isso, Rafael Espada, vice-presidente da Guatemala (país com mais de 70 mil contagiados com **HIV**, dos quais 22 mil têm **AIDS**), está decidido a “apoiar com entusiasmo” a nova Declaração que a ONU assinará em Nova York na próxima semana durante a reunião de alto nível sobre a doença.

 

Na América Latina, a cobertura dos **ANTIRRETROVIRAIS** para prevenir a transmissão materno-infantil é de 53%, e em seis nações (Nicarágua, Chile, Uruguai, Argentina, Equador e Costa Rica) é de 80%.

 

Sobre este aspecto, o diretor-geral de Saúde Pública do Ministério da Proteção Social da Colômbia, Lenis Urquijo, qualificou de “importante” o programa existente desde 2005 para evitar a transmissão de mãe para filho.

 

Em 2010, dos 450 mil exames realizados em mulheres só 600 resultaram soropositivas e apenas 8 crianças (menos de 2%) nasceram infectadas.

 

Agora “há grandes desafios”, disse o diretor do Programa Nacional do Controle da **AIDS** (Pronasida) do Paraguai (10.436 contágios desde 1985), Nicolás Aguayo, que reclamou da falta de recursos para uma campanha “de maior escala e com mais eficácia”.

 

Na Venezuela, defensores dos direitos dos afetados afirmam que a crise na saúde pública prejudicou a resposta sanitária ao mal.

 

Apesar destas dificuldades, o México (144 mil pacientes de **AIDS**) oferece desde 2003 acesso gratuito a **ANTIRRETROVIRAIS**, assim como a Bolívia, que diz ter 6.472 contagiados.

 

O mesmo acontece no Chile, que ajuda infectados que não têm recursos ou que ganham menos de US$ 365 mensais, e no Peru, que há mais de oito anos incorporou ao seguro social o Tratamento antirretroviral de Grande

 

Atividade e, desde 2004, trata de forma gratuita sete mil pacientes com o Fundo Global das Nações Unidas.

 

Porém, talvez o maior desafio na América Latina seja ainda hoje, 30 anos após a descoberta do primeiro caso no mundo, acabar com o tabu que persiste em nações como o Equador (37 mil infectados).

 

O estigma e a discriminação fazem com que muitos equatorianos enfrentem a doença às escondidas por medo de sofrerem rejeição social, já que, segundo uma enquete de 2010, 75% dos cidadãos de Quito não morariam com moradores infectados.

 

 

Fonte: Terra

 
 **AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA AIDS | **

 |

## Leia também

 * [O tratamento de pessoas soropositivas no Brasil e na América Latina](https://soropositivo.org/o-tratamento-de-pessoas-soropositivas-no-brasil-e-na-america-latina/)
 * [Cai em 78% o número de bebês que vieram à Luz entre 2001 e 2013 na América Latina com HIV](https://soropositivo.org/cai-em-78-o-numero-de-bebes-que-vieram-a-luz-entre-2001-e-2013-na-america-latina-com-hiv/)
 * [HIV na América Latina e África: Fatos Importantes](https://soropositivo.org/hiv-na-america-latina-e-africa-fatos-importantes/)

**Este blog existe há 25 anos.**
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou 
de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo
que demore um pouco.E se quiser, mande um Pix de **R$ 0,25** pelos 25 anos de trabalho:**
Chave Pix:** solidariedade@soropositivo.org_Você também pode me escrever para: claudio@
soropositivo.org_

### _Relacionado_