# Aids entre gays franceses segue “incontrolável”, diz estudo

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- Published: 2010-09-14T18:37:32-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Lúcia Müzell Direto de Paris

 As campanhas de prevenção à aids desenvolvidas na França ao longo dos últimos 20
anos não estão sendo capazes de controlar a infecção nos homossexuais franceses,
alerta uma pesquisa do Instituto Nacional de Prevenção Sanitária. Quase a metade(
48%) dos novos casos detectados no país envolve um homem gay, de acordo com o estudo,
segundo o qual a doença continua “incontrolável” nesta população.

![mapa_franca](images/stories/videos/09-2010/14-09-2010/mapa_franca.gif "mapa_franca")

Os dados foram publicados na semana passada na revista científica britânica _The
Lancet_ e mostram que, apesar de a contaminação pelo vírus HIV – causador da aids–
estarem em queda desde 2003, este número permanece estável entre os homens homossexuais.
A explicação para o fenômeno, de acordo com entidades de prevenção à doença, reside
nas práticas sexuais dos gays, que os expõem mais facilmente ao contágio se realizadas
sem prevenção.

A prática de sexo anal sem preservativo, como a camisinha, e o número mais alto 
de parceiros sexuais fazem com que um homem homossexual tenha nada menos do que 
200 vezes mais chances de contrair a doença do que um heterossexual francês, de 
acordo com a pesquisa.

As associações de prevenção à aids, no entanto, dissociam os dados da pesquisa a
uma maior estigmatização do público homossexual em relação à doença. “Essa é uma
realidade da doença, não se pode negar”, afirma Francis G., um porta-voz da associação
Sidaction, a principal do gênero na França.

“No início da epidemia, o público mais atingido era dividido entre homens homossexuais,
mulheres imigrantes e usuários de drogas. Nos dois últimos casos, as campanhas de
prevenção funcionaram, mas, infelizmente, entre os gays nós não conseguimos os mesmos
resultados”, lamenta Francis. De acordo com ele, hoje as mulheres imigrantes e os
usuários de drogas respondem por 2% das contaminações, ou seja, não representam 
mais um chamado “grupo de risco”.

A ligação entre o vírus HIV e o público gay é tão antiga quanto a própria doença.
Os primeiros sintomas da aids foram percebidos em homossexuais americanos, na década
de 70. No início dos anos 80, a doença – até então misteriosa – chegou a ser chamada
de GRID (Gay-related immune deficiency, ou imunodeficiência relacionada aos gays).
No Brasil, ela também apareceu pela primeira vez entre o público homossexual.

“Essa pesquisa nos mostra que, se quisermos reverter os números, precisamos redirecionar
as campanhas e aumentar os investimentos realizados em prevenção”, avalia Christian
Andreo, diretor nacional de campanhas da associação Aides. “Acho que o maior problema
se concentra no interior do país, onde as relações homossexuais ainda são escondidas
e ocasionais. Nestes casos, a pessoa acha que está imune, e é aí que mora o perigo.”

Andreo afirma desconhecer os dados relativos ao restante da Europa. Ele destaca 
que cada país tem a sua característica e que, em muitos deles, a população mais 
afetada pela doença ainda é a de usuários de drogas.

**Alerta na Europa**
 Na sexta-feira, a vez da Organização Mundial da Saúde (OMS)
alertou os países europeus sobre o ainda elevado número de contaminações. De acordo
com a organização, a Europa é o único continente onde o índice de doentes de aids
continua crescendo. A OMS destacou que a causa para essa estatística desfavorável
na Europa Ocidental é justamente o crescente número de relações homossexuais desprotegidas,
indicando que os números elevados de contaminações entre os homossexuais não acontecem
apenas na França.

Desde 2003, o número global de novas contaminações pelo vírus vinha baixando em 
média 3,7% no país. Já entre os homossexuais, a tendência pela estabilidade se mostrava
em contrário: em torno de 1% dos homossexuais masculinos permaneceram contraindo
ano a ano a doença até 2008, contra 0,009% dos heterossexuais. O total de contaminações
anuais passou de 8.930, em 2003, para 6.940, em 2008.

Analisando-se apenas a população de homossexuais, os dados da pesquisa mostram que
entre 13% e 18% dos gays dos gays são soropositivos na França, uma estatística comparável
à encontrada nos países da África subssariana, onde a epidemia é muito maior. Em
países como Moçambique e Zâmbia, há cidades onde até 20% da população é soropositiva.

O diretor da Aides, por outro lado, demonstra particular preocupação em relação 
à quantidade cada vez maior de pessoas que fazem sexo sem preservativos, mesmo se
os tratamentos antivirais têm diminuído as chances de contaminação pelo HIV – que
foi, ironicamente, co-descoberto por um cientista francês em 1983.

“É um fenômeno global. Com o avanço da medicina, as pessoas estão abandonando a 
prevenção”, lamenta. “A diferença é que os homossexuais são mais expostos à contaminação.
Nós estimamos que um homossexual a cada entre cinco e oito seja soropositivo”, diz
Andreo. De acordo com ele, um jovem gay de 25 anos tem mil vezes mais chances de
encontrar um parceiro soropositivo do que um heterossexual.

## Leia também

 * [Malária ajuda a disseminar Aids, diz estudo](https://soropositivo.org/malaria-ajuda-a-disseminar-aids-diz-estudo/)
 * [Número de mortes por Aids baixa no País, diz estudo](https://soropositivo.org/numero-de-mortes-por-aids-baixa-no-pais-diz-estudo/)
 * [Epidemia de AIDS entre gays cresce…](https://soropositivo.org/epidemia-de-aids-entre-gays-cresce/)

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