# Amar também necessita de zelo

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- Published: 2010-11-09T09:49:31-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

[⌊sem-amor-o-coracao-naum-respira⌉⌊sem-amor-o-coracao-naum-respira⌉[De mistério 
a doença crônica. Da morte à qualidade de vida. O médico infectologista Érico Arruda
orienta a conviver – bem – com a doença

No campo de batalha desde o início da década de 1990, quando a **AIDS** era apenas
guerra (e não convivência), o médico Érico Arruda alcançou o outro lado da fronteira.
Atravessou a fase de “doença terminal”, viu a dor: “Nesse começo, minha experiência
foi cuidar das pessoas que iam morrer”. A última década aperfeiçoou o conhecimento
hoje e alicerçou um futuro. “Hoje, tenho o que oferecer, o discurso de perspectiva.
É um grande desafio e isso nos obriga a ter uma visão mais ampla da vida humana.
A **AIDS** me ensinou muito”. Nesta entrevista, o vice-presidente da Sociedade Brasileira
de Infectologia desmitifica a doença e ilumina caminhos. E, sim, é possível também
sonhar não só com um novo amor, mas com uma família inteira. Plena. Apesar do **
HIV**. (Ana Mary C.Cavalcante)

O POVO – Entre tantos tabus, é possível vivenciar o amor, plenamente, na **AIDS**?

Érico Arruda – Não tenho a menor dúvida. Há um fator a mais a ser controlado, superado.
Mas não é um impedimento. Tenho vários exemplos de pessoas que construíram esse 
relacionamento e o com profundidade; não é na superficialidade de uma transa de 
momento.

OP – Qual a principal orientação que o senhor daria aos casais soropositivos e aos
casais sorodiscordantes?

Érico – Do ponto de vista do controle da doença é fundamental que tenham sexo com
segurança. Significa dizer o uso do **PRESERVATIVO** em todas as relações sexuais.
Da perspectiva da reprodução, há técnicas que envolvem um nível de tecnologia e 
custo muito elevado. O mundo foi atrás de uma alternativa: a relação sexual desprotegida.
Durante 30 anos, fomos acumulando conhecimento que é possível garantir uma reprodução
entre casais soroconcordantes ou sorodiscordantes mesmo permitindo relações sexuais
desprotegidas. Mas isso tratado no caráter da excepcionalidade e com conceito do
direito da pessoa.

OP – E acompanhamento médico, responsabilidade…

Érico – Claro. Com todo um planejamento familiar. É preciso verificar qual a condição
do infectado, a carga viral precisa estar negativa, precisa estar tomando **ANTI-
RETROVIRAIS** há, pelo menos, seis meses… É preciso que se procure descobrir o ciclo
ovulatório da parceira para que não haja muito tempo de relações desprotegidas. 
Enfim, uma série de detalhes para garantir que haja sucesso e segurança para o casal
e a criança.

OP – E se a **CAMISINHA** rompe, qual o risco para o parceiro não infectado?

Érico – Tem muitos fatores envolvidos: se há outra doença sexualmente transmissível,
ou sangramento (a mulher menstruada aumenta a chance de transmissão para o marido).
Se o parceiro infectado não estiver em tratamento (tem altos níveis de vírus no 
sangue e, provavelmente, no sêmen ou nas secreções vaginais). E o ato sexual em 
si. Um coito anal é a forma de maior risco de transmissão do **HIV**. A de um sexo
oral é a de menor chance de transmissão.

OP – E se os dois forem soropositivos, é necessário usar **PRESERVATIVO**?

Érico – Há uma possibilidade de as pessoas não terem a mesma quantidade de vírus.
Isso poderia fazer com que houvesse uma tranferência de problemas de um para outro.
O maior problema de uma relação sexual entre duas pessoas soropositivas é a possibilidade
de transmitirem outra doença sexualmente transmissível que poderia acelerar o problema
do **HIV**. Por isso, a gente sempre recomenda que use **PRESERVATIVO**.

## Leia também

 * [Ser indetectável é cuidar-se, amar-se e tratar-se com TARV](https://soropositivo.org/soropositivo-indetectavel-o-que-e/)
 * [O tratamento contra o HIV Necessita de Adesão](https://soropositivo.org/o-tratamento-contra-o-hiv-necessita-de-adesao/)
 * [A dor crônica é um problema Sério entre PVHA](https://soropositivo.org/a-dor-cronica-e-um-problema-enorme-entre-as-pessoas-com-hiv-ou-aids/)

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