# Após os 60, preconceito amplia pesadelo da aids

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- Published: 2010-09-30T13:08:55-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

Este blog está online há 26 anos, 2 meses e 26 dias.

  |   Pouco mais de 10% do total de pacientes com **HIV** no Paraná são da terceira idade: 2.222 das 21.378 notificações desde 1984, quando foi registrado o primeiro caso no estado. Outros 11 mil idosos – a estimativa é que para cada caso notificado existam outros três a cinco infectados – desconhecem sua condição sorológica e, com isso, mantêm o ciclo de contaminação ou podem sofrer problemas de saúde causados pela baixa imunidade, sem que recebam o tratamento adequado.

Entre os dois perfis, há profissionais de saúde que travam batalhas diárias para fazer do diagnóstico e do tratamento de **AIDS** algo menos assustador para quem precisa encarar a doença depois dos 60 anos. Para o idoso, o nome “**AIDS**” é um pesadelo. Antes mesmo de saber a diferença entre contaminação pelo vírus e o desenvolvimento da doença, tudo se transforma em uma sentença de morte. “Além de não ter cura, a doença é ligada ao sexo, à prostituição, ao consumo de drogas e ao homossexualismo.

É um pacote pesado para desembrulhar aos 60 e tantos anos”, observa a médica infectologista Rosana Camargo, que trabalha com pacientes com **HIV** há 26 anos. O diagnóstico tardio da **AIDS** tem implicações mais graves na terceira idade. Infecções oportunistas, como a pneumonia, podem confundir o médico, levando a tratamentos que ignoram a contaminação por **HIV**.

As comorbidades relacionadas à idade – cardiopatias e diabete, por exemplo – também mascaram sintomas que podem indicar a presença do vírus. Muitos acabam com sequelas graves e irreversíveis ou morrem de doenças degenerativas sem saber que estavam contaminados e, por consequência, infectaram seus companheiros. Um reflexo disso é o aumento do número de mulheres mais velhas contaminadas nos últimos anos.

Muitas descobrem-se infectadas anos depois da morte do marido, que nunca teve o diagnóstico confirmado.

Nesse momento, o drama vem em dobro: aceitar uma doença incurável, cercada de preconceito, associada à sexualidade, e transmitida por um companheiro tido, até então, como fiel e protetor. “É como um cristal que se quebra. A viúva fica frágil e vulnerável psicologicamente. Na maior parte dos casos, esconde a verdade sobre sua saúde da própria família, por causa da vergonha que sente. É um complicador extra na adesão ao tratamento”, diz Rosana.

A sexualidade também é outro fator que pesa nos diagnósticos de **HIV** entre maduros. Sob o tabu da vida sexual inativa, os idosos são ignorados até mesmo nas campanhas de prevenção de **AIDS**. Mas dois fatores associados têm sido combinações perigosas para o controle de doenças sexualmente transmissíveis (**DST**) na terceira idade: a resistência ao uso de **PRESERVATIVO** e o abuso de estimulantes sexuais e medicamentos para disfunção erétil. “O idoso tem a sua sexualidade escamoteada. Mas a vida sexual ativa na terceira idade existe e tem sido praticada sem proteção. Muitos não usam **PRESERVATIVOS** porque têm dificuldade de manusear o produto”, observa o geriatra Clóvis Cechinel, do Laboratório Frischmann- Aisengart/Dasa, de Curitiba.

Novamente, as mulheres estão no grupo mais vulnerável. Sem a orientação adequada sobre sexo seguro e submetidas ao preconceito do uso do **PRESERVATIVO**, muitas acabam infectadas justamente no momento em que resgatavam sua sexualidade após a viuvez ou separações conjugais. “O **PRESERVATIVO** tem o estigma da traição. Tanto o homem quanto a mulher abrem mão da proteção por considerar a **CAMISINHA** um sinônimo de infidelidade e promiscuidade. Isso tem de acabar. Sexo precisa ser seguro e pronto”, diz a infectologista. De olho na faixa de população que não sabe se está infectada pelo vírus **HIV**, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) vai fazer uma campanha maciça entre 18 de outubro e 1.º de dezembro. A meta é atender 50 mil pessoas em todo o Paraná e evitar o diagnóstico tardio. “Muitas vezes os sintomas são negligenciados e o paciente só se descobre com o **HIV** quando já evoluiu para a doença ou vai a óbito. O tratamento adequado permite sobrevida saudável e interrompe o ciclo de contaminação”, explica Francisco Santos, coordenador da área de **DST**/**AIDS** da Sesa.

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**[GAZETA DO POVO – PR](http://www.soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/2009/06/a-prevalencia-e-a-incidencia-do-vih-estao-a-subir-no-uganda/)
| VIDA E CIDADANIA **

## Leia também

 * [Saúde reforça prevenção às DST e Aids](https://soropositivo.org/saude-reforca-prevencao-as-dst-e-aids/)
 * [ONU baixa estimativa de infectados por HIV ](https://soropositivo.org/onu-baixa-estimativa-de-infectados-por-hiv/)
 * [Sem idade para ser pai](https://soropositivo.org/sem-idade-para-ser-pai/)

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