# Brasil possui teste que permite personalizar uso de antirretroviral, informa revista ISTOÉ

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- Published: 2009-10-25T15:25:31-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

 

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 * [AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA AIDS ](https://soropositivo.org/brasil-possui-teste-que-permite-personalizar-uso-de-antirretroviral-informa-revista-istoe/#agencia-de-noticias-da-aids%c2%a0)
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24/10/2009 – 11h35

 

De acordo a revista ISTOÉ, está disponível no Brasil um teste que indica como o 
antirretroviral maraviroque é metabolizado pelo organismo de cada pessoa, o que 
permite um tratamento antiaids mais personalizado. Leia a seguir a reportagem na
íntegra. Remédios sob medida

 

Novos testes revelam como cada pessoa reage a medicações contra doenças como câncer,
depressão e **Aids** e tornam o tratamento mais personalizado

 

 

Por que um remédio funciona bem para uma pessoa e, para outra, não apresenta resultado?
Esta questão sempre intrigou médicos e farmacêuticos. Há algum tempo, parte da resposta
já era conhecida: peso, alimentação e horário em que a medicação é tomada, por exemplo,
influenciam a maneira pela qual ela é aproveitada pelo organismo. Mais recentemente,
ficou claro também o poder da genética nesse processo. Entre outros achados, a ciência
descobriu que variações genéticas presentes em um único gene – o CYP2D6 – interferem
no metabolismo de 25% dos medicamentos disponíveis. Dependendo do tipo de alteração,
a droga pode não fazer efeito porque é metabolizada rápido demais ou, ao contrário,
permanece tempo excessivo dentro corpo, aumentando o risco de toxicidade do remédio.

 

Informações como essas são fruto de uma área de estudo em expansão chamada farmacogenética.
Ela se dedica a estudar as interações entre características genéticas e o funcionamento
de medicamentos. O objetivo é identificar os fatores que influenciam a atuação das
drogas e usar o conhecimento para fazer com que a escolha dos remédios seja cada
vez mais acertada. E personalizada. É simples. Se o indivíduo possui uma variante
genética que prejudicará o desempenho de um medicamento, o médico pode trocar a 
opção, mudar sua dose, enfim, planejar um tratamento diferente daquele que foi imaginado.

 

Muitos dos dados levantados estão dando origem a testes que apontam como cada um
reage a uma determinada medicação. No Brasil, acaba de chegar um dos mais modernos
do gênero. Trata-se do Amplichip 450, que mostra 28 alterações presentes nos genes
CYP2D6 e CYP2C19. Entre os remédios metabolizados por eles estão o carvedilol, para
hipertensão, os antidepressivos amitriptilina e paroxetina e os antiepiléticos fenitoína
e diazepan.

 

A consultora de comunicação Karin Faria, de São Paulo, usou o Amplichip para saber
as respostas de seu filho, Miguel, 5 anos, ao diazepan. O garoto é portador da síndrome
de West, doença que provoca crises epiléticas. Antes do exame, foi descoberto que
o remédio se acumulava em níveis tóxicos dentro do organismo do menino. “Descobrimos
que o Miguel metaboliza o remédio um pouco abaixo da média. Ele também não possui
duas enzimas de inativação/desintoxicação, o que deve ser a causa da toxicidade”,
conta. “Agora, o médico poderá optar pelo uso de remédios similares, mas que não
sejam metabolizados por estas enzimas, ou pela redução das doses de drogas que possam
causar toxicidade.” O teste mostra também a reação de cada mulher ao tamoxifeno,
usado contra o câncer de mama. “A presença de variações no gene CYP2D6 faz com que
o remédio não seja convertido na sua forma ativa”, explica Ismael Dale Cotrim, do
Centro de Diagnósticos Salomão e Zoppi, o único por enquanto a oferecer o novo exame
no Brasil. “Dessa maneira, não há a resposta esperada.”

 

No Centro Infantil Boldrini, em Campinas, os médicos pesquisam as mutações que facilitam
ou dificultam a metabolização de quimioterápicos usados nas crianças. “Um dos alvos
são as mutações envolvidas no metabolismo do metotrexate, tioguaninas e tiopurinas,
drogas muito empregadas em tumores pediátricos”, explica a oncopediatra Silvia Brandalise,
diretora do centro.

 

No caso do câncer, a análise das peculiaridades do tumor também tem sido feita como
forma de indicar a terapia mais eficaz. “Os conhecimentos têm feito toda a diferença
na hora de decidir a abordagem terapêutica”, afirma o oncologista José Augusto Rinck
Jr., do Hospital A. C. Camargo, em São Paulo. Para o tratamento do câncer de colon,
por exemplo, é possível saber quem responderá à droga cetuxumab usando um teste 
que avalia a ação de uma proteína, a K-Ras. Foi a análise do perfil do tumor que
mudou o tratamento da assessora comercial Renata Porto, 44 anos. Ela teve o diagnóstico
de câncer de mama há três anos. Após quase dois anos de tratamento, fez um teste
e descobriu que a radioterapia não surtiu efeito. “Agora, estou mais segura de que
o tratamento poderá dar certo”, diz.

 

O recurso da farmacogenética também está sendo usado em outras áreas da medicina.
No Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, está ajudando
a redirecionar o tratamento de portadores de depressão e transtorno obsessivo compulsivo,
entre outros distúrbios. Com um exame, os médicos identificam alterações que podem
levar, por exemplo, à metabolização rápida demais da medicação. “Nesse paciente,
as drogas não causam efeitos terapêuticos ou colaterais. Ele vai precisar de uma
dose muito maior para funcionar”, explica Wagner Gattaz, presidente do Instituto.

 

Há ainda opção de exames do gênero para a **Aids**. Um teste criado na Universidade
Federal de São Paulo, sob a coordenação do médico Ricardo Diaz, indica que paciente
pode se beneficiar da droga maraviroque, uma das alternativas mais modernas contra
o **HIV**. Na área da cardiologia, também é possível avaliar a reação indivídual
às drogas clopidrogel (impede a agregação plaquetária) e varfarina (anticoagulante).“
Há marcadores genéticos que influenciam na metabolização e na biodisponibilidade
desses remédios”, explica o cardiologista Alexandre da Costa Pereira, do Instituto
do Coração, em São Paulo.

 

 

Fonte: ISTOÉ

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## **AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA AIDS**** **

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## Leia também

 * [Terapia antirretroviral. A TARV ou “o Coquetel”](https://soropositivo.org/terapia-antirretroviral-a-tarv-ou-o-coquetel/)
 * [Meditação é eficaz contra a aids, destaca revista ISTOÉ -20/02/2010](https://soropositivo.org/meditacao-e-eficaz-contra-a-aids-destaca-revista-istoe-20-02-2010/)
 * [Em entrevista à revista istoé, josé gomes temporão diz que brasil gasta pouco com a saúde](https://soropositivo.org/em-entrevista-a-revista-istoe-jose-gomes-temporao-diz-que-brasil-gasta-pouco-com-a-saude/)

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