# Brasil rebate descobridor da Aids e afirma ser referência contra doença

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- Published: 2009-06-19T22:52:15-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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 * [Folha Online](https://soropositivo.org/brasil-rebate-descobridor-da-aids-e-afirma-ser-referencia-contra-doenca/#folha-online)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/brasil-rebate-descobridor-da-aids-e-afirma-ser-referencia-contra-doenca/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/brasil-rebate-descobridor-da-aids-e-afirma-ser-referencia-contra-doenca/#relacionado)

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01/DEZEMBRO/07

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01/12/2007 – 08h13

 

FELIPE MAIA
 da Folha Online

A diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão, refutou afirmações
do co-descobridor da doença, Robert Gallo, sobre a posição internacional do Brasil
em relação ao combate à Aids. Segundo ela, o país é reconhecido como referência "
tanto pela ONU [Organização das Nações Unidas], quanto por organizações da sociedade
civil e governos de outros países".

Em entrevista exclusiva à Folha Online, publicada ontem, Gallo negou que o Brasil
seja um modelo internacional de combate à doença. Ele ainda ironizou dizendo que
isso poderia ocorrer talvez "para a África do Sul".

Elza Fiúza/Agência Brasil

 Simão: "Somos sim referência na área, apesar do que o doutor Gallo diz"; distribuição
de remédios e ações de prevenção seriam motivos 
 Simão afirma não considerar adequada
a palavra "modelo", pois isso, segundo ela, "impõe uma camisa de força, algo que
tenha que ser reproduzido diretamente, sem levar em consideração as diferenças de
cada país".

Entretanto, quando se fala em "referência", ela é taxativa: "Somos sim referência
na área, apesar do que o doutor Gallo diz", afirmou à Folha Online

"O fato de países como Alemanha e Inglaterra colocarem dinheiro aqui para que possamos
coordenar projetos de cooperação internacional demonstra o reconhecimento do nosso
trabalho", diz. Ela cita também o fato de o Brasil possuir, há 18 anos, um sistema
de intercâmbios profissionais com cientistas franceses, o que demonstraria essa 
posição favorável.

De acordo com Simão, o Brasil possui atualmente 25 projetos de cooperação técnica
internacionais e doa remédios genéricos para a Aids produzidos aqui para mais de
10 países. Além disso, o país sedia desde 2005 o Centro Internacional de Cooperação
Técnica em HIV/AIDS, uma parceria entre o governo brasileiro e a UnAids (Programa
das Nações Unidas sobre Aids, na sigla em inglês)

Segundo ela, há três motivos para o "sucesso" do Brasil contra a Aids. O primeiro
foi a opção "precoce" do país em oferecer medicamentos de forma gratuita aos pacientes,
o que, de acordo com ela, "não acontece nos Estados Unidos [país de Gallo], que 
não dá esse acesso universal. Há apenas a alguns [remédios] por meio do seguro saúde".

Divulgação

 Gallo negou que Brasil fosse modelo contra Aids. "Talvez para a África do Sul" 

No Brasil, o acesso universal e gratuito ao tratamento para o HIV é definido por
lei desde 1996. Entretanto, o AZT, um dos primeiros remédios criados para combate
à doença, é distrubuído por aqui desde 1991.

Pressão popular

O outro fator para o "sucesso" do Brasil contra a Aids seriam as campanhas para 
prevenção da doença junto à população. "Falar de prevenção, fornecer preservativos,
não era comum em países em desenvolvimento até recentemente. A Itália fez campanhas
voltadas para gays, por exemplo, apenas neste ano. No Brasil, isso ocorre desde 
o começo da epidemia", diz Simão.

Esse quadro foi possível, na visão da diretora, em razão da mobilização em torno
da doença. "O movimento social teve um papel importantíssimo ao cobrar o governo
sobre o assunto e isso não é comum em países em desenvolvimento. Isso ocorreu principalmente
porque a doença entrou no Brasil pela classe média, que tem mais capacidade de defender
seus direitos", afirma a diretora.

Laboratórios

Conforme Simão, o país também "virou notícia" quando decretou o licenciamento compulsório
para o remédio antiretroviral Efavirenz, da Merck, neste ano. Isso permite que o
Ministério da Saúde importe versões genéricas do medicamento de laboratórios pré-
qualificados pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

"Estávamos comprando o remédio a US$ 1,59 cada comprimido e o laboratório propôs
que pagássemos US$ 1,56. Com o licenciamento, estamos importando o comprimido a 
US$ 0,44. Isso é um alento para os países, que estão amarrados ao preço do medicamento".

Sukree Sukplang /Reuters

 Desde 1996, legislação brasileira determina distribuição gratuita de remédios para
Aids 
 Para ela, "isso só foi possível porque o Brasil tem capacidade de negociação,
postura firme. Isso é ser referência", afirmou.

Atração

Ela também negou que a atitude brasileira em investir nos genéricos, quebrando patentes
e utilizando licenças compulsórias, vá afastar as grandes fabricantes de remédios.

Na entrevista à Folha Online, Gallo disse que se o país "não trabalhar com os genéricos
de um modo com que as indústrias de remédios concordem, elas podem ir embora".

Ela refutou a idéia, alegando que o Brasil é um país importante do ponto de vista
do mercado.

Para a diretora, prova disso é que a Merck, que foi atingida pela licença compulsória
do Efavirenz, entrou com um pedido de registro de um novo medicamento para Aids 
no Brasil e outro grande laboratório, o Janssen Cilag, introduziu um novo remédio
para a doença no país este ano (Darunavir).

 

## Leia também

 * [Descobridor da Aids nega que Brasil seja referência contra a doença/Comentários dos leitores](https://soropositivo.org/descobridor-da-aids-nega-que-brasil-seja-referencia-contra-a-doenca-comentarios-dos-leitores/)
 * [Descobridor da Aids nega que Brasil seja referência contra a doença](https://soropositivo.org/descobridor-da-aids-nega-que-brasil-seja-referencia-contra-a-doenca/)
 * [Especialista afirma que tratamento contra HIV atacará refúgios do vírus](https://soropositivo.org/especialista-afirma-que-tratamento-contra-hiv-atacara-refugios-do-virus/)

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