# Casos de AIDS entre idosos no país sobem 90% em oito anos

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- Published: 2010-09-27T22:45:32-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

|   **O TEMPO – MG | BRASIL **

**AIDS | CAMISINHA | DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS | CONTRACEPTIVOS**

27/09/2010

Um dos principais motivos é o uso de medicamentos que ajudam na ereção

TATIANA LAGÔA

Hoje é o décimo primeiro ano em que se comemora o Dia Nacional do Idoso, data criada em 1999. De lá para cá, a população acima de 60 anos cresceu 49% – passando de 14,5 milhões para 21,7 milhões no ano passado. Os brasileiros estão vivendo mais e, com a ajuda de medicamentos destinados à impotência sexual, estão aproveitando a “melhor idade” para namorar. Sem a orientação necessária, no entanto, essa maior liberdade sexual trouxe graves consequências.

![idosos-e-aids](images/stories/videos/09-2010/idosos-e-aids.jpg "idosos-e-aids")

O número de casos de **AIDS** nessa faixa etária subiu 90% entre os anos de 2000 e de 2008, em todo o país. Há dez anos, eram 693 casos notificados entre a população de 60 anos ou mais. Em 2008, esse número subiu para 1.321, de acordo com o Ministério da Saúde. Em Minas, o aumento de casos de **AIDS** entre os idosos nesse período foi de 89,7%.

Para o chefe da Unidade de Vigilância Epidemiológica do **DEPARTAMENTO DE DST** e **AIDS** do Ministério da Saúde, Gerson Fernando Mendes Pereira, um dos principais motivos para esse aumento é o uso de remédios que ajudam na ereção, como o Viagra.

Pereira também aponta como causas o aumento da expectativa de vida do brasileiro e a falta de familiaridade das pessoas acima de 60 anos com a **CAMISINHA**. “Os idosos não têm o costume de usar **PRESERVATIVO** porque não cresceram ouvindo sobre a importância deles, como os jovens”, explica. Isso se reflete nos números. Enquanto a doença quase dobrou nessa faixa etária em oito anos, a soma de todos os casos notificados no país teve crescimento de 13,9%. Em Minas, houve uma pequena queda de 1% nos casos entre a população em geral, nesse mesmo período.

Para a coordenadora de **DST** e **AIDS** da Secretaria de Estado de Saúde de Minas, Glauciene Prado Alves, é preciso mostrar aos idosos que, mesmo em relações estáveis, a **CAMISINHA** é indispensável. “Antes, a **AIDS** estava presente somente em grupos específicos, como os homossexuais, por exemplo. Agora ela se difundiu para todos os grupos. A doença é uma realidade, e os idosos precisam se adequar a ela”, diz.

Sem medo. Segundo o médico urologista Marcelo Miranda Salim, membro da Sociedade Brasileira de Urologia, os homens temem mais a impotência do que as doenças sexualmente transmissíveis. “Os homens mais idosos, de modo geral, não têm medo de contrair a doença. Já vi idosos dizerem que pagam mais caro às prostitutas para que elas permitam que eles não usem a **CAMISINHA**“, conta.

Salim lembra que não existe mais idade para interromper a atividade sexual. “O homem que cuida bem de si com atividade física e boa alimentação mantém a atividade até após os 75 anos. Sem contar que ele pode usar medicamentos que ajudam”, afirma o urologista.

Vida sexual ativa, com prevenção

Apesar do alto índice de pessoas que não se cuidam, existe um grupo que vive uma intensa vida sexual com muita responsabilidade. É o caso da aposentada Joana Maria de Mesquita, 68. Ela é divorciada há 18 anos e, desde que se separou, nunca ficou totalmente sozinha. Mas ela garante fazer questão que os parceiros usem **CAMISINHA**.

Joana já chegou a dispensar um parceiro pela falta do **PRESERVATIVO**. Segundo ela, ele disse que não precisava usar a **CAMISINHA** porque “era limpinho”. Mas ela não aceitou e nunca mais foi procurada pelo pretendente. Para Joana, a idade não atrapalhou em nada a vida sexual. “Para a mulher, a passagem de tempo não muda muita coisa. Costumo dizer que a mulher envelhece da cintura para cima; já o homem, da cintura para baixo”, brinca.

Apesar de ter a vida sexual ativa Maria dá mais valor a outras coisas no relacionamento. “Para mim, a amizade e o companheirismo são mais importantes. Se um homem chegar para mim e falar que quer namorar comigo, mas não quer ter relações sexuais, não me importo, desde que ele seja uma pessoa bacana, que me faça feliz”, afirma.

O casal de aposentados Eunice de Azevedo Cardoso, 79, e Plínio de Carvalho Cardoso, 87, estão casados há 57 anos e ainda namoram como antigamente. “A gente namora muito porque só tem a gente dentro de casa”, conta Eunice. Quando o assunto é sexo, ela garante: “O corpo não responde tanto, mas ainda rola alguma coisa. A idade só não permite arroubos”, diz.

Plínio completa: “Nosso relacionamento é ótimo. Tudo acontece de forma muito natural. É menos atividade, menos vezes, mas sem preocupação”, conta. Apesar de terem se casado em um período em que o uso da **CAMISINHA** não era tão comum, Eunice conta que eles usaram durante muito tempo o **PRESERVATIVO** e que ensinaram tudo a respeito da prevenção para os quatro filhos.

A psicóloga Karen Saviotti, da Integrart-Solar Maturidade, ressalta que quem não consegue mais manter relações sexuais como antes pode viver a sexualidade de outra forma. “Os idosos têm sexualidade mesmo quando não conseguem mais uma vida sexual ativa. Um olhar, um aperto de mão e um abraço também são sexualidade”, explica. (TL)

Publicado em: 27/09/2010

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## Leia também

 * [Idosos, e com AIDS](https://soropositivo.org/idosos-e-com-aids/)
 * [MG: aumentam os casos de Aids entre os idosos](https://soropositivo.org/mg-aumentam-os-casos-de-aids-entre-os-idosos/)
 * [Idoso se cuida para seu Dia](https://soropositivo.org/idoso-se-cuida-para-seu-dia/)

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