Envelhecimento Precoce e HIV — definição para o blog:
Pessoas que vivem com HIV há décadas envelhecem de forma diferente — e mais rápida — do que a população geral. A ciência chama isso de envelhecimento acelerado ou precoce. O vírus, mesmo controlado pelos antirretrovirais, provoca inflamação crônica de baixo grau que não aparece nos exames de rotina mas trabalha silenciosamente nos tecidos, nos ossos, no sistema nervoso e no intestino. Some a isso décadas de medicação, o impacto psicossocial do diagnóstico e o peso de ter sobrevivido quando muitos não sobreviveram — e o relógio biológico de uma pessoa vivendo com HIV corre mais rápido do que o atestado de nascimento sugere.
Uma pessoa de 50 anos vivendo com HIV há 20 anos pode carregar o perfil inflamatório e as comorbidades de alguém de 65 ou 70. O corpo sabe o que viveu, mesmo quando a carga viral está indetectável.
E o epigrama que seria, se não fosse trágico:
O HIV não mata mais tão rápido.
Agora ele envelhece você.
Devagar.
Com cuidado.
Para você sentir cada ano.
Einstein sabia. O tempo não é igual para todos. Para quem vive com HIV desde os anos 90, cada ano vivido vale por dois. E isso não é metáfora — é biologia.
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