# COCAÍNA

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- Published: 2010-08-12T10:22:25-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

COCAÍNA
A cocaína é uma substância natural, extraída das folhas de uma planta encontradaexclusivamente
na América do Sul, a Erythroxylon coca, conhecida como coca ouepadu, este último
nome dado pelos índios brasileiros. A cocaína pode chegar atéo consumidor sob a 
forma de um sal, o cloridrato de cocaína, o “pó”, “farinha”,“neve” ou “branquinha”,
que é solúvel em água e serve para ser aspirado (“cafungado”)ou dissolvido em água
para uso intravenoso (“pelos canos”, “baque”), ou sob aforma de base, o crack, que
é pouco solúvel em água, mas que se volatiliza quandoaquecida e, portanto, é fumada
em “cachimbos”.Também sob a forma base, a merla (mela, mel ou melado), um produto
aindasem refino e muito contaminado com as substâncias utilizadas na extração, é
preparadade forma diferente do crack, mas também é fumada. Enquanto o crackganhou
popularidade em São Paulo, Brasília foi a cidade vítima da merla. De fato,pesquisas
mostram que mais de 50% dos usuários de drogas da Capital Federalfazem uso de merla,
e apenas 2% de crack.Por apresentar aspecto de “pedra” no caso do crack e “pasta”
no caso da merla, nãopodendo ser transformado em pó fino, tanto o crack como a merla
não podem seraspirados, como a cocaína pó (“farinha”), e por não serem solúveis 
em água tambémnão podem ser injetados. Por outro lado, para passar do estado sólido
ao de vaporquando aquecido, o crack necessita de uma temperatura relativamente baixa(
95oC),o mesmo ocorrendo com a merla, ao passo que o “pó” necessita de 195oC; por
essemotivo o crack e a merla podem ser fumados e o “pó” não.Há ainda a pasta de 
coca, que é um produto grosseiro, obtido das primeirasfases de extração de cocaína
das folhas da planta quando estas são tratadas comálcali, solvente orgânico como
querosene ou gasolina, e ácido sulfúrico. Essa pastacontém muitas impurezas tóxicas
e é fumada em cigarros chamados “basukos”.Antes de se conhecer e de se isolar cocaína
da planta, a coca (planta) era muitousada sob forma de chá. Ainda hoje esse chá 
é bastante comum em certos países daAmérica do Sul, como Peru e Bolívia, sendo em
ambos permitido por lei, havendo atéum órgão do Governo, o “Instituto Peruano da
Coca”, que controla a qualidadedas folhas vendidas no comércio. Esse chá é até servido
aos hóspedes nos hotéis.Acontece, porém, que, sob a forma de chá, pouca cocaína 
é extraída das folhas; alémdisso, ingerindo (toma-se pela boca) o tal chá, pouca
cocaína é absorvida pelos intestinose, ainda, por essa via ela imediatamente já 
começa a ser metabolizada. Atravésdo sangue, chega ao fígado e boa parte é destruída
antes de chegar ao cérebro. Emoutras palavras, quando a planta é ingerida sob a 
forma de chá, muito pouca cocaínachega ao cérebro.Todo mundo comenta que vivemos
hoje em dia uma epidemia de uso de cocaína,como se isso estivesse acontecendo pela
primeira vez. Mesmo nos EstadosUnidos, onde, sem dúvida, houve uma explosão de uso
nesses últimos anos, já existiufenômeno semelhante no passado. E no Brasil também,
há cerca de 60 ou 70anos utilizou-se aqui muita cocaína.Há hoje em nossa cidade 
muitos filhos de família cujo grandeprazer é tomar cocaína e deixar-se arrastar 
até aos declives mais perigosos deste vício.Quando… atentam… é tarde de mais para
o recuo.Tanto o crack como a merla também são cocaína; portanto, todos os efeitos
provocadosno cérebro pela cocaína também ocorrem com o crack e a merla. Porém, avia
de uso dessas duas formas (via pulmonar, já que ambos são fumados) faz todaa diferença
em relação ao “pó”.Assim que o crack e a merla são fumados, alcançam o pulmão, que
é um órgãointensivamente vascularizado e com grande superfície, levando a uma absorção
instantânea.Através do pulmão, cai quase imediatamente na circulação, chegandorapidamente
ao cérebro. Com isso, pela via pulmonar, o crack e a merla “encurtam”o caminho para
chegar ao cérebro, surgindo os efeitos da cocaína muito mais rápidodo que por outras
vias. Em 10 a 15 segundos, os primeiros efeitos já ocorrem,enquanto os efeitos após
cheirar o “pó” surgem após 10 a 15 minutos, e após a injeção,em 3 a 5 minutos. Essa
característica faz do crack uma droga “poderosa” doponto de vista do usuário, já
que o prazer acontece quase instantaneamente apósuma “pipada” (fumada no cachimbo).
Porém, a duração dos efeitos do crack é muito rápida. Em média, em torno de 5minutos,
enquanto após injetar ou cheirar, duram de 20 a 45 minutos. Essa certaduração dos
efeitos faz com que o usuário volte a utilizar a droga com mais freqüênciaque as
outras vias (praticamente de 5 em 5 minutos), levando-o à dependência muitomais 
rapidamente que os usuários da cocaína por outras vias (nasal, endovenosa) ea um
investimento monetário muito maior.Logo após a “pipada”, o usuário tem uma sensação
de grande prazer, intensaeuforia e poder. É tão agradável que, logo após o desaparecimento
desse efeito (eisso ocorre muito rapidamente, em 5 minutos), ele volta a usar a 
droga, fazendo issoinúmeras vezes, até acabar todo o estoque que possui ou o dinheiro
para consegui-la.A essa compulsão para utilizar a droga repetidamente dá-se o nome
popular de “fissura”,que é uma vontade incontrolável de sentir os efeitos de “prazer”
que a drogaprovoca. A “fissura” no caso do crack e da merla é avassaladora, já que
os efeitosda droga são muito rápidos e intensos.Além desse “prazer” indescritível,
que muitos comparam a um orgasmo, o crack ea merla provocam também um estado de 
excitação, hiperatividade, insônia, perda desensação do cansaço, falta de apetite.
Esse último efeito é muito característico do usuáriode crack e merla. Em menos de
um mês, ele perde muito peso (8 a 10kg) e emum tempo maior de uso ele perde todas
as noções básicas de higiene, ficando com umaspecto deplorável. Por essas características,
os usuários de crack (craqueros) ou demerla são facilmente identificados. Após o
uso intenso e repetitivo, o usuário experimentasensações muito desagradáveis, como
cansaço e intensa depressão.Efeitos tóxicosA tendência do usuário é aumentar a dose
da droga na tentativa de sentir efeitosmais intensos. Porém, essas quantidades maiores
acabam por levar o usuário acomportamento violento, irritabilidade, tremores e atitudes
bizarras devido aoaparecimento de paranóia (chamada entre eles de “nóia”). Esse 
efeito provoca umgrande medo nos craqueros, que passam a vigiar o local onde usam
a droga e a teruma grande desconfiança uns dos outros, o que acaba levando-os a 
situações extremasde agressividade. Eventualmente, podem ter alucinações e delírios.
A esseconjunto de sintomas dá-se o nome de “psicose cocaínica”. Além dos sintomasdescritos,
o craquero e o usuário de merla perdem de forma muito marcante o interessesexual.
Efeitos sobre outras partes do corpoOs efeitos provocados pela cocaína ocorrem por
todas as vias (aspirada, inalada,endovenosa). Assim, o crack e a merla podem produzir
aumento das pupilas(midríase), que prejudica a visão; é a chamada “visão borrada”.
Ainda pode provocardor no peito, contrações musculares, convulsões e até coma. Mas
é sobre o sistemacardiovascular que os efeitos são mais intensos. A pressão arterial
pode elevarsee o coração pode bater muito mais rapidamente (taq uicardia). Em casos
extremos,chega a produzir parada cardíaca por fibrilação ventricular. A morte tambémpode
ocorrer devido à diminuição de atividade de centros cerebrais que controlama respiração.
O uso crônico da cocaína pode levar a degeneração irreversível dos músculosesqueléticos,
conhecida como rabdomiólise.Aspectos geraisComo ocorre com as anfetaminas (cujos
efeitos são em parte semelhantes aos dacocaína), as pessoas que abusam da cocaína
relatam a necessidade de aumentar adose para sentir os mesmos efeitos iniciais de
prazer, ou seja, a cocaína induz tolerância.É como se o cérebro se “acomodasse” 
àquela quantidade de droga, necessitandode uma dose maior para produzir os mesmos
efeitos prazerosos. Porém, paralelamentea esse fenômeno, os usuários de cocaína 
também desenvolvem sensibilização,ou seja, para alguns efeitos produzidos pela cocaína,
ocorre o inverso datolerância, e com uma dose pequena os efeitos já surgem. Mas 
para a angústia dousuário os efeitos produzidos com pouca quantidade de droga são
exatamenteaqueles considerados desagradáveis, como, por exemplo, a paranóia. Dessa
forma,com o passar do tempo, o usuário necessita aumentar cada vez mais a dose de
cocaínapara sentir os efeitos de prazer, porém seu cérebro está sensibilizado para
os efeitosdesagradáveis, ocorrendo como conseqüência do aumento da dose uma intensificaçãode
efeitos indesejáveis, como paranóia, agressividade, desconfiança etc.Não há descrição
convincente de uma síndrome de abstinência quando a pessoapára de usar cocaína abruptamente:
não sente dores pelo corpo, cólicas, náuseasetc. Às vezes pode ocorrer de essa pessoa
ficar tomada de grande “fissura”,desejar usar novamente a droga para sentir seus
efeitos agradáveis e não para diminuirou abolir o sofrimento que ocorreria se realmente
houvesse uma síndrome deabstinência.Usuários de drogas injetáveis e AidsNo Brasil,
a cocaína é a substância mais utilizada pelos usuários de drogas injetáveis(UDIs).
Muitas dessas pessoas compartilham agulhas e seringas e expõem-se aocontágio de 
várias doenças, entre estas hepatites, malária, dengue e Aids. Essa práticaé, hoje
em dia, um fator de risco para a transmissão do HIV. Porém, os UDIs têmoptado por
mudança de via, assim, hoje em São Paulo, muitos antigos UDIs utilizamo crack por
considerarem mais seguro, já que por essa via não compartilhamseringas e agulhas.
Entretanto, principalmente mulheres usuárias de crack, prostituem-se para obter 
a droga e geralmente o fazem sob efeito da “fissura”. Nesse estado,perdem a noção
do perigo, não conseguem proceder a um sexo seguro, expondo-se a doenças sexualmente
transmissíveis (DST) e, ainda, podendo transmitir ovírus a seus parceiros sexuais.
Essa prática demonstra que o crack diante dasDST/Aids não é tão seguro quanto se
suponha inicialmente.Segundo dados do “Projeto Brasil”, estudo epidemiológico realizado
entre 1995e 1996 com 701 UDIs, envolvendo vários centros do País, e coordenado peloInstituto
de Estudos e Pesquisas em Aids de Santos (Iepas), as taxas de prevalênciade infecção
pelo HIV entre usuários de drogas injetáveis chegavam a 71% em Itajaí,64% em Santos
e 51% em Salvador.No âmbito nacional, 21,3% dos casos de Aids registrados até maio
de 1997 referiam-se à categoria de usuário de drogas injetáveis.As campanhas do 
Ministério da Saúde, por meio da Coordenação Nacional de DST/Aids, têm reduzido 
muito o número de infectados por essa via. Porém, iniciam-se agora campanhas que
venham coibir a transmissão de DST/Aids por crack.

 Posted by Antonio Celso da Costa Brandão

Fonte: [Boas Práticas Farmacêuiticas](http://boaspraticasfarmaceuticas.blogspot.com/)

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 * [Cocaína](https://soropositivo.org/cocaina-2/)
 * [Juntamente com a maioria das outras drogas ilícitas, estatísticas](https://soropositivo.org/cocaina/)
 * [Consumo de cocaína aumenta no Brasil.](https://soropositivo.org/consumo-de-cocaina-aumenta-no-brasil/)

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