# Como o HIV Está Moldando o Envelhecimento Global

- Link: https://soropositivo.org/como-o-hiv-esta-moldando-o-envelhecimento-global/
- Published: 2026-09-02T00:15:13-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

_Em 2040, a maioria das pessoas vivendo com HIV terá 50 anos ou mais_

### Table Of Content

 * [O dado por trás da manchete](https://soropositivo.org/como-o-hiv-esta-moldando-o-envelhecimento-global/#o-dado-por-tras-da-manchete)
 * [Dos anos de emergência à terapia combinada](https://soropositivo.org/como-o-hiv-esta-moldando-o-envelhecimento-global/#dos-anos-de-emergencia-a-terapia-combinada)
 * [Um corpo em alerta: inflamação, imunidade e envelhecimento](https://soropositivo.org/como-o-hiv-esta-moldando-o-envelhecimento-global/#um-corpo-em-alerta-inflamacao-imunidade-e-envelhecimento)
 * [Sobreviver deixou de bastar: dignidade também é cuidado](https://soropositivo.org/como-o-hiv-esta-moldando-o-envelhecimento-global/#sobreviver-deixou-de-bastar-dignidade-tambem-e-cuidado)
 * [Um teste por ano, sem estado civil no resultado](https://soropositivo.org/como-o-hiv-esta-moldando-o-envelhecimento-global/#um-teste-por-ano-sem-estado-civil-no-resultado)
 * [Um desafio mundial e profundamente desigual](https://soropositivo.org/como-o-hiv-esta-moldando-o-envelhecimento-global/#um-desafio-mundial-e-profundamente-desigual)
 * [A vitória que muda de nome](https://soropositivo.org/como-o-hiv-esta-moldando-o-envelhecimento-global/#a-vitoria-que-muda-de-nome)
 * [A primeira revolução do HIV foi sobreviver. A próxima é envelhecer bem.](https://soropositivo.org/como-o-hiv-esta-moldando-o-envelhecimento-global/#a-primeira-revolucao-do-hiv-foi-sobreviver-a-proxima-e-envelhecer-bem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/como-o-hiv-esta-moldando-o-envelhecimento-global/#relacionado)

_A nova fronteira não é apenas prolongar a vida, mas preservar saúde, autonomia,
vínculos e futuro._

  |  **O número que abre esta história:** o mundo já tinha cerca de 41 milhões de pessoas vivendo com HIV ao fim de 2025. Para 2040, a projeção decisiva é outra: 20,2 milhões terão 50 anos ou mais – 51% do total. ¹,²,³ |

## O dado por trás da manchete

![Mulher jovem sentada diante de um notebook, concentrada na leitura da tela, em
um ambiente doméstico acolhedor.](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2026/
09/Pesquisadora-de-HIV-1200x800.png)

Informação de qualidade começa quando números, pesquisas e manchetes são lidos com
atenção e colocados em cont

Em entrevista abrangente à GloboNews, exibida em 30 de agosto de 2026, o infectologista
Victor Passarelli tratou, em poucos minutos, de uma mudança que exigirá décadas 
de preparação. O número mencionado na conversa pede uma vírgula editorial para que
o argumento não se perca: a marca dos 40 milhões não pertence ao futuro. A Organização
Mundial da Saúde estima que 41,0 milhões de pessoas viviam com HIV no fim de 2025.
No mesmo ano, 1,2 milhão adquiriu o vírus e 570 mil morreram por causas relacionadas
ao HIV. A mortalidade caiu 73% em comparação com o pico de 2004, uma conquista imensurável,
mas a epidemia permanece ativa.1

![](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2026/09/PEP-E-Urgeencia-Medica-800x1200.
png)

O que a nova Comissão da The Lancet HIV acrescenta é uma transformação demográfica.
Em 2025, cerca de 11,5 milhões de pessoas com HIV tinham 50 anos ou mais, o equivalente
a 29% dessa população. Em 2040, serão aproximadamente 20,2 milhões – mais da metade
de todas as pessoas vivendo com o vírus. Como toda projeção, o cálculo depende de
modelos, intervalos de incerteza e hipóteses sobre novas infecções, mortalidade 
e acesso ao tratamento. A direção, porém, é cristalina: a resposta ao HIV entrou
na era do envelhecimento.^(2,3)

Esse crescimento não deve ser lido apenas como expansão da epidemia. Ele também 
registra uma das maiores vitórias da medicina moderna: milhões de pessoas que antes
não chegariam à velhice agora chegam. O calendário avançou. Os serviços de saúde
é que ainda precisam alcançá-lo.^(2,3)

### Dos anos de emergência à terapia combinada

![
Casal idoso sorridente abraçado em um parque, representando parceria, cuidado
e envelhecimento saudável no contexto do HIV. Qual deles tem ou não tem HIV/aids,
você jamais saberá. Não por mim](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2026/
09/HIV-ou-AIDS-quem-ama-se-cuida-junto-1200x801.png)

Quando um vive com HIV, o cuidado pode ser compartilhado. Informação, diálogo, tratamento
e prevenção ajudam o casal a construir uma vida longa com confiança e afeto.

Nas décadas de 1980 e no começo dos anos 1990, falar em envelhecimento com HIV parecia
quase um luxo de linguagem – ou então você já havia envelhecido quando descobriu
o resultado. Em uma casa de apoio em que vivi, havia um cidadão chamado Benedito,
a quem todos chamavam de “Bennet”. Ele não aproveitou a oportunidade.

Acreditando – e afirmando – que “nesses comprimidos vai uma química lascada”, ele
não seguia a prescrição dos medicamentos.

Comprava um litro de leite, colocava todos os comprimidos, cápsulas e pastilhas 
ali dentro, usava um socador de caipirinha e ia tomando a mistura no decorrer do
dia. Cheguei a dizer a ele que o que estava fazendo era praticamente um suicídio,
mas ele, temperamental e irritadiço, me mandou a um certo lugar onde uma ponte caiu
e disse que eu cuidasse da minha vida.

Era exatamente isso que eu fazia: seguia minha posologia diária, que chegava a 55
comprimidos por dia. Estou prestes a publicar um artigo chamado AZT, no qual explico
melhor essa experiência. Nos primeiros anos da epidemia, não havia tratamento eficaz
no horizonte. O primeiro antirretroviral foi aprovado em 1987, mas o uso de uma 
única droga oferecia benefício limitado e de curta duração. A rotina clínica era
dominada por infecções oportunistas, perda de peso, internações, contagens de CD4
em queda e uma pergunta brutal: como ganhar mais algum tempo?^(4)

![Balde de alumínio com espumante no gelo ao lado de um calendário marcando 1996,
ano da lei brasileira que garantiu acesso gratuito ao tratamento do HIV pelo SUS.](
https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2026/09/A-grande-virada-em-1996-1200x801.
png)

A virada chegou em 1996, quando a combinação de três antirretrovirais mostrou que
era possível suprimir o HIV de forma duradoura. A OMS registra que a terapia antirretroviral
altamente ativa reduziu as mortes relacionadas à aids entre 60% e 80%. O que se 
chamou de “efeito Lázaro” não foi metáfora vazia: pessoas que se preparavam para
morrer voltaram a fazer planos. A meta imediata era sobreviver; controlar o vírus,
reconstruir a imunidade e impedir que uma infecção oportunista encerrasse a história.
^(4,5)

Hoje, o tratamento iniciado cedo e mantido com adesão pode permitir vida longa e
saudável. A supressão viral continua sendo o alicerce: protege o sistema imunológico,
reduz o adoecimento e impede a transmissão sexual quando a carga viral permanece
indetectável. Mas um alicerce não é a casa inteira. A pergunta clínica mudou de 
tamanho: não basta saber quantos anos foram acrescentados à vida; é preciso saber
quanta vida, autonomia e dignidade foram preservadas nesses anos.^(6)

  |  **Dimensão** |  **Anos 1980–1990** |  **Hoje e 2040** |  
   |  **Objetivo central** |  Evitar a morte iminente e tratar infecções oportunistas. |  Manter supressão viral e ampliar anos vividos com saúde e autonomia. |  
 |  **Foco clínico** |  CD4, sintomas, internações e sobrevivência. |  Coração, rins, fígado, ossos, cognição, saúde mental, mobilidade e função. |

  |  **Dimensão** |  **Anos 1980–1990** |  **Hoje e 2040** |  
   |  **Modelo de cuidado** |  Resposta especializada à emergência infecciosa. |  Cuidado integrado, centrado na pessoa e atento à polifarmácia e às desigualdades. |

_Síntese editorial baseada nas fontes 2, 4, 5, 7 e 10._

### Um corpo em alerta: inflamação, imunidade e envelhecimento

![Infográfico sobre HIV, inflamação persistente, ativação imunológica, senescência
imunológica e envelhecimento, com representação do corpo humano e órgãos potencialmente
afetados.](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2026/09/Corpo-em-alerta-1200x800.
png)

Mesmo quando a terapia mantém o HIV suprimido, algumas pessoas apresentam ativação
persistente do sistema imunológico e inflamação sistêmica de baixa intensidade. 
É como se o corpo conservasse um alarme ligado – não uma guerra aberta, mas uma 
sentinela que nunca abandona completamente o posto. Diretrizes clínicas dos Institutos
Nacionais de Saúde dos Estados Unidos associam esse estado à chamada senescência
imunológica e ao risco de comorbidades em vários órgãos, além de fenótipos de envelhecimento
como a fragilidade.^(7,8)

O tempo passa igual para todos. Nós é que não passamos pelo tempo da mesma forma!

Essa é uma das explicações estudadas para o aparecimento mais cedo ou a maior frequência
de doenças cardiovasculares, alterações metabólicas, doença renal, alguns cânceres,
perda óssea e dificuldades cognitivas em parte da população com HIV. Há também outros
elementos: o tempo vivido antes da supressão viral, a menor contagem histórica de
CD4, coinfecções, efeitos de medicamentos antigos, tabagismo, alimentação, sono,
pobreza, racismo, estigma, solidão e acesso irregular ao cuidado. Envelhecimento
com HIV não tem uma causa única, nem um destino igual para todos.^(7,8,9)

Por isso, a expressão “envelhecimento precoce” deve ser usada com precisão. Ela 
não significa que toda pessoa com HIV envelhecerá inevitavelmente antes da hora.
Significa que certos mecanismos biológicos e sociais podem antecipar ou acentuar
problemas ligados à idade. O tratamento precoce, a supressão viral sustentada e 
o acompanhamento integral reduzem riscos. Não desligam magicamente todos os alarmes,
mas mudam radicalmente o terreno da batalha.^(7,8)

![Infográfico sobre HIV, inflamação persistente, ativação imunológica, senescência
imunológica e envelhecimento, com representação do corpo humano e órgãos potencialmente
afetados.](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2026/09/Envelhecimento-Com-
HIV-1200x800.png)

### Sobreviver deixou de bastar: dignidade também é cuidado

O site da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV ou AIDS – Principal – RNP+Brasil–
tem, em sua página inicial, este lema, que faço questão de destacar ser um texto
de Paulo Giacomini:

![](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2026/09/image.jpeg)

[Rede Nacional de Pessoas Vivendo Com HIV e AIDS](http://www.rnpvha.org,br)

A frase me toca por razões que vão além da medicina. O blog da rede foi criado por
mim, e fui pago por esse trabalho — muito bem pago, pelo valor de mercado. Não tenho
queixas em relação à rede nem ressentimento com Paulo. O que ficou foi uma tristeza
pequena na aparência e enorme no significado.

No rodapé, eu havia colocado uma linha curta dizendo que o blog fora criado por 
Cláudio Souza. Naquele tempo, eu estava desempregado, doente e sem auxílio-doença.
Não se tratava de vaidade: aquela linha poderia abrir uma fresta para outro trabalho.
Ela era clicável e gerava um email para soropositivowebsite@gmail,com, mas ele optou
por apagar, era um direito dele.

Se eu teho algum problema com ele? Não, mas ee certamente tem comigo orque ambos
tem a personalidade forte e érams dois Alfas na mesa ribo. Como dizia o Fernando
Henrique Cardoso, assim não pode Assim não dá!

O crédito foi retirado sob o argumento de que causava poluição visual. Eu compreenderia
uma discussão de layout; o que me feriu foi a ideia de que, por ter sido pago, minha
autoria deixava de existir.

Talvez por isso essa lembrança tenha permanecido comigo. Pagamento quita um serviço;
não compra o nome de quem o fez, não apaga a história do trabalho e muito menos 
transforma reconhecimento em luxo. Dignidade não é um bônus concedido quando sobra
espaço na página.

Aprendi algo semelhante na noite. Como DJ, vi mulheres jovens — algumas trabalhando
para pagar estudos e sustentar a própria vida — serem tratadas por certos clientes
como se o pagamento lhes desse direito sobre o corpo e também sobre a dignidade.
Vi insultos, humilhações e agressões quando um homem transformava a própria frustração
sexual em culpa da mulher. No Vagão Plaza, em linhas gerais, quem agredia uma profissional
tornava-se persona non grata.

Também ouvi delas outra forma de pressão: ofertas de dinheiro extra para retirar
o preservativo, numa época em que a prevenção biomédica de hoje — como a PrEP e 
o princípio de que indetectável é igual a intransmissível — ainda não fazia parte
do horizonte cotidiano. Algumas recusavam; outras, pressionadas pela necessidade,
aceitavam. Anos depois, reencontrei algumas no CRT-A da Rua Antônio Carlos. Não 
sei — e seria irresponsável afirmar — quando ou como cada uma adquiriu o HIV. O 
que sei é que desigualdade econômica também interfere na capacidade de negociar 
proteção.

Por que isso cabe num texto sobre envelhecimento? Porque envelhecer bem não é apenas
acumular aniversários nem manter uma carga viral indetectável. É conservar autonomia,
reconhecimento, segurança, vínculos, sexualidade sem violência e a possibilidade
de decidir sobre a própria vida. A dignidade não é um detalhe decorativo do cuidado;
é parte dele.

A OMS define envelhecimento saudável como o processo de desenvolver e manter a capacidade
funcional que permite bem-estar na velhice. Isso não exige ausência completa de 
doenças. Uma pessoa pode viver com HIV, hipertensão, diabetes ou limitações físicas
e ainda envelhecer de modo saudável se essas condições estiverem controladas e se
ela puder decidir, circular, manter relações, satisfazer necessidades básicas e 
participar da sociedade.^(9)

Aplicada ao HIV, essa ideia amplia o prontuário. Carga viral e CD4 continuam essenciais,
mas precisam dividir espaço com pressão arterial, colesterol, glicemia, função renal
e hepática, saúde óssea, vacinação, prevenção de câncer, memória, depressão, mobilidade,
dor, sono, sexualidade e segurança econômica. Também exige revisar a polifarmácia:
quanto mais doenças são tratadas isoladamente, maior o risco de interações, efeitos
adversos e esquemas impossíveis de cumprir na vida real.^(2,8,10)

A consulta precisa perguntar não apenas “o vírus está controlado?”, mas “o que esta
pessoa ainda consegue e deseja fazer?”. O cuidado do futuro reúne infectologia, 
atenção primária, geriatria, cardiologia, saúde mental, reabilitação, assistência
social e, quando necessário, cuidados de longa duração e paliativos. O centro deixa
de ser uma doença isolada e volta a ser a pessoa inteira.^(2,10)

### Um teste por ano, sem estado civil no resultado

A mudança etária traz outra urgência: pessoas mais velhas continuam sexualmente 
ativas, podem adquirir HIV e muitas vezes são diagnosticadas tarde porque profissionais,
campanhas e as próprias famílias tratam a sexualidade depois dos 50 como assunto
encerrado. Não está. O NIH observa que adultos mais velhos tendem a testar menos
e que sintomas do HIV podem ser confundidos com condições relacionadas à idade, 
adiando diagnóstico e tratamento.^(3,8)

![](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2026/09/Claudio-envelhecendo-1200x800.
png)

Este artigo defende uma regra simples de autocuidado para quem é sexualmente ativo
e não vive com diagnóstico de HIV: faça pelo menos um teste por ano, independentemente
de ser solteiro, casado, estar em união estável ou considerar a relação monogâmica.
Estado civil não é método diagnóstico; confiança afetiva não produz anticorpos detectáveis
nem substitui um exame. Testar-se não é acusar alguém. É conhecer a própria saúde
e abrir a porta para prevenção ou tratamento no tempo certo.^(11,12)

E pago US$ 19,90 por mês para ter neu site traduzido para todos os idiomas escritos
e falados neste planeta e a minha felicidade ;e completa um dia cimo este que vou
colar aqui

![](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2026/09/MAPA_ACESSOS_MUNDIAIS_SOROPOSITIVO_15-
05-2017.jpg)

É importante distinguir essa defesa editorial das recomendações mínimas oficiais.
O CDC orienta ao menos um teste na rotina de saúde entre 13 e 64 anos e repetição
pelo menos anual para pessoas com determinados fatores de risco. Aqui, propomos 
ir além do mínimo e normalizar a testagem anual como hábito de saúde sexual. Quem
teve uma exposição recente não deve esperar o aniversário do próximo exame: precisa
buscar orientação imediatamente sobre PEP e sobre o momento adequado da testagem.
No Brasil, testes rápidos e laboratoriais estão disponíveis gratuitamente no SUS.
^(11,12,13)

### Um desafio mundial e profundamente desigual

![](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2026/09/Teste-se-1200x800.png)

  |  **Em uma frase:** se há vida sexual, a testagem deve fazer parte da vida – sem julgamento, sem caça a culpados e sem depender do estado civil. |

A Comissão projeta que 96% das pessoas com HIV com 50 anos ou mais viverão em países
de baixa e média renda em 2040. É justamente onde sistemas de saúde costumam ter
menos geriatras, menos acesso a exames, mais deslocamentos e serviços fragmentados.
Uma pessoa pode ser obrigada a visitar uma clínica para o HIV, outra para diabetes,
outra para pressão, outra para saúde mental – carregando, sozinha, o trabalho de
integrar prescrições que o próprio sistema separou.^(2,3)

A desigualdade também envelhece. Desvantagens acumuladas ao longo da vida – renda
baixa, racismo, violência, moradia precária, trabalho exaustivo, discriminação por
orientação sexual ou identidade de gênero – chegam à velhice inscritas no corpo 
e nas possibilidades de cuidado. A OMS lembra que o envelhecimento saudável depende
tanto das capacidades físicas e mentais quanto do ambiente, das políticas e das 
relações que permitem à pessoa viver o que valoriza.^(9,10)

Preparar 2040, portanto, não é simplesmente acrescentar uma consulta geriátrica 
ao protocolo do HIV. É integrar serviços, reduzir viagens desnecessárias, proteger
renda e moradia, enfrentar o idadismo e o estigma, garantir reabilitação, apoio 
social e escuta. É planejar saúde para quem sobreviveu ao que parecia impossível
e agora tem o direito de não passar a velhice pagando sozinho a conta dessa vitória.
^(2,3,10)

### A vitória que muda de nome

![Nessa dose noturna estão metadona, Mestinon, Rivotril, prednisolona e Clexane —
sendo o Clexane a enoxaparina injetável. E eu ia me esquecendo, amitril](https://
soropositivo.org/wp-content/uploads/2026/09/a-ultima-dose-do-dia-900x1200.jpeg?crop
=1)

>  

Rotina noturna de medicamentos, incluindo comprimidos e anticoagulante injetável.
Uso somente sob rigorosa prescrição e acompanhamento médico. Nunca reproduza doses
ou combinações de medicamentos com base em relatos ou imagens de outras pessoas.

Nos anos 1980 e 1990, a urgência era arrancar pessoas da beira da morte. Hoje, 
sem abandonar prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e supressão viral, a meta
precisa ser maior: acrescentar saúde aos anos conquistados. O marcador do sucesso
não pode ser apenas estar vivo na próxima consulta. Deve incluir chegar aos 60, 
70, 80 anos com a maior autonomia possível, vínculos preservados, projetos, desejo,
mobilidade, memória, voz e lugar no mundo.^(2,9)

Os 20,2 milhões de pessoas com HIV com 50 anos ou mais previstos para 2040 são, 
ao mesmo tempo, celebração e aviso. Celebração porque milhões atravessaram uma fronteira
que antes lhes era negada. Aviso porque viver mais sem cuidado integral pode significar
acumular doença, incapacidade e abandono. A medicina venceu quando aprendeu a impedir
o vírus de encerrar tantas histórias. Vencerá de novo quando ajudar essas histórias
a continuar com qualidade.^(2,3)

### **A primeira revolução do HIV foi sobreviver. A próxima é envelhecer bem.**

  |  Claro. Eu fecharia a publicação assim:
Nota de transparênciaEste texto foi construído a partir da experiência cotidiana e da trajetória pessoal de seu autor, Cláudio Santos de Souza. A redação, a organização de algumas informações e a revisão contaram com a cooperação de “Alcione”, nome pelo qual o autor chama o ChatGPT, sistema de inteligência artificial desenvolvido pela OpenAI.A inteligência artificial foi utilizada como ferramenta de apoio editorial: para organizar ideias, aprimorar a clareza do texto e auxiliar na apresentação de informações. Ela não substitui a experiência vivida pelo autor, não é fonte de diagnóstico e não substitui médicos, farmacêuticos ou qualquer outro profissional de saúde.Medicamentos, doses, combinações e procedimentos mencionados nesta publicação dizem respeito a uma história individual e jamais devem ser reproduzidos por outra pessoa sem rigorosa prescrição e acompanhamento médico.Há também uma razão para não publicar determinadas doses. Não quero transformar meu tratamento em receita para ninguém. O que mantém uma pessoa viva pode ser perigoso para outra quando utilizado fora de seu contexto clínico.“Desde 21 de dezembro de 2005, foram 15.120 injeções. Quinze mil cento e vinte perfurações. Quinze mil cento e vinte pequenos atos que, vistos isoladamente, talvez pareçam apenas parte de um tratamento que deixou e deixa sus marcas, os hematomas na barriga.Para mim, significam outra coisa.Foram 15.120 vezes dizendo:‘Sim, eu quero viver.’E continuo dizendo.” |

![](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2026/09/Pesquisadora-de-HIV-1200x800.
png)

Fontes e leituras recomendadas

1.  Organização Mundial da Saúde (2026). _HIV data and statistics._ [Acessar a fonte](https://www.who.int/teams/global-hiv-hepatitis-and-stis-programmes/hiv/strategic-information/hiv-data-and-statistics)

2.  The Lancet HIV / PubMed (2026). _The Lancet HIV Commission on ageing and HIV:
a global perspective._ [Acessar a fonte](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42508440/)

3.  University of the Witwatersrand (2026). _Report: Health systems needs to prepare
for ageing with HIV._ [Acessar a fonte](https://www.wits.ac.za/news/latest-news/opinion/2026/2026-08/report-health-systems-needs-to-prepare-for-ageing-with-hiv.html)

4.  Organização Mundial da Saúde (2026). _Why the HIV epidemic is not over._ [Acessar a fonte](https://www.who.int/news-room/spotlight/why-the-hiv-epidemic-is-not-over)

5.  NIAID / NIH (2024). _Antiretroviral Drug Discovery and Development._ [Acessar a fonte](https://pubweb-prod.niaid.nih.gov/diseases-conditions/antiretroviral-drug-development)

6.  HIVinfo / NIH (2025). _HIV Treatment: The Basics._ [Acessar a fonte](https://hivinfo.nih.gov/understanding-hiv/fact-sheets/hiv-treatment-basics)

7.  ClinicalInfo / NIH (2024). _Special Populations: HIV and the Older Person._ 
[Acessar a fonte](https://clinicalinfo.hiv.gov/en/guidelines/hiv-clinical-guidelines-adult-and-adolescent-arv/special-populations-hiv-and-older-person?view=full)

8.  HIVinfo / NIH (2026). _HIV and Older People._ [Acessar a fonte](https://hivinfo.nih.gov/understanding-hiv/fact-sheets/hiv-and-older-people)

9.  Organização Mundial da Saúde (2020). _Healthy ageing and functional ability._
[Acessar a fonte](https://www.who.int/news-room/questions-and-answers/item/healthy-ageing-and-functional-ability)

10.  Organização Mundial da Saúde (2026). _Transforming health and social services
towards person-centred and integrated care._ [Acessar a fonte](https://www.who.int/activities/transforming-health-and-social-services-towards-a-more-person-centred-and-integrated-care)

11.  CDC (2026). _Clinical Testing Guidance for HIV._ [Acessar a fonte](https://www.cdc.gov/hivnexus/hcp/diagnosis-testing/index.html)

12.  CDC (2026). _Getting Tested for HIV._ [Acessar a fonte](https://www.cdc.gov/hiv/testing/index.html)

13.  Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (2026). _AIDS: diagnóstico e 
testes gratuitos no SUS._ [Acessar a fonte](https://www.saude.mg.gov.br/aids/)

**Este blog existe há 25 anos.**
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou 
de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo
que demore um pouco.E se quiser, mande um Pix de **R$ 0,25** pelos 25 anos de trabalho:**
Chave Pix:** solidariedade@soropositivo.org_Você também pode me escrever para: claudio@
soropositivo.org_

### _Relacionado_