# Como se deve tratar a candidíase vaginal nas pacientes com HIV?

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- Published: 2009-06-04T14:52:26-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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# Como se deve tratar a candidíase vaginal nas pacientes com HIV?

 

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A candidíase vaginal é afecção ginecológica bastante comum, e o número de mulheres
HIV-positivas com vulvovaginite por _Candida sp é _alto. Além disso, freqüentemente
ocorrem recorrência nestas pacientes.

A candidíase vaginal tem sido observada em mulheres com contagem de células CD4+
em sangue periférico normal, diferente do acometimento da cavidade oral, do esôfago
e de outras formas sistêmicas pela _Candida, _que parecem estar relacionados com
a diminuição progressiva dessas células na periferia.

Em mulheres HIV-positivas assintomáticas, a presença de recorrência freqüente ou
persistência pode ser sinal precoce de imunocomprometimento. Os casos refratários
ao tratamento tópico são freqüentemente associados a imunidade severa.

Os principais objetivos do tratamento são a cura microbiológica da infecção, o alívio
dos sintomas, a prevenção de seqüelas e a transmissão do agente.

A tendência atual é a menor duração do tratamento, com doses antifúngicas progressivamente
maiores, preferencialmente com regimes terapêuticas tópicos ou orais em dose única,
que permitem maior aderência ao tratamento. Os regimes que se apóiam na dosagem 
única** **são recomendados em episódios infreqüentes de leve ou moderada sintomatologia.
Nos casos mais severos e rebeldes a opção é para terapia tópica prolongada, associada
a terapia oral.

Entre os agentes tópicos incluem-se os poliênicos (nistatina) e derivados azólicos
como clotrimazol e miconazol. A nistatina tópica deve ser utilizada na dosagem de
uma aplicação diária por 15 dias. Os imidazólicos, quando usados topicamente, apresentam
poucos efeitos colaterais. O clotrimazol é utilizado diariamente durante sete dias.
O miconazol é utilizado em aplicação vaginal diária por sete dias.

Os agentes orais apresentam as seguintes vantagens sobre a apresentação tópica: 
são mais aceitos pelas mulheres em geral, a duração do tratamento geralmente é menor,
são altamente eficazes na cura clínica e microbiológica de vaginite aguda por _Candida
sp, _permitem a eliminação da colonização retal que pode ser importante para impedir
as recorrências. Como desvantagens são mais caros e apresentam alguns efeitos colaterais
tais como distúrbios gastrointestinais, hepatotoxicidade e possibilidade de interação
medicamentosa. O cetoconazol é utilizado na dosagem de 4OOmg/dia/cinco dias. O fluconazol
na dose de 15Omg/dia/dose única e o itraconazol 2OOmg/dia/três dias ou 2OOmg/duas
vezes ao dia/um dia.

_A Candida albicans _parece estar envolvida nos casos de vulvoginite fúngica em 
80-90% das vezes, o restante dos casos é atribuído a outras espécies como _Candida
glabrata, Candida tropicalis, Candida parapsilopsis _e outras consideradas menos
susceptíveis a tratamentos convencionais e mais freqüentemente detectadas nos casos
de recorrência.

Não existe ainda consenso sobre qual seria o melhor esquema para a profilaxia das
recorrências da candidíase vulvovaginal em mulheres HIV-positivas. Alguns autores
preconizam o uso de medicamentos tópicos durante o período pré-menstrual (cinco 
a sete dias) ou o uso de medicamentos via oral, no mesmo período ou em dose única.

As mulheres HIV-positivas têm apresentado maior índice de falha ao tratamento com
o fluconazol, embora este seja considerado, por alguns autores, mais eficaz que 
o cetoconazol.

Embora a candidíase vulvovaginal não seja tradicionalmente considerada como uma 
doença sexualmente transmissível pode ocorrer transmissão através do sêmen contaminado
ou pelo contato oro-genital. O tratamento concomitante do parceiro sexual tem diminuído
as recorrências. É importante orientar as mulheres com recorrências freqüentes para
não terem relação sexual ou usarem camisinha. Recomenda-se ainda o tratamento do
parceiro sexual

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 * [Mais sobre Candidíase](https://soropositivo.org/mais-sobre-candidiase/)
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