# AIDS: Compreendendo melhor a doença

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- Published: 2014-09-12T18:40:16-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Em 1996, por volta de abril, minha contagem de CD4 estava abaixo de 20 e era muita“
sorte” (isso não existe) que eu não tivesse desenvolvido ou contraído uma condição
séria que me levaria a preferir morrer do que me tratar.

Então, em 1997 a Dra patrícia Maia Cipollari, minha médica de então, me disse que
tinha ótimas notícias, me explicou sobre a HAAART (A terapia combinada) e disse 
que, se eu aceitasse tomá-la, existiriam grandes possibilidades de eu restaurar 
minha saúde. Talvez, ela disse, a níveis normais

Você que leu este livro até aqui sabe, com certeza, o quanto amo viver e, naquele
mesmo dia eu comecei a tomar um tratamento complexo, repleto de efeitos colaterais
e de determinações dietéticas, como ficar duas horas em jejum, uma hora antes, outra
depois, para tomar a Didanosisa, o DDI, que vinha em uma caixa desrespeitosa com
a marca “Videx”. Outro, tinha de tomar com o estômago cheio, em especial, de proteína
animal para maior absorção e biodisponibilidade (uma maior concentração dele em 
sua corrente sanguínea).

Em uma daquelas tardes em que eu cuidava do Waldir e ele tinha pego no sono, fui
dar uma volta pelo hospital para ver como estavam os outros pacientes. Foi aí que
encontrei um papel, uma Vide revista, já não tenho certeza e o teco “compreendendo
melhor a doença”. A pessoa que deixara aquele leito perecera e deixou, para mim (
destino?) aquele papel à minha disposição e eu o guardei até que, no ano dois mil,
quando eu criei Soropositivo Home Page (não existia blog) resolvi escaneá-lo e publica-
lo em meu blog.

Hoje eu o encontrei, discuti com o chat GPT que pretendeu pasteurizar meu conteúdo
e lhe dei uma traulitada.

O texto, obsoleto em muitos aspectos para a era de publicação deste livro, era o
que pavimentava o solo de pessoas que, como eu, chegavam a tomar mis de 50 comprimidos
por dia. Alguns contra o HIV, outros para controlar os efeitos colaterais dos remédios
contra o HIV e outros para controlar os efeitos colaterais destes. Cheguei a tomar
Hidroxiureia. Uma louca m prescreveu,

O que coloco aqui é a minha realidade e a de muitos outros no final da década de
90;

Para ilustrar melhor, quando nos unimos, eu e Mara, não tínhamos, ainda, a certeza
de que chegaríamos ao ano 2010 e não havia garantia que um bebê nascido de um casal
soropositivo não nascesse soropositivo.

Baseados nisso, no medo de uma morte precoce, decidimos não por, neste mundo tão
egoísta, uma criança para o HIV com amplas possibilidades de se tornar órfã.

Se fosse menina, chamar-se-ia Véritas (verdade) e se tivéssemos à nossa disposição
os recursos que se em hoje em dia, estaria com seus 22, talvez 24 anos e seria, 
por conta do caráter excepcional de Mara, uma grande filha e uma mulher da qual 
poucos seriam dignos.

Não estava escrito. Abaixo segue o texto. Originalmente intitulado compreendendo
melhor a doença. Que era nosso mapa, nossa bússola, nosso guia por este mundo ainda
tão perigoso em que vivíamos!

E para quem pensa que saí ileso daquele inferno, tive de tratar uma tuberculose,
por 19 meses. Alguns deles morando na rua!

O Fato de você ser HIV positivo (soropositivo) não significa que você tem **AIDS**,
ou que você ficará gravemente doente em breve.

Mas você está em meio a uma luta para proteger seu sistema imunológico, sua saúde
e sua vida.

Você precisa de um médico que estará pronto a atende-lo, sempre que necessário.

Recentes pesquisas têm fornecido novas e importantes informações sobre a replicação(
reprodução) do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), tais como: a velocidade em
que o vírus faz cópias de si mesmo, quantas cópias ele faz e como o sistema imunológico
responde a isso.

Os cientistas desenvolveram novas tecnologias que prometem melhorar a nossa capacidade
de detectar e avaliar a atividade do vírus em todos os estágios da infecção pelo
HIV.

Novos exames medem diretamente o vírus, juntamente com a contagem de células Tratamento,
podem nos dar uma ideia melhor do estágio da infecção por HIV.

Esta página responde a algumas das dúvidas mais frequentes que as pessoas têm sobre
o HIV. À medida que você for lendo esta página, aprendera mais sobre o vírus, como
ele se multiplica e qual sua relação com a progressão da doença. Quanto mais você
souber sobre o HIV (o vírus) e a doença, mas você poderá fazer para se manter saudável
por um tempo maior.

**“SE EU ME SINTO BEM, ISTO SIGNIFICA QUE O VÍRUS NÃO ESTÁ ATIVO?”**

Até há poucos tempos, acreditava – se que enquanto a pessoa não apresentasse sintomas,
o vírus não estaria ativo em seu corpo.

Recentemente, porém, as pesquisas têm demonstrado que o vírus nunca está parado 
ou adormecido. Na verdade, o vírus estão se multiplicando rapidamente desde o início
da infecção e o sistema imunológico está lutando contra ele.

Estima-se que mais de 700.000 pessoas no Brasil estão infectadas pelo HIV e a maioria
permanecerá ativa e saudável por um longo período – muitas vezes anos – após terem
sido infectadas.

**“COMO O NOSSO CORPO LUTA CONTRA AS INFECÇÕES?”**

O corpo humano está sob ataque constante de uma grande variedade de bactérias, vírus
e fungos.

A função do sistema imunológico é remover ou controlar estes invasores e proteger
o corpo destes invasores e seus efeitos danosos. Um dos protagonistas mais importantes
do sistema imunológico é um células chamada CD4 ou células T.

As células T lideram a resposta imune contra as infecções.

Mais especificamente, elas mandam outras células procurarem e destruírem as bactérias,
fungos e outros vírus que causam infecções.

**“PORQUE O HIV É DIFERENTE?”**

Uma das principais diferenças entre o HIV e outros vírus é que o HIV usa as células
T (células que ajudam o corpo a lutar contra as infecções) para se multiplicar ou
replicar.

O HIV invade as células T e transforma o material genético da célula T em seu próprio
material genético.

Assim que as células T são controladas pelo HIV elas não conseguem mais controlar
o sistema imunológico.

Ao invés disso, as células T infectadas pelo HIV começam a produzir mais HIV.

O ataque e a replicação constante dos vírus, visando principalmente as células Tratamento,
vão gradualmente acabando com o sistema imunológico e enfraquecendo as defesas do
organismo.

**“ONDE É QUE ESTÁ ACONTECENDO ISSO NO MEU ORGANISMO?”**

Embora o HIV infecte as células T e outras células por todo o organismo, ele se 
multiplica principalmente nos nódulos linfáticos.

Os nódulos linfáticos estão localizados em muitas partes do corpo.

Cada nódulo linfático possui em seu interior uma estrutura em forma de rede que 
age como um filtro protetor, aprisionando os vírus e as células T infectadas.

Grandes quantidades de células T saudáveis tornam – se infectadas pelo HIV quando
passam normalmente pelos nódulos linfáticos. Sabemos agora que existem muito mais
células infectadas nos nódulos linfáticos do que no sangue, especialmente durante
as fases iniciais da doença.

**“O VÍRUS CONTINUA ATIVO QUANDO ESTÁ PRESO NOS NÓDULOS LINFÁTICOS?”**

Sim.

Pesquisas recentes têm demonstrado que um grande número de vírus novos é produzido
diariamente, desde o início da infecção.

Seu organismo contra – ataca substituindo as células T infectadas com até 2 bilhões
de células T não infectadas, diariamente.

Isto permite que sua contagem de células T fique constante por algum tempo.

No entanto, o corpo não consegue aguentar isso indefinidamente. Aos poucos, o sistema
imunológico perde a batalha e não consegue produzir células T em número suficiente
para substituir as que são destruídas pelo HIV, levando ao enfraquecimento do sistema
imunológico, o que aumenta a possibilidade do aparecimento de doenças oportunistas
e/ou tumores caracterizando a AIDS, propriamente dita.

**“COMO POSSO SABER QUANTOS VÍRUS EXISTEM EM MEU CORPO?”**

Até pouco tempo, a maneira mais comum de acompanhar a progressão da doença por HIV
era medindo a quantidade de células T.

As contagens de células T são importantes porque indicam como seu sistema imunológico
está respondendo à atividade contínua do vírus no seu corpo.

Exames novos que podem medir o vírus direitamente dão uma boa ideia da taxa de replicação
do vírus no seu sangue. O número de vírus em uma pequena amostra do seu sangue é
conhecido como contagem ou carga viral.

A carga viral é um indicador do grau de atividade do HIV em seus nódulos linfáticos
e em todo o organismo, oferecendo, portanto, mais uma forma de acompanhar a progressão
da doença por HIV.

O vírus está se reproduzindo constantemente.

Mesmo que você esteja se sentindo perfeitamente bem – durante a chamada fase “silenciosa”
ou assintomática da infecção – grandes números de cópias do HIV estão se reproduzindo
rápida e continuamente.

**“POSSO USAR MINHA CONTAGEM DE CÉLULAS T E MINHA CARGA VIRAL PARA ENTENDER MELHOR
ESTA DOENÇA?”**

**“COM QUE FREQÜÊNCIA DEVEM SER REALIZADOS TESTES PARA AVALIAR OS NÍVEIS VIRAIS?”**

De modo geral, níveis mais altos de vírus parecem estar associados com um número
menor de células T.

Da mesma maneira, cargas virais mais baixas geralmente significam contagens de células
T mais altas.

Pesquisas recentes têm demonstrado que níveis mais altos de vírus geralmente significam
uma progressão mais rápida da doença, enquanto níveis mais baixos de vírus significam
progressão mais lenta da doença.

Em uma analogia comumente efetuada, a AIDS representa um precipício que estaria 
situado ao final de uma estrada de ferro a ser percorrida pelo HIV, que seria um
trem; a carga viral representa a velocidade com que o trem percorreria esta estrada
de ferro, ao passo que a contagem das células CD4, ou células T, seria a indicativa
da distância entre a posição atual entre o trem e o precipício; em suma:

Saber quantos vírus estão se reproduzindo no seu corpo e o número de células T que
o seu organismo tem para lutar contra o vírus poderá ajudar você e seu médico a 
decidirem qual é a melhor forma de tratar a infecção.

Estar bem informado pode trazer uma grande diferença no curso de sua infecção. Quanto
mais você souber, mais poderá fazer.

Hoje, existem mais recursos do que nunca para ajudá-lo a lutar contra o HIV e a 
AIDS. Seu médico tem novas informações sobre a doença e o seu tratamento. Fale com
ele ainda hoje.

**O DIAGNÓSTICO POSITIVO NÃO É UMA SENTENÇA DE MORTE**

ADAPTADO DO MANUAL “VIVENDO POSITIVAMENTE”, do grupo Pella Vidda

Até hoje não se sabe como tirar o HIV do corpo de uma pessoa, desde que ele tenha
se instalado no organismo. Portanto, a infecção pelo HIV dura pelo resto da vida
da pessoa contaminada. Mesmo que a pessoa não apresente nenhum sintoma, pode transmitir
o vírus. Além disso, a pessoa contaminada deve cuidar – se para que não haja r contaminação,
uma vez que novas contaminações podem colaborar para o agravamento da infecção com
o aumento da carga viral, queda da contagem de CD4 e consequente aumento no risco
de desenvolvimento de infecções oportunistas de maior ou menor gravidade.

Conhece – se, nos dias de hoje, tratamento e cura para quase todas as doenças oportunistas
e é particularmente importante que o portador de HIV tenha um acompanhamento médico
constante e eficiente para que possa garantir o diagnóstico precoce de uma eventual
infecção oportunista, garantindo, assim, uma melhor qualidade de vida.

Se você descobrir que é portador de HIV, doente ou não, tenha em mente que não está
sozinho. Esta é uma epidemia que atinge todo o mundo. Somos milhões de pessoas vivendo
com o mesmo problema. Precisamos sim, aprender a viver positivamente.

Lembre-se – se também de que a doença não é só o vírus. É a maneira como você vive.
Entenda, em frente e dê a volta por cima.

Texto revisado por [Amarilis (in memoriam -*1963 +2003)](http://soropositivo.org/a-tal-hora-de-contar.html)

I`m a PWA (person with AIDS) – Eu sou uma PCA (Pessoa com AIDS)

## Leia também

 * [AIDS: HIV e Carga Viral Compreendendo melhor a doença](https://soropositivo.org/compreendendo-melhor-a-doenca/)
 * [Compreendendo melhor o HIV/AIDS](https://soropositivo.org/compreender-melhor-a-aids/)
 * [Contagem de CD4 abaixo de 500 Ou Carga Viral detectável E COVID-19](https://soropositivo.org/contagem-de-cd4-abaixo-de-500-ou-carga-viral-detectavel-e-covid-19/)

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