# Crack e HIV: um novo desafio para os sistemas de saúde

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- Published: 2012-09-26T05:10:53-03:00
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### Crack, nem pensar

No­vos pa­drões de con­su­mo, no­vos de­sa­fi­os. O uso da co­caína fu­ma­da, mais
co­nhe­ci­da co­mo **crack**, vem se alas­tran­do em al­guns países da Améri­ca 
La­ti­na e as vul­ne­ra­bi­li­da­des dos usuári­os ao HIV e a ou­tras do­enças in­fec­to­con­ta­gi­o­sas
co­mo a tu­ber­cu­lo­se, he­pa­ti­tes e in­fecções trans­mi­ti­das se­xu­al­men­te,
de um mo­do em ge­ral, são pre­o­cu­pan­tes.

### Table Of Content

 * [Crack, nem pensar](https://soropositivo.org/crack-e-hiv-um-novo-desafio-para-os-sistemas-de-saude/#crack-nem-pensar)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/crack-e-hiv-um-novo-desafio-para-os-sistemas-de-saude/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/crack-e-hiv-um-novo-desafio-para-os-sistemas-de-saude/#relacionado)

Até o mo­men­to, as es­tratégi­as pa­ra au­men­tar a dis­po­ni­bi­li­da­de e o aces­so
a ser­viços de pre­venção e tra­ta­men­to são li­mi­ta­das.

⌊crack⌉⌊crack⌉Com vis­tas a am­pli­ar o co­nhe­ci­men­to so­bre a re­lação en­tre
o uso de crack e as vul­ne­ra­bi­li­da­des ao HIV e aju­dar na cons­trução de políti­cas
públi­cas mais efi­ci­en­tes de pre­venção e de tra­ta­men­to de usuári­os, es­pe­ci­a­lis­tas,
ges­to­res e usuári­os dos ser­viços de saúde apre­sen­ta­ram es­tu­dos e ex­pe­riênci­as
du­ran­te o IX Con­gres­so Bra­si­lei­ro de Pre­venção das DST e [Aids](http://en.wikipedia.org/wiki/HIV/AIDS),
o II Con­gres­so Bra­si­lei­ro de Pre­venção das He­pa­ti­tes Vi­rais, o VI Fórum
La­ti­no-ame­ri­ca­no e do Ca­ri­be em HIV/Aids e DST e o V Fórum Co­mu­nitário.

Sob o títu­lo “Crack: o que sa­be­mos, o que te­mos e o que fa­re­mos?”, a me­sa
te­ve co­mo pa­les­tran­tes o as­ses­sor da Área Técni­ca de [Saúde](http://en.wikipedia.org/wiki/Sa%C3%BAde_%28district_of_S%C3%A3o_Paulo%29)
Men­tal do Mi­nistério da Saúde, Le­on Gar­cia, a Co­or­de­na­do­ra da Área de Saúde
e De­sen­vol­vi­men­to do [UNODC](http://en.wikipedia.org/wiki/United_Nations_Office_on_Drugs_and_Crime),
Na­ra San­tos, a co­or­de­na­do­ra da área técni­ca do Pro­gra­ma Mu­ni­ci­pal de
Saúde Men­tal de São Pau­lo, Ro­san­ge­la Eli­as, o co­la­bo­ra­dor do Gru­po de
Apoio à Pre­venção da Aids, GA­PA do Rio Gran­de do Sul, José Na­dir Ra­mi­rez, 
e con­tou com a mo­de­ração do co­or­de­na­dor da Gerência de DST/Aids e He­pa­ti­tes
Vi­rais da Se­cre­ta­ria de Saúde do Dis­tri­to Fe­de­ral, Fer­nan­do Mar­ques.

Du­ran­te a me­sa re­don­da, as res­pos­tas no âmbi­to in­ter­na­ci­o­nal, na­ci­o­nal
e lo­cal que abor­dam te­mas co­mo a es­tig­ma­ti­zação do usário de crack, o en­fren­ta­men­to
às bar­rei­ras de aces­so a ser­viço in­te­gra­dos e in­te­grais de atenção à saúde,
bem co­mo a per­cepção do usuário dos ser­viços fo­ram de­ba­ti­dos.

⌊crack-nem-pensar-2⌉⌊crack-nem-pensar-2⌉Es­que­ci­dos ou en­tre os gru­pos de pes­so­as
mais es­tig­ma­ti­za­das, os usuári­os de crack, em ge­ral, não são al­vos de pro­gra­mas
pa­ra a pre­venção do HIV e têm aces­so res­tri­to a tra­ta­men­tos de de­pendência
de dro­gas e an­tir­re­tro­vi­rais, bem co­mo de pre­venção ao uso de dro­gas. En­tre
eles, as po­pu­lações de rua são os gru­pos mais afe­ta­dos.

A si­tuação se agra­va com a fal­ta de di­re­tri­zes pa­ra a atenção aos usuári­os
de crack.

Mi­tos so­bre a ca­pa­ci­da­de do usuário de ade­rir ao tra­ta­men­to e de ado­tar
práti­cas de pre­venção, por ex­em­plo, di­fi­cul­tam a re­a­li­zação de pes­qui­sas,
as­sim co­mo a im­ple­men­tação de políti­cas públi­cas ade­qua­das.

A vi­o­lação de di­rei­tos das pes­so­as que usam dro­gas, por meio de práti­cas
co­mo en­car­ce­ra­men­to, tra­ta­men­to co­er­ci­ti­vo e abu­si­vo, assédio po­li­ci­al,
de­tenções ar­bi­trári­as, tra­ta­men­to cru­el e a tor­tu­ra, por sua vez, am­pli­am
ain­da mais as vul­ne­ra­bi­li­da­des à in­fecção pe­lo HIV.

Se­gun­do Na­ra San­tos, é pre­ci­so que o en­fo­que não se­ja a dro­ga, mas o usuário,
com ações de en­fren­ta­men­to ao es­tig­ma e ao pre­con­cei­to que re­pre­sen­tam
gran­des bar­rei­ras na pro­moção do aces­so des­ta po­pu­lação aos ser­viços de
saúde.

“Pre­ci­sa­mos li­dar com uma ga­ma adi­ci­o­nal de vul­ne­ra­bi­li­da­des co­mo
a ho­mo­fo­bia, a fal­ta de mo­ra­di­as, as co­mor­bi­da­des, en­tre ou­tras.

As in­ter­venções de­vem ser ba­se­a­das nos di­rei­tos hu­ma­nos, ter sen­si­bi­li­da­de
cul­tu­ral e re­que­rem atenção não ape­nas na dro­ga, mas em di­fe­ren­tes con­tex­tos
de uso”, ava­lia.

Ou­tra re­co­men­dação é a in­clusão do tra­ta­men­to de de­pendência quími­ca em
es­tratégi­as am­plas de saúde, vol­ta­das pa­ra as po­pu­lações em si­tuação de
mai­or vul­ne­ra­bi­li­da­de, con­si­de­ran­do as di­fe­ren­tes práti­cas e con­tex­tos
de uso.(De­par­ta­men­to de DST, Aids e He­pa­ti­tes Vi­rais

 

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